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Correio Braziliense ENCONTRO COM O CHEF

Catarinense larga emprego formal para confeccionar tortas alemãs

Caprichosa, esmera-se para preparar o doce à perfeição, tanto em sabor quanto em beleza


postado em 02/09/2018 09:00 / atualizado em 02/09/2018 11:47

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


Quando uma amiga me mostrou o Instagram de A doce alemã, logo fiquei encantada com a beleza das imagens das tortas lá retratadas. A vontade que tive foi correr para encomendar uma daquelas lindezas só para mim. Somado a isso, a delicadeza com que a autora da página — e dos doces — descreve cada criação me fez querer conhecer Anke Weise.

E lá fui eu até a “casinha”, como ela chama carinhosamente o ateliê onde cria há quase três anos as tortas alemãs. Expansiva, Anke explicou como, depois dos 40 anos, decidiu dar uma guinada na vida e largar um emprego estável para se dedicar à confecção do doce que aprendeu a fazer com a mãe quando ainda morava no Sul.

Descendente dos alemãs que ajudaram a fundar Blumenau, em Santa Catarina, Anke viveu boa parte da vida na pequena cidade de Pomedore. Sonhava em ser jornalista — daí toda a sua habilidade com a escrita —, mas o pai a demoveu da ideia. Foi, então, estudar administração de empresas, profissão que, garante, acabou ajudando com a A doce alemã.

“Por ironia do destino, não fiz jornalismo, mas acabei trabalhando um tempo no Diário Catarinense, em um programa de trainee.” Atuou ainda na Ambev e na Volkswagen. Em 2003, com a crise no setor automobilístico, a unidade onde trabalhava fechou e Anke decidiu aderir ao plano de demissão voluntária. Uma amiga que morava em Brasília deu a ideia de ela estudar para concurso público e se mudar para a capital — cidade que já havia visitado e se encantado.

“Estudei com uma Constituição desatualizada que tinha na casa do meu pai e, ainda assim, passei em terceiro lugar em uma seleção temporária para o Ministério da Educação. Até hoje não sei como”, espanta-se. Em 31 de dezembro de 2003, Anke desembarcava em Brasília. E ficou na função “temporária” por 10 anos, quando viu que era hora de trilhar outros rumos.

Em agosto de 2014, começou um novo desafio profissional, desta vez no Sebrae Nacional. “Acabei lotada na seção de comunicação e marketing. Mais uma vez, fiquei perto do jornalismo”, diverte-se.

A culinária também sempre foi uma paixão, que Anke dividia com a mãe, uma doceira de mão cheia. “Mas eu gostava de cozinhar comida salgada, dizia que não sabia fazer doces. Minha mãe, porém, sempre me falava que, do jeito com que mexia as mãos, tinha certeza de que eu levava jeito para a confeitaria.”

Guinada

Quando se mudou para Brasília, a catarinense pediu à mãe uma receita de torta alemã e, sempre que ia a alguma reunião com os amigos, preparava o doce. O sucesso era garantido. Perfeccionista, ela não se contentou com os aplausos e, ao longo de quase 14 anos, foi aperfeiçoando o que todos já elogiavam. Havia espaço para melhorar. “Tirei 30% do açúcar e passei a usar chocolate belga com 54% de cacau. Muita gente acha que uma boa torta alemã leva muito açúcar e muita manteiga, mas não é bem assim”, ensina.

Quando completou 40 anos, em julho de 2015, decidiu levar uma de suas tortas para celebrar com os colegas de trabalho. Nem é preciso dizer que o sucesso foi absoluto. Só que ninguém acreditou que ela tinha preparado tamanha gostosura. “Eu sempre andava no salto alto, muito arrumada. Ninguém imaginava que aquela ‘madame’ colocava a mão na massa”, conta aos risos.

Logo começaram a surgir os primeiros pedidos de encomenda e os conselhos de que deveria tornar o preparo das tortas alemãs em algo profissional. Anke ficou com aquilo na cabeça. Em setembro daquele ano, tirou 10 dias de férias e, no segundo dia de descanso, enquanto corria no parque, tomou a decisão: ia transformar o hobby em negócio. “Em uma hora, já estava com tudo planejado.”

Nos outros oito dias de recesso, ela criou A doce alemã. Entrou em contato com uma amiga publicitária para fazer a logomarca, foi atrás das embalagens — apresentação é algo que Anke preza tanto quanto o sabor —, montou o cardápio com os recheios, criou a página no Instagram e as tortas tornaram-se, de fato, um negócio.

No início, Anke até conciliou A doce alemã com o emprego, mas, com o crescimento no número de encomendas, a coisa foi ficando insustentável. “Virava a noite fazendo as tortas e, no dia seguinte, estava no trabalho. Não tinha mais vida social. Até que o meu marido disse que eu tinha que fazer uma opção, pois ia acabar adoecendo.” Em fevereiro de 2017, o inevitável aconteceu: a administradora pediu demissão do Sebrae e passou a se dedicar exclusivamente às tortas.

A essa altura, Anke, que no começo fazia os doces em casa, alugou um apartamento — ou melhor, a casinha — para transformar em um ateliê. Sim, um ateliê, porque as tortas dela são verdadeiras obras de arte, tanto que elas são numeradas. “Tenho uma planilha com todas as tortas que fiz. Sei a data e até a hora que o cliente as recebeu, assim como o sabor e todos os detalhes”, explica.

Tal organização tem um fundamento. Para Anke, cada torta que cria é única; por isso, ela sempre procura saber com o cliente em que ocasião ela será servida. E tenta personalizá-la ao máximo. “Tenho clientes que nem conheço pessoalmente, mas que se tornaram amigos. Batemos papos e fazemos até confidências por mensagens”, conta.

Apesar de oferecer cinco opções de torta alemã — clássica, creme com cacau, doce de leite, damasco, castanha crocante e chips de chocolate —, nada impede que Anke a personalize. Tanto que, não raramente, ela prepara naked com frutas, flores naturais, geleias especiais ou outras customizações.

Em datas festivas, como Natal, Dia dos Namorados, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Páscoa, a doceira prepara edições especiais de torta. E, para deixá-la ainda mais particulares, faz uma editorial com fotógrafa profissional, que é postado no Instagram. Para deixar qualquer um com água na boca.

Com os leitores da coluna, a confeiteira compartilha a receita de um doce de caramelo que pode ser servido com a torta alemã ou com panquecas, mousse de café, waffle, bolas de sorvete, bolos ou o que mais a imaginação mandar. “Engana-se quem acha que essa receita é de uma mera caldinha coadjuvante. Com textura e cor incríveis, faz bonito e dá aquele up a uma infinidade de doçuras”, garante. É delicioso, posso garantir!

Calda de caramelo

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

 

Ingredientes
1 pitada de sal
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
5 colheres de sopa de água
200g de açúcar refinado
1 xícara de creme de leite fresco (teor de gordura maior que 35%)

Modo de fazer
Em uma panela funda, em fogo médio ou baixo, coloque o açúcar, a pitada de sal e a água.
Sem mexer, deixe derreter até formar um caramelo uniforme e dourado clarinho.
Retire do fogo e, imediatamente, adicione a manteiga. Misture bem.
Sem demorar, acrescente o creme de leite fresco, misturando superbem (de preferência, use um fouet). Nessa hora, caso o açúcar empelote, não se desespere. Volte a mistura ao fogo baixo, mexendo sempre com o fouet, sem parar. Aos poucos, o açúcar vai se dissolver.
Ainda na panela, quente, o creme deve estar líquido, levemente viscoso. Resfriado, ele ficará na consistência ideal: denso, porém fluido.
Caso não seja consumido em seguida e precise de refrigeração, ele pode endurecer um pouquinho. Para contornar essa situação, basta retirá-lo da geladeira 4 horas antes do consumo ou colocar por 10 a 20 segundos no micro-ondas.
Atenção: a calda não deve ser esquentada novamente. Só um “sustinho” no micro-ondas já basta.
Rende aproximadamente 350ml.

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