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Correio Braziliense ENCONTRO COM O CHEF

Chef transforma as refeições em experiência de conforto e sensações

À frente de quatro empreendimentos gastronômicos, Marcelo Petrarca traz emoção para os pratos


postado em 23/09/2018 08:00 / atualizado em 21/09/2018 15:53


(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
 
Como a maioria dos garotos, Marcelo Petrarca costumava dizer que seria jogador de futebol quando crescesse. E realizou o sonho. Aos 15 anos, entrou em campo pelo Internacional de Porto Alegre. Na sequência, já como atleta profissional, vestiu a camisa do América do Rio de Janeiro. Mas a carreira de atacante durou pouco. Aos 19 anos, com a morte do pai e um pouco de desencanto pelo esporte, decidiu voltar para Brasília e ficar perto da mãe e dos irmãos.

Ainda perdido sobre os próximos passos a trilhar, Petrarca só tinha uma certeza: não seguiria a carreira de advogado, como toda a família. A irmã, que dava aula de direito no Iesb, sugeriu, então, que ele visitasse a faculdade para conhecer o recém-inaugurado curso de gastronomia. Ele foi, gostou do que viu e se matriculou. “Nunca tive essa de, desde pequeno, colocar um banquinho para ajudar minha mãe a cozinhar. Meu contato com a gastronomia era zero.”

Logo nas primeiras aulas, Petrarca conseguiu um estágio no Dudu Bar como cozinheiro. “De cara, eu já me vi apaixonado pela gastronomia”, conta. Depois de um ano, recebeu um convite para trabalhar no Zuu a.Z d.Z e por lá ficou até concluir a faculdade.

Decidiu, então, fazer uma pós-graduação na Escola de Hotelaria de Sevilha, na Espanha. Foram nove meses de especialização. De lá, partiu para mais uma temporada de quatro meses na Itália. Foi quando recebeu a proposta de retornar ao Zuu. Desta vez, como chef de cozinha. Era o início de uma bem-sucedida carreira.

Depois de dois anos, Petrarca assumiu o comando da cozinha do Grand Cru e, na sequência, do Gazebo. “Comecei a perceber que a cada mudança as pessoas me acompanhavam. Vi que estava preparado para alçar voo solo.” E assim o fez.

Em sociedade com os irmãos, Petrarca juntou todas as economias e abriu o Bloco C, em janeiro de 2015. “Não havia plano B, tinha que dar certo.” E deu. Com uma cozinha contemporânea e autoral, o restaurante é uma homenagem à capital, a começar pelo nome e passando pela arquitetura. “Brasília não tinha algo parecido, tanto que recebemos muita gente de fora, das embaixadas. Por lá, passam também empresários, políticos e aquele casal que economizou para celebrar uma data especial”, orgulha-se.

Petrarca classifica a cozinha do Bloco C como confortável. “É aquela comida que abraça, que remete à infância. Já ouvi de clientes que tinham trauma de rapadura, mas que, quando comeram o nosso filé com rapadura (carro-chefe da casa), não só amaram como se emocionaram.”

Expansão


O sucesso do restaurante foi tanto que, em um ano, surgia o Bloco C em Casa, um bufê preparado para servir festas de seis pessoas a 2 mil. “Hoje, temos uma demanda de 15 a 18 eventos por mês”, calcula. Como se não bastasse tanto trabalho, um ano depois, Petrarca era convidado a abrir o restaurante do Blue Tree Jade, o Reverso.
Ao contrário do que ocorre na maioria dos hotéis, lá, o room service funciona 24 horas e o cardápio é o mesmo do restaurante. “Não tem essa de o hóspede chegar de madrugada e não ter o que comer.”

Workahoolic assumido, o chef não se contentou em tocar os três negócios. Em dezembro do ano passado, abriu as portas do Lago Restaurante, com uma proposta completamente diferente do Bloco C. “Não queria ser meu concorrente”, justifica. A ideia da casa surgiu das constantes conversas que tinha com os clientes. “Muitos me diziam que sentiam falta de comer clássicos de algumas cozinhas internacionais que tinham experimentado em viagens. Daí, decidi fazer um cardápio com essa pegada internacional.”

O bife Wellington, aliás, um clássico da cozinha inglesa, é a receita que Petrarca compartilha com os leitores da coluna. Prato mais pedido da casa, o chef garante que foi também o que mais deu trabalho para desenvolver. “Foram pelo menos 10 meses de teste.”

Diante de tantos empreendimentos, ainda dá para cozinhar? Petrarca admite que está difícil se dedicar às panelas, mas faz questão de estar sempre na cozinha. “Tenho dois chefs em cada casa, treinados por mim. Mas, não raramente, acontece de um cliente fazer questão que eu monte o prato. Às vezes, estou em outro restaurante, mas vou imediatamente.”

Aliás, a boa relação com a clientela é algo que o chef faz questão de cultivar. “Hoje, 70% dos meus clientes viraram amigos. Um dia eles estão almoçando aqui; no outro, estou jantando na casa deles.” Petrarca garante que se sente totalmente realizado com a profissão que escolheu. “Sou apaixonado pelo que faço e nada me deixa mais satisfeito do que ver a felicidade do outro, de saber que ele escolheu o meu restaurante, entre tantos, para celebrar um aniversário, uma conquista, uma data especial. Sinto-me um privilegiado.”

E, para quem pensa que os empreendimentos param por aí, Petrarca, hoje com 30 anos, já anuncia: daqui a uns três anos, o projeto é abrir um restaurante em São Paulo. Sampa que o aguarde!


Filé Wellington

(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)

Ingredientes
Cogumelos Paris
Cebola
Alho
Presunto Parma
Massa folhada
Filé-mignon
Mostarda Dijon
Tomilho Fresco
Shoyu

Modo de preparar
Refogue a cebola, o alho e o cogumelo. Acrescente tomilho fresco e shoyu a gosto. Depois, triture até virar uma pasta e deixe esfriar. Em uma panela bem quente, sele os filés e deixe repousar na geladeira por meia hora. Abra a massa folhada. Em outra tábua, espalhe o presunto de Parma e, sobre ele, o recheio de cogumelo. Enrole o filé com presunto e depois com a massa folhada. Leve para gelar novamente. Asse por 10 minutos a 180ºC.

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