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Correio Braziliense SAÚDE BUCAL

Insegurança na hora de sorrir é um dos problemas de quem perdeu os dentes

Segundo pesquisa, o brasileiro tem perdido os dentes cada vez mais cedo: uma em cada cinco pessoas que fazem parte desse público tem entre 25 e 44 anos


postado em 21/09/2018 16:28

Moacir Schul Carvalho, 77, começou a utilizar prótese dentária parcial aos 14 anos e total, aos 25: compreensão da mulher(foto: Reinaldo Canato/Divulgação )
Moacir Schul Carvalho, 77, começou a utilizar prótese dentária parcial aos 14 anos e total, aos 25: compreensão da mulher (foto: Reinaldo Canato/Divulgação )

São Paulo — A perda de dentes tem afetado a população cada vez mais cedo. Só no Brasil, 16 milhões de pessoas vivem sem nenhum dente e 39 milhões utilizam próteses dentárias. A faixa etária desse público chama a atenção: um em cada cinco tem entre 25 e 44 anos. A Classe C é a camada da população em que se encontra mais da metade dos desdentados, com 52%. 

 

O estudo Percepções Latino-americanas sobre perda de dentes e autoconfiança, encomendado por Corega e realizado pela Edelman Insights, ouviu 600 pessoas entre 45 e 70 anos, em quatro países da América Latina, incluindo o Brasil, entre maio e junho deste ano. Dos países entrevistados, 41,5% das pessoas com mais de 60 anos já perderam todos os dentes. Só no Brasil, mais de 30 milhões de pessoas são idosas. 

 

As principais causas da perda dos dentes envolvem cáries, traumas, doenças periodontais e falta de acesso à higiene bucal. Os dois primeiros itens, por doer, são mais fáceis de serem diagnosticados. As doenças periodontais não doem, o que dificulta o tratamento. 


Melhorando a autoestima

O aposentado Moacir Schul Carvalho, 77, começou a utilizar prótese dentária parcial aos 14 anos e total, aos 25. Hoje, ele utiliza, em todos os dentes, o objeto ortodôntico e se sente feliz. Moacir afirma que o uso não o atrapalha em nada. “Eu nado, prático tirolesa e até danço zumba”, brinca. 

 

Casado há 53 anos, Moacir Carvalho diz que a esposa sempre foi compreensível. “Ela foi muito companheira, mesmo a gente sendo muito jovem na época.” Ele destaca que para a prótese não ser um fardo da vida de quem a usa é necessário que seja elaborada por um especialista. “Eu sinto o gosto dos alimentos normalmente, a prótese não atrapalha em nada, mas ela tem que ser bem feita,”alerta.   

 

Outra usuária de prótese dentárias é Margarida Maria Marzochi, 79 anos. Ela também perdeu os dentes. Para a idosa, a reconstrução é fundamental para manter a autoestima lá em cima. “Quando eu uso a prótese, não pareço a idade que tenho. Quando eu tiro, pareço que tenho 200,” frisa.  

Margarida Maria Marzochi, 79 anos: %u201CQuando eu uso a prótese, não pareço a idade que tenho. Quando eu tiro, pareço que tenho 200%u201D (foto: Reinaldo Canato/Divulgação )
Margarida Maria Marzochi, 79 anos: %u201CQuando eu uso a prótese, não pareço a idade que tenho. Quando eu tiro, pareço que tenho 200%u201D (foto: Reinaldo Canato/Divulgação )
 

Odontogeriatria 

A profissão de odontogeriatria, dentista especialista em idosos, ainda é pouco difundida no Brasil. A odontogeriatra Tânia Lacerda, membro da Câmara Técnica de Odontogeriatria do Conselho Regional de São Paulo, explica que acesso à informação é fundamental para evitar a perda de dentes. “É preciso compreender as dificuldades enfrentadas pelas pessoas que perderam os dentes e ajudá-la a encontrar um bom especialista que as auxilie na escolha de uma prótese adequada, de boa qualidade. Dessa forma, utilizando esses produtos e seguindo as orientações do dentista, essas pessoas terão uma experiência que vai melhorar sua qualidade de vida,” destaca a especialista. 

 

Para ela, a odontogeriatria é uma especialidade chave para entender a jornada do paciente em situação de envelhecimento, seus medos e anseios, e prover soluções para que eles possam viver uma vida ativa, sem estigmas e com qualidade. 

 

A perda de dentes teve impacto negativo nos seguintes pontos 

 

Aparência:

66% no sorriso 

 

52% na aparência do rosto

 

46% em se sentir atraente 

 

38% em ir a entrevistas de emprego 

 

Alimentação:

 

38% acham que o sabor dos alimentos piorou

 

40% têm mais dificuldade de experimentar novos alimentos 

 

38% se sentem mais inseguros para ir a festas e eventos

 

 

Fala:

 

41% relatam mais dificuldade em pronunciar as palavras

 

36% revelam que conversar com as pessoas piorou 

 

54% se sentem menos confiantes para sorrir ou gargalhar em público

 

 

Intimidade: 

 

43% dizem que a perda de dentes atrapalha paquerar ou namorar

 

40% têm vergonha de beijar na boca

 

23% se afastaram do marido/mulher

 

21% já deixaram de fazer novos amigos 

 

 

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

A estagiária viajou a convite da Corega 

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