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Correio Braziliense BICHOS

Pônei: miniatura que encanta

Dóceis, eles podem ser um bom animal de companhia. Mas é preciso ficar atento a certas particularidades da raça


postado em 02/09/2018 08:00 / atualizado em 31/08/2018 13:54

Alunos da Escola Arara Azul têm contato direto com os animais, entre eles os pôneis(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Alunos da Escola Arara Azul têm contato direto com os animais, entre eles os pôneis (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Eles são pequeninos, dóceis e de fácil convívio e criação. Por isso, são muito usados em terapias e capazes de se aproximar das pessoas de forma encantadora, especialmente crianças e idosos. Espécie de cavalo, só que em miniatura, os pôneis podem se tornar um ótimo animal de companhia.

Há quem pense que a baixa estatura desses equinos — com altura que varia entre 86cm e 150cm — signifique uma espécie de anomalia genética. Mas a médica veterinária Lídia Pereira, especialista em clínica e cirurgia de animais de grande porte, explica que os pôneis são, na verdade, resultado de uma série de cruzamentos. “Eles são uma raça específica de equídeos”, explica. No Brasil, surgiu do cruzamento entre o pônei shetland, da Escócia, e o falabella, da Argentina.

Embora os pôneis sejam pequenos e não necessitam de muito espaço para viver, Lídia explica que o ambiente ideal para criá-los precisa ter, no mínimo, entre 300m² e 400m². Vale ainda ressaltar que, como são animais de bando, eles se sentem melhor na presença de seus pares. “Portanto, se a pessoa optar por tê-los como pet, o ideal é que sejam criados em chácaras”, alerta a veterinária.

É importante que o animal tenha acesso à água e que a alimentação seja adequada, específica e de qualidade. Eles também amam um banho de sol. Lídia alerta que não é porque são pequenos que os pôneis têm natureza, necessariamente, mansa. Logo, os cuidados com a criação não podem ficar por conta das crianças, é preciso que haja um adulto para supervisionar.

Marcos Fernandes Alves, 56 anos, conhecido por Joca Gama, é atleta paralímpico e treinador de equitação. Além da sua relação com as montarias, ele cria pôneis. De início, chegou a ter mais de 20 espécies, mas, por conta de gastos, precisou negociar alguns com outros criadores.

Hoje, tem nove pôneis, que cria no Centro Hípico do Gama. O primeiro se chamava Batata. Joca ama o jeito dócil desses bichos e comemora que os custos com a criação sejam acessíveis. “Eles não dão muito gastos, em comparação com os cavalos. Em média, custam R$ 300 por mês.”

De acordo com o médico veterinário José Ricardo Bagaiolo, da Sociedade Hípica de Brasília, do Centro Hípico Lago Sul e do Centro Equestre do Torto, os pôneis não servem de montaria para adultos. Mas podem ser usados para recreação, para iniciar as crianças na equitação, na equoterapia e também em tração leve. Segundo Bagaiolo, os problemas clínicos mais comuns nesses bichos são os distúrbios gastrointestinais, doenças nos cascos e incidência de parasitas. “Mas são reduzidos quando se tem um manejo correto e um acompanhamento preventivo de um médico veterinário.”

Fazendinha

Na Minifazenda Educativa para Crianças, os pôneis têm um amplo espaço de pastagem(foto: Minifazenda Educativa para Crianças/ Divulgação)
Na Minifazenda Educativa para Crianças, os pôneis têm um amplo espaço de pastagem (foto: Minifazenda Educativa para Crianças/ Divulgação)
Franci Medeiros, 52 anos, é turismóloga e microempreendedora. Ela é proprietária da Minifazenda Educativa para Crianças, em Vicente Pires, que, desde 2005, tem como foco levar crianças e jovens das cidades para conhecer a realidade do campo. “As crianças podem ter um prazeroso dia em contato com animais típicos do campo e com o meio ambiente”, diz.

De início, começou com um casal de pônei e galinhas. Hoje, a fazendinha tem coelhos, minicabras e minibodes, galinhas, pôneis, ovelhas, ganso e pombos-correio. Para Franci, são poucas as desvantagens dos pôneis. É necessário investir na doma do animal e em um espaço verde com gramado para que eles possam pastar. O veterinário Bagaiolo ressalta a importância desse tipo de lugar. “Se o local tiver à disposição boas pastagens, o custo pode diminuir ainda mais.”

Terapia 

A Escola Arara Azul, no Park Way, é cheio de animais. Entre araras, pavões, galinhas, minivacas e minibois, também há pôneis. Segundo Vera Lúcia Alves, supervisora de suprimentos e coordenadora de animais, a criação dos bichos é um desejo antigo. “As crianças amam especialmente os pôneis. São como uma terapia para elas.” Vera conta que, quando uma criança está muito agitada, logo os professores prometem que, se ela se acalmar, poderá montar no pônei.

A coordenadora pedagógica Stefani Karoline acredita que a inclusão desses animais no ambiente escolar favorece o ensino e torna o aprendizado mais rico e lúdico, tanto na questão teórica quanto prática. Além de ser uma diversão, o convívio com os bichos beneficia o contato sensorial.

Vera Lúcia lembra que sempre há monitores no momento dos passeios das crianças com os pôneis.  Ela explica também que sempre há um veterinário para dar os cuidados médicos aos bichos. Na alimentação, dispõem sempre de ração de boa qualidade para evitar os gases que tanto os incomodam.

Características
• Comportamento dócil
• Inteligentes
• Baixo custo — entre R$ 100 e R$ 300 ao mês
• Adapta-se em pouco espaço, em comparação com cavalos

Alimentação
Os pôneis se alimentam de volumoso — alimentos secos (pastagem, silagem, fenos, casca de grãos) próprios para os equídeos. Além disso, é necessária a administração de ração. A médica veterinária Lídia Pereira explica que é importante ter um responsável para oferecer a ração três vezes ao dia. É preciso também tomar cuidado com muita alimentação porque o bicho pode ficar obeso. “A obesidade traz problema de locomoção, afetando articulações.”
 
*Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte 

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