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Correio Braziliense BICHOS

Saiba o que acontece com os cães militares aposentados

Treinados desde cedo para atuarem em operações militares, os cães policiais podem ser ótimos animais de companhia


postado em 23/09/2018 08:00 / atualizado em 21/09/2018 11:57

Théo é o animal de estimação do tenente Gilberto Cavalcante e, de vez em quando, atua com os militares(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Théo é o animal de estimação do tenente Gilberto Cavalcante e, de vez em quando, atua com os militares (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

 
Os cachorros já provaram ser verdadeiros amigos e companheiros. A parceria entre eles e os homens faz parte da história da humanidade, mas há uma classe de peludos que ultrapassa a categoria de pets e faz jus a alcunha de heróis de quatro patas. Usados em operações militares, os cães policiais podem auxiliar em diversas funções.

Na atividade militar, são aproveitadas as habilidades do faro, tanto no caso de narcóticos quanto de explosivos. Eles também ajudam no controle de distúrbio civil, na busca e resgate de pessoas e, em algumas instituições militares, ainda desenvolvem trabalhos chamados de “cão terapia”. Em Brasília, militares do Corpo de Bombeiros trabalham também com treinamento de cachorro guia para atender cegos.

As raças que mais se adaptam à rotina de cão policial são o pastor belga malinois, o pastor alemão e, com menor frequência, o labrador. O tenente do Corpo de Bombeiros Militar do DF e adestrador Gilberto Cavalcante, 52 anos, afirma que nos últimos 10 anos o pastor belga de malinois, um animal com forte resistência e faro muito apurado, tem sido mais recrutado.

Ele lembra, porém, que não há, necessariamente, uma raça ideal para esse tipo de serviço. Nos Estados Unidos, por exemplo, até os vira-latas são bem aproveitados como cães policiais.

A rotina desses animais é bem puxada, com treinamento praticamente todos os dias desde filhote. O tenente explica que isso exige muita dedicação e atenção aos cuidados com o cão. “Quando ele é selecionado, já começa uma rotina bem pesada. No início, é uma coisa lúdica, mas a brincadeira acaba se tornando coisa séria. Não é fácil. O treinamento exige muita entrega e atendimento especial” afirma.

A médica veterinária Cristiane Muniz lembra que alguns cuidados simples são indispensáveis, como estabelecer períodos de descanso durante os treinos, deixar água sempre disponível e fazer exames rotineiramente para monitorar e cuidar da saúde do animal.

Além disso, ela destaca a importância da alimentação para os cães que praticam atividades de alta intensidade. “Esses animais policiais têm um treinamento pesado, são atletas, e, por isso, precisarão de um condicionamento físico adequado para esses tipos de atividade. Isso requer uma alimentação balanceada e completa, com ingredientes de alta qualidade para suprir as necessidades. Já existem no mercado rações preparadas para esses tipo de cães”, explica.

A média de trabalho de um cão em uma operação é de até seis horas em um dia, com pausas dentro desse período. A quantidade de tempo é determinada pelo condutor, de acordo com análise sobre o desempenho do cão.

Descanso merecido


Normalmente, um cão policial fica de sete a oito anos, no máximo, na ativa. O tempo e a quantidade de treinamento fazem com que nesse período ele já esteja bem cansado. Quando o animal chega à idade limite, ele é aposentado. O agente de polícia, Sanlac Machado, chefe da Seção de Cinofilia da Divisão de Operações Especiais da Polícia Civil, conta que medidas são tomadas após o fim do trabalho.

“Na aposentadoria, geralmente, eles ficam com um dos adestradores, pois cria-se um vínculo muito grande. Na maioria das vezes, os que mantiveram o trabalho com o animal por mais tempo acabam o adotando. Mas também eles podem ser acolhidos por uma família que se disponha a cuidar do cão com toda a atenção e dedicação que teve durante a vida dentro da corporação”, explica.

Além de treinador de cães policiais, o tenente Gilberto é dono do labrador Théo, 3 anos, um pet muito educado, carinhoso e excelente cachorro de narcóticos. Gilberto era tutor e treinador do pai de Théo, Max, morto em 2016. Ele conta que Théo herdou o talento do pai, que nos anos de ativa colaborou na apreensão de quase cinco toneladas de drogas.

Para Gilberto, conseguir ter uma mistura de pet com cão de trabalho é motivo de muita alegria para ele. “O cão de trabalho tem a liberdade muito limitada. Quando ele está no canil de um órgão de segurança, tem uma rotina na qual só sai para treinar ou trabalhar, e já está acostumado com isso. Com o Théo, consegui as duas coisas: eu implemento essa rotina em uma escala menor, porque apenas o uso para o trabalho esporadicamente. Aqui em casa, ele é um pet, mas, quando sai para trabalhar, vira um gigante.”
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Do lúdico ao trabalho


O treinamento de um cão policial começa logo nos primeiros dias de vida, com a estimulação precoce, na qual são trabalhados todos os sensores e cognições do filhote. Até os animais estarem totalmente imunizados, o treinamento é feito na área dos canis dos quartéis, com brincadeiras, flanelas e cabo de guerra.

Posteriormente, é feita a socialização, momento em que o cão é levado a ambientes externos, como rodoviária, metrô, escadarias e regiões de mata. O objetivo é fazer o cão ir se ambientando a todos os tipos de local em que, provavelmente, atuará. Um cão de faro, que trabalhará tanto na área de narcóticos quanto na de explosivos, passa por todo esse processo até estar pronto para ser apresentado à essência (odor) do material que precisará identificar.

O agente de polícia Sanlac Machado explica que o treinamento é uma espécie de brincadeira, um desafio, em que são conquistadas e despertadas suas habilidades. “Estimulamos, sempre por meio de brincadeiras, a coragem, a atenção, a movimentação, o interesse, a obediência e o preparo físico. Eles se divertem conosco. Assim, conquistamos a sua lealdade e despertamos as melhores características que cada animal tem em sua genética”, diz.

Quer adotar?


Para adotar um cão aposentado, é preciso ligar no canil da Polícia Civil (3207-5661) e, quando houver uma possibilidade, eles entram em contato com os interessados e analisam as condições da família. Se aprovada na análise, a família é encaminhada a assinar um termo de responsabilidade, em que se compromete a cuidar do cão e se declara ciente dos deveres e obrigações para com o bem-estar do animal.

 
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

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