Publicidade

Correio Braziliense BICHOS

É preciso ficar atento à saúde ocular dos pets

Além das consultas regulares, a qualquer sinal de problema, deve-se levar a um oftalmologista veterinário


postado em 21/10/2018 08:00 / atualizado em 22/10/2018 19:03

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
O olhar dos pets dizem tudo: se estão com fome, se querem carinho, se sentem medo e se estão felizes. É essencial cuidar da saúde oftalmológica dos animais para que tenham qualidade de vida.
De acordo com Rafaela Tozetti, médica veterinária especialista em oftalmologia, o animal que apresenta sinal de doenças oculares precisa ser atendido rapidamente por profissional especializado. 

A médica veterinária Carolina Rocha de Freitas, da clínica SPet, explica que as doenças mais comuns são as relacionadas a traumas, como a úlcera de córnea — machucados na parte transparente do olho. Eles ocorrem, geralmente, no momento em que os pets brincam com outros animais ou quando coçam e esfregam os olhos.

Além disso, há as inflamações intraoculares, chamadas de uveítes, que, na maioria das vezes, estão associadas a enfermidades infecciosas, como a doença do carrapato, a leishmaniose e a cinomose. Essas doenças podem ser prevenidas com vacinas e uso de ectoparasiticidas — especialmente repelentes para mosquito.

“Quanto às doenças por machucados, evite que o animal fique em ambientes em reforma, por exemplo, ou em contato com brincadeiras que possam ferir os olhos”, ensina Carolina. A veterinária alerta que olhos vermelhos e com secreção, acompanhados de coceira, são sinais para os tutores procurarem auxílio veterinário oftálmico. 

Rafaela Tozetti explica que os braquicefálicos — aqueles com os focinhos amassados — são predispostos a terem problemas na superfície ocular. Isso ocorre por conta do tamanho exagerado das pálpebras e da órbita rasa dos olhos, que deixam o órgão mais exposto. “As pálpebras dos animais dessa raça normalmente apresentam cílios mal posicionados e também deficiência lacrimal.”

Já raças como chow-chow e shar-pei são mais suscetíveis ao glaucoma primário, por causa de uma malformação de origem genética.

O bicho com doença ocular precisa passar por diversos exames para a conclusão do diagnóstico. Alguns deles são aferição da pressão intraocular, testes lacrimais, verificação da integridade da córnea, exames de função da retina, ultrassons oculares. “O veterinário indicará o tratamento conforme a necessidade”, diz Rafaela.

Úlcera


Segundo o chefe do serviço de oftalmologia do Hospital Clemenceau e responsável pelo serviço de Oftalmologia do Centro Veterinário da Visão (CVV), Mário Sérgio Almeida Falcão, a melhor forma de prevenção são as avaliações regulares. “Assim como nós, humanos, vamos ao oftalmologista ao longo da vida, o mesmo deve ser feito com os bichos.”

O servidor público Paulo Sillas Freitas Pinheiro, 31 anos, toma conta de 10 cachorros — três lhasa apso e sete vira-latas. Toddy é um lhasa-apso de 3 anos que, vira e mexe, precisa de socorro veterinário por conta de problemas nos olhos. Aos 6 meses, ele teve prolapso da terceira pálpebra, ou seja, a parte de dentro da pálpebra foi deslocada para fora.

Anos depois de feita a cirurgia para corrigir o problema, Paulo percebeu que tinha alguma coisa estranha no olho de Toddy. Após uma consulta, descobriu que o cão estava com uma úlcera na córnea. “O veterinário disse que foi causada pelo fio da cirurgia, que o organismo não absorve. A ponta do nó estava machucando.”

Retirado o nó, o profissional receitou colírios e, em pouco tempo, o olho do cachorrinho estava curado. O veterinário alerta que os colírios são essenciais no tratamento, desde que aplicados corretamente. “O uso de forma errada está nas principais causas de complicações nos tratamentos oftálmicos em pequenos animais.”

Daniela com Logan e Mabel (mais ao lado): problemas com a visão (foto: Arquivo Pessoal )
Daniela com Logan e Mabel (mais ao lado): problemas com a visão (foto: Arquivo Pessoal )
A administradora Daniela Nardelli Pereira conta que dois dos seus 10 cães tiveram problemas nos olhos: a yorkshire Mabel, 8 anos, e o labrador Logan, 8. Há um ano, Mabel estava com os olhos vermelhos, lacrimejando e coçando. “Levei a um clínico geral, porém, ele me encaminhou para um especialista.”

Já Logan apresentava um caroço e uma inflamação nos cantos dos olhos. O veterinário oftalmologista  diagnosticou como crise alérgica. Daniela logo fez a lista de possíveis causas da alergia. “Vimos que era por de um pé de bambu em que Logan se esfregava.” Daniela, que é diretora do Projeto Adoção São Francisco, relata que os problemas oftalmológicos nos bichos são muito comuns. 

As principais doenças

  • Úlceras de córnea são lesões que ocorrem por trauma, bactérias e fungos.
  • Ceratoconjuntivite Seca (CCS) é uma doença ocular comum em cães. Trata-se da deficiência e da falta da parte aquosa do filme lacrimal. Resulta em ressecamento, inflamação da conjuntiva e até pigmentação da córnea.
  • Distiquíase são cílios que nascem na parte de dentro dos olhos e ficam em contato com a córnea.
  • Entrópio é a inversão das pálpebras, que ficam em contato com a córnea, podendo causar úlceras.
  • Glaucoma é uma neuropatia óptica em que ocorre o aumento da pressão intraocular.
  • Catarata é a opacidade do cristalino que compromete a visão.

Sinais de alerta

  • Blefarospasmo (dor e olhos piscando)
  • Lacrimejamento
  • Aumento de secreção ocular
  • Olhos vermelhos

Prevenção e cuidados

  • O ideal é ir ao veterinário oftálmico duas vezes ao ano.
  • No banho, é indicado xampu infantil só na cabeça, para não arder os olhos.
  • Na hora de passear de carro, não deixar o animal ficar com a cabeça para fora da janela, assim evita um ressecamento da córnea e as úlceras.
  • Manter os pelos ao redor dos olhos limpos e curtos ou, se forem longos, deixá-los de forma que não entrem nos olhos do animal.

Glaucoma e catarata

  • O glaucoma é a doença mais séria. Normalmente, os tutores percebem quando o animal já está cego. Na maioria das vezes, é uma dolorida na fase aguda e precisa ser diagnosticada e medicada o quanto antes.
  • A catarata pode deixar o animal cego. Porém, na maioria das vezes, é resolvida com cirurgia, e o animal pode recuperar totalmente a visão. Quanto antes diagnosticada, melhor o sucesso da cirurgia.

Campanha

Em 24 de novembro, a equipe do Centro Veterinário da Visão (CVV) fará uma campanha de prevenção à cegueira em cães e gatos. A ideia é reforçar aos tutores que a saúde ocular deve ser vista como importante, além de conscientizar que os olhos reagem de forma muito intensa às alterações e, como os pets não falam, as doenças podem vir de forma silenciosa até atingir estágio avançado em pouco tempo. Para saber mais da campanha, confira na página do Instagram: @centroveterinariodavisao
 
*Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade