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Correio Braziliense BICHOS

Peixes como pets? Sim! Saiba mais sobre o universo do aquarismo

Para os amantes do aquarismo, criar peixes não é tão simples quanto parece, mas dá muito prazer


postado em 14/10/2018 08:00 / atualizado em 11/10/2018 17:36

Quando se fala em animais de companhia, logo vem à cabeça cães e gatos. Mas há também quem faça outros bichos de pets — caso dos amantes do aquarismo. Os peixes são pequenos e ocupam pouco espaço. Engana-se, porém, quem acha que é só colocá-los no aquário com algumas pedrinhas, ornamentar com plantinhas e dar ração algumas vezes ao dia. Eles exigem cuidados específicos.
 
E quem sabe sobre o assunto ressalta que os cuidados não são tão simples quanto parecem. Segundo Mariana Pestelli, médica veterinária e gerente técnica de safári e aquarismo da Petz, com o crescimento da cultura do aquarismo, cada dia mais pessoas aderem ao hobby. Ela ressalta que os peixes mais comuns e procurados são os bettas e os kinguios, pela simplicidade e beleza.
 
(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
 
 
“Todos precisam de cuidados e um ambiente estruturado para manter a saúde”, explica. A ornamentação do aquário é muito importante. Assim, os peixes terão pontos de fuga em casos de estresse. Para a veterinária, nesse caso, não há regras. O aquarista deve escolher o que fica mais harmonioso. “O mais interessante é sempre usar materiais que estão disponíveis no ambiente natural da espécie escolhida.”
 
Outro ponto importante ressaltado por Marina é a troca de água, que deve ser feita parcialmente, ou seja, não se deve retirar toda o líquido do aquário, pois, ao longo do período de permanência do peixe, o ambiente vai adquirindo componentes que ajudam no bem-estar do bicho. “Faça testes hidrológicos na água e, de acordo com os resultados, verifique a necessidade de troca”, alerta.
 
(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
 

Ciclo biológico 

Em Brasília, os amantes de aquarismo sentem dificuldade em achar médicos veterinários especializados em peixes. Na falta, procuram estabelecimentos de piscicultura de confiança para sanar dúvidas. Eles também costumam se unir em grupos nas redes sociais

 

Yuki Maeda é proprietário da Piscicultura Tropical Maeda — localizado há mais de 20 anos na Asa Norte. Ele conta que a família tem 35 anos de tradição em piscicultura. Assim como a veterinária Marina, ele explica a importância de respeitar o ciclo biológico para manter a boa condição do aquário. Para isso, é preciso estimular o crescimento de bactérias que se alimentam de componentes tóxicos aos peixes e que ficam instalados no aquário.

 

Toda matéria orgânica produzida que fica depositada no fundo do aquário — como ração, fezes e urina, — vai ser decomposta e transformada em vários elementos químicos. Entre eles, o mais tóxico: a amônia. Como fazer para que essa toxicina saia do aquário? É necessário o auxílio de um aparelho que fará a filtragem biológica.

 

Essas bactérias se alimentam da amônia e a transformam em nitrito, que também é tóxica para o peixe. Daí, surge outro tipo de bactéria que comerá o nitrito e transformará em nitrato. “O nitrato é importante para as plantas do aquário, pois servirá como adubo”, ressalta Yuki.

 

Todo esse ciclo, garante o especialista, é o mais importante para o bem-estar do animal. Portanto, é primordial que a troca da água do aquário seja feita parcialmente. “Pelo menos um terço a cada duas semanas. Sempre tirando a matéria orgânica que fica no substrato, ou seja, no fundão do aquário”, ensina. 

Sonho 

O empresário Jeferson Silva de Queiroz, 32 anos, desde criança é apaixonado por peixes e sempre achou bonito toda a ornamentação dos aquários. Ele conta que, antes de se casar e ter a própria casa, nunca pôde ter um aquário do jeito que queria. “Eu me casei e fui atrás de realizar meu sonho: montar o meu próprio aquário.”

 

Jeferson Silva de Queiroz cultiva a paixão pelos peixes desde a infância: aquário com várias espécies(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Jeferson Silva de Queiroz cultiva a paixão pelos peixes desde a infância: aquário com várias espécies (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
 

 

Hoje, ele tem várias espécies, como acará-disco, ramirezi, barbos, tetra pinguim-balão, bótia-palhaço, coridora adolfoi, neon, tetra white-fin. Entre os cuidados, procura manter o pH ácido, entre 6,2 e 6,6, e fazer a sifonagem, que é a retirada de dejetos do fundo do aquário, no máximo em 15 dias, dependendo da sujeira. Quanto à alimentação, faz uma vez ao dia, à noite. Além disso, realiza testes de amônia, nitrito e pH semanalmente.

 

Jeferson concorda que ter um aquário não é apenas trocar a água e dar comida. E alerta para não acreditar caso algum vendedor diga isso. “Mas também não é um bicho de sete cabeças. Procure estudar antes da aquisição.” 

Aquário marinho 

Na infância, no Rio de Janeiro, sempre que ia à casa do primo, o oficial da Marinha Marcelo Luiz Pires Beijinha, 47 anos, ficava fascinado pelo laguinho cheio de guppy (espécie de peixe pequenos) e voltava para casa com um balde cheio deles para criar. Desde então, cultivou o amor pelo bicho. “Aos poucos, fui adquirindo aquários maiores e com espécies mais caras”, diz.

 

Marcelo Beijinha mantém uma rotina diária de cuidados com aquário: espécies marinhas(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Marcelo Beijinha mantém uma rotina diária de cuidados com aquário: espécies marinhas (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
 

 

Mesmo sem conhecimento nem equipamentos, difíceis de achar naquela época, Marcelo adorava cuidar dos peixinhos. Há aproximadamente seis anos, ele entrou no mundo do aquário marinho e tem espécies marinhas do Recife, além de corais. Ele divide a manutenção em duas partes: diária e semanal.

 

A diária é a alimentação, a reposição de água doce e os suplementos. Já a semanal fica por conta da limpeza de filtro. Marcelo diz a quem quer entrar no universo do aquarismo que é preciso ter em mente que uma parcela do dia será dedicada aos cuidados. Além disso, aquários dão trabalho, mas é muito prazeroso. “Quem quer ter simplesmente pela beleza, sugiro contratar serviço de manutenção oferecido por lojas especializadas.” 

Fatores de estresse 

Assim como os humanos, quando um peixe passa por situações de estresse, a imunidade baixa e ele fica vulnerável a doenças. Veja algumas situações que colaboram para o estresse do bicho:

  • Mudança de temperatura: para evitar, é necessário a aquisição de um aparelho chamado de termostato, que mantém e controla a temperatura.

  • pH elevado: a maioria dos peixes ornamentais vive num pH de 5,5 a 9. Para controlar, existe no mercado testes colorimétricos específicos.

  • Amônia e nitrito: quando não é feito o ciclo biológico corretamente, essas substâncias se tornam danosas para os peixes.

Fonte: Yuki Maeda, proprietário da Piscicultura Tropical Maeda. 

Saúde abalada 

Em caso de adoecimento dos peixes, procure profissionais, como médicos veterinários ou atendentes de lojas especializadas. A médica veterinária Marina Pestelli dá algumas dicas:

  • Leve fotos ou vídeos do animal para a indicação de um medicamento específico para os sintomas.
  • Normalmente, os medicamentos para peixes são usados diretamente na água.
  • É preciso atenção redobrada aos peixes em tratamento.
  • Faça trocas diárias de água no aquário hospital (separado para o tratamento).
  • Lembre-se sempre de medicar todos os dias, de acordo com a recomendação. 

Agradecimentos 

Petz 
Pisicultura Tropical Maeda (Telefone: 3447-1318)
 

 *Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

 

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