Publicidade

Correio Braziliense PERFIL

"Eu não aguento mais ser chamada de empoderada", diz Karol Conka

Em passagem por Brasília, a cantora falou sobre o papel de influenciadora


postado em 23/09/2018 08:00 / atualizado em 21/09/2018 16:21

"A beleza vai da visão de qualquer um. Eu sou linda no meu universo e isso me basta" (foto: Telmo Ximenes/Divulgação)
Mais do que cantora e apresentadora de televisão, Karol Conka se tornou um símbolo do empoderamento feminino e do orgulho negro. Na semana passada, em passagem pela capital para participar de um talk, ela mostrou essa força ao lotar a praça central do Brasília Shopping. Na plateia, gente que gosta da sua música e admira a maneira como artista se posiciona diante das câmeras e dos holofotes.

Durante o encontro e em conversa com a Revista, Karol disse perceber a influência que construiu e o papel de referência que conquistou nos últimos anos. Mas, apesar de gostar desse papel, acredita que as pessoas precisam enxergar inspirações além das celebridades. “Não precisa ser famoso para ser referência. Quando eu era pequena, minha mãe e minha avó ocupavam esse espaço.”

Para a cantora, o primordial é se sentir confortável dentro da pele que habita. “Quando você se livra da opinião alheia, passa a ter muito mais ideias. E essas ideias te fortalecem, te deixam à vontade.” Segundo Karol, essa é a justificativa para as mudanças frequentes no cabelo — que ela chama de “bipolaridade capilar”.

De fato, a cantora não tem medo de ousar. Já teve cabelo rosa, black power e, no momento, está usando os fios curtos e platinados, com as laterais raspadas. Esse último detalhe, confessa, é obra dela, que fez minutos antes de ir para o shopping participar do bate-papo. “Eu me olhei no espelho, achei que a raiz escura estava grande demais. Peguei uma lâmina de barbear e raspei.”

Relação com a moda


Karol Conka critica o mundo em que vivemos, em que as pessoas cobram muito umas das outras. Para ela, seria mais fácil se cada um cuidasse da própria vida sem se importar com o que o outro veste. “Cada um é livre para se vestir do jeito que quiser. Eu sou bem cara de pau mesmo e procuro passar a minha espontaneidade para as pessoas. Para mim, o segredo da felicidade é se sentir à vontade”, defende.

O desprendimento com a opinião alheia, porém, não significa descaso com a própria aparência. Como pessoa pública e que aparece frequentemente na mídia, Karol reconhece o poder da vestimenta. “Antes de a pessoa ouvir o que eu tenho para falar, ou escutar a minha música, ela vai ter a minha imagem. Por isso, a moda é tão importante na minha vida, é o primeiro impacto.”

Imagem


A apresentadora do Superbonita, na GNT, trabalha a imagem com Dario Mittmann, designer de moda responsável pela marca Made In Wonderland e finalista da edição de 2017 de um concurso de novos talentos promovido por uma revista masculina. “Tenho no meu celular um álbum de fotos com looks montados para o mês inteiro”, detalha a fashionista. Cada produção é pensada especialmente para cada ocasião.

Conka reconhece que no início da carreira investia em uma proposta mais teen, mas garante que agora está vivendo um novo momento e que procura vestir roupas que mostrem mais a sua maturidade. “Acho importante sempre passar um conceito. Quero passar a minha luta e a minha trajetória através da minha imagem”, complementa. Apesar do amadurecimento, admite que, às vezes, ainda recorre às seções infantis nas lojas. “Acho as estampas mais divertidas. A gente tem que se vestir de acordo com a nossa alegria.”

Diversidade


Vivendo uma relação tão próxima com o universo fashion, Karol observa que muitos conceitos progrediram nos últimos anos. Contudo, acredita que ainda existam muitas portas que precisam ser abertas. “Temos que trabalhar mais a diversidade. Sair dessa caixinha onde só a pessoa magrinha vai conseguir usar um certo look. Às vezes, a pessoa está se sentindo à vontade, e aí vem alguém com a sua frustração pessoal e acaba jogando isso em cima da outra pessoa”, alerta.

Beleza

 
A artista relembrou um episódio marcante da infância. Quando tinha aproximadamente 6 anos, chegou em casa muito chateada porque os colegas a estavam chamando de feia na escola. A mãe colocou a filha na frente do espelho e disse para ela repetir várias vezes a frase: “Eu sou linda”. A pequena, porém, insistia que era feia.

Então, o pai a chamou e disse: “Você é linda. Quem te enxerga ao contrário está com a visão embaçada, tem um problema na vista e não consegue enxergar a sua beleza”. Karol conta que acreditou na explicação e, cada vez que era ofendida, pensava: “Tadinho, tem problema na vista”. Só depois de alguns anos ela entendeu que se tratava de uma metáfora, mas que havia verdade no pensamento. “A beleza vai da visão de qualquer um. Eu sou linda no meu universo e isso me basta.”

Negritude


Sobre a maior presença de pessoas negras em desfiles, editoriais e propagandas, Karol ainda tem críticas a fazer. Para ela, não adianta botar negros na capa da revista para vender, faltam negros nos bastidores. “É legal falar do empoderamento, mas, hoje em dia, as pessoas estão perdendo a noção do que é essa palavra. Chega a ser chato! Eu não aguento mais ser chamada de empoderada. Eu sou poderosa!”, afirma.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade