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Correio Braziliense BICHOS

Bichinho de estimação de presente? Saiba como não errar na escolha

Especialistas indicam quais os animais mais apropriados para o convívio com as crianças e alertam que animal não é brinquedo


postado em 07/10/2018 08:00 / atualizado em 15/10/2018 17:12

Além de brincar com Hugo, Henrique se sente responsável pelo dachshund da família(foto: Arquivo pessoal)
Além de brincar com Hugo, Henrique se sente responsável pelo dachshund da família (foto: Arquivo pessoal)
Dia das Crianças chegando e opções de presente não faltam. Entre brinquedos e roupas, há quem prefira dar aos pequenos a oportunidade de ter um novo amigo, mais especificamente um animal de estimação. Mas você já parou para pensar quais são os bichos mais adequados para esse convívio? Especialistas alertam que é preciso escolher bem o pet e lembrar de que os animais demandam responsabilidades.

De acordo com Tatiana Braganholo, médica veterinária da MSD Saúde Animal, a escolha do bichinho de estimação deve ser feita de acordo com os objetivos dos pais e da disponibilidade de espaço e tempo da família. “A primeira coisa é se perguntar se você está preparado para ter um animal. Se sim, você precisa ter uma ideia das características dele, como o porte de um cachorro, por exemplo”, ensina.

A veterinária Christine Martins, da clínica de animais de companhia da Universidade de Brasília (UnB), complementa que o perfil da criança também deve ser levado em consideração. Ela destaca cachorros e gatos como os pets mais comuns. De acordo com Christine, esse são os que mais interagem com os pequenos, porém com características distintas. “Os gatos podem ser ótimas companhias, mas a expectativa em relação a brincadeiras é diferente da de um cachorro. Quando adultos, os gatos só brincam quando estão com vontade”, comenta.

A relação de Henrique, 8 anos, e Hugo, o dachshund da família, é um exemplo de que o cachorro pode ser uma ótima opção. A servidora pública Graziela Hollenbach, 41, mãe do garoto, conta que o cachorro chegou à casa deles há cerca de dois anos, com apenas alguns meses de vida. “Desde então, Henrique praticamente o adotou. Hugo está sempre atrás dele.”

O menino não esconde que o pet virou mesmo um grande parceiro e um verdadeiro companheiro para diversas brincadeiras. “Gosto de apostar corrida com ele, de brincar no Eixão e de assistir à televisão. O Hugo é como um integrante da família”, diz Henrique.

A veterinária Christine informa que algumas raças de cachorros são mais brincalhonas que outras. Ela destaca que, se o objetivo é brincar, cachorros da raça golden, labrador e boxer, por exemplo, podem ser ótimas escolhas. A profissional alerta ainda que os filhotes são animais mais frágeis, portanto é preciso ficar alerta aos cuidados com eles.


Na falta de espaço


Como a família de Marcelle viaja muito, a garota ganhou três peixinhos de presente(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Como a família de Marcelle viaja muito, a garota ganhou três peixinhos de presente (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Já Marcelle, 4, tem a responsabilidade de cuidar de um pet menor: um peixe. A mãe, Viviane França, 41, conta que a filha ganhou o primeiro animal da escola, porém o pai, empolgado, acabou comprando outros peixes para a garota. Hoje, ela tem três: Alfa, Beta e Lola. “A gente conversa com eles, chamo a Marcelle para dar comida, e eles ainda dormem no mesmo horário que ela”, relata Viviane.

De acordo com a veterinária Tatiana, para quem não tem muito tempo disponível para se dedicar ao pet ou conta com pouco espaço, animais pequenos, como peixes e hamsters, são algumas opções. “Se não tem espaço para cão e gato, que são animais que interagem mais, o peixe é uma alternativa. Ele vira um amiguinho também”, garante.

Os pais de Marcelle apontam outra vantagem do peixe: ele dá menos trabalho do que um animal maior. Eles contam que viajam bastante e, quando estão fora, a alimentação é feita por um aparelho que fica no aquário.

Apesar da facilidade, o pai de Marcelle, o militar Paulo Henrique de Souza, 46, destaca que os peixinhos também demandam atenções específicas. “Não dá trabalho, mas é preciso se informar bem antes de montar um aquário.” Segundo os responsáveis, o local precisa de luz, temperatura ideal, entre outros cuidados.

Responsabilidade


A relação de Henrique com o cachorro e de Marcelle com os peixinhos não ficam apenas nas brincadeiras e no companheirismo. Os dois também põem em prática as responsabilidades, seja na alimentação, seja na garantia do bem-estar dos pets. “Muita criança ganha bichinho de estimação e acha que é brinquedo. O Henrique tem essa consciência. Ele está sempre preocupado. Quando chove e a gente não pode descer para o Hugo brincar, ele fica todo preocupado, porque o cachorro não vai poder passear”, conta Graziela.

Segundo a psicóloga Liu Pereira, o contato de crianças com animais trazem inúmeros benefícios para o desenvolvimento dos pequenos. “Os animais costumam se relacionar com os humanos de maneira espontânea, natural e genuína. Para a criança, ali naquela relação, ela se sente aceita tal como é. Isso contribui para a formação de uma autoestima saudável, para sentimentos de felicidade e autoconfiança”, garante.

Liu ainda explica que os pets ajudam a estimular emoções, ensinam a cuidar de outro ser e a ter responsabilidade, além de lições sobre a vida. “Ajuda também numa melhor compreensão do ciclo vida-morte, já que em muitas ocasiões há a perda do animalzinho. Essa é uma excelente oportunidade para os pais conversarem com a criança sobre a finitude da vida e para auxiliarem os pequenos a lidarem com o sentimento de tristeza”, completa.

Cuidados


Apesar dos inúmeros benefícios, a veterinária Christine frisa que animal não é brinquedo, portanto é preciso ter consciência das responsabilidades ao se tornar tutor de um bicho e passar isso também para a criança.

A psicóloga Liu ressalta que não há uma indicação em relação à idade, porém os maiores tendem a cuidar dos bichinhos com mais autonomia. “Existem casas em que já há um animal quando a criança nasce e ela cresce feliz com ele. Claro que uma maior, por volta dos 7, 8 anos, terá capacidade de lidar com as responsabilidades de ter um animal de estimação e aprender ainda mais com o convívio”, esclarece Liu.

Outro ponto levantado por Christine é que, caso não seja os pais da criança, jamais se deve dar de presente um animal sem conversar com os responsáveis antes, para se certificar de que eles estão de acordo e dispostos a cuidar do bichinho.

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