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Correio Braziliense BEM-ESTAR

A genética a favor do metabolismo

Por meio de exame não invasivo, é possível fazer um mapeamento do organismo, saber como o corpo reage a determinadas substâncias e prescrever uma dieta personalizada


postado em 21/10/2018 08:00 / atualizado em 18/10/2018 17:27

Eryka Borges descobriu alergias e intolerâncias nunca antes notadas, como à cafeína e à lactose (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press)
Eryka Borges descobriu alergias e intolerâncias nunca antes notadas, como à cafeína e à lactose (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press)
Imagine como seria conhecer e compreender perfeitamente a maneira como seu metabolismo funciona. Obter informações que podem otimizar hábitos alimentares, proporcionar uma dieta mais eficiente e, consequentemente, um ganho de qualidade de vida. Não se trata de um simples hemograma. Recentemente, surgiram opções mais avançadas para aqueles que querem buscar mais saúde e bem-estar.

A empresária Eryka Borges, 41 anos, passou por uma cirurgia bariátrica há quatro. Desde então, realiza acompanhamento constante com uma nutricionista para perder mais alguns quilos e se alimentar de maneira saudável. “Ela sempre me pedia para tomar alguns suplementos, e eu comecei a observar que não me sentia bem com eles”, comenta. Diante da queixa, a nutricionista sugeriu que ela fizesse um teste genético.

Inicialmente, Eryka pensou que seria um exame invasivo. Para sua surpresa, a própria nutricionista realizou a coleta de saliva com bastonetes. Pouco tempo depois, a empresária recebeu os resultados e descobriu alergias e intolerâncias que nunca havia notado, como à cafeína.

Eryka sempre foi apaixonada por café e tomava chá-verde com frequência para acelerar o metabolismo. “Logo depois de tomar, eu sentia taquicardia e não sabia por que”, explica a empresária. A intolerância à lactose foi outro fator indicado no teste. Eryka ainda não tinha apresentado nenhum sintoma, mas a nutricionista preferiu limitar a ingestão de alimentos que contenham leite. “No começo, foi difícil, porque você percebe que tudo tem lactose”, desabafa.

A sensação de mal-estar que os suplementos causavam também foi explicada: eles eram feitos à base de proteína do leite. A alergia ao níquel foi outra descoberta inesperada. O elemento está presente em bijuterias, alguns tipos de panela e alimentos como cacau, trigo integral e nozes.

Eryka recebeu ainda a indicação de exercícios, de acordo com o seu metabolismo, para otimizar a queima de calorias. No caso dela, a sugestão são as atividades de alto impacto.

Resultado

Depois de seis meses, com os resultados em mão, Eryka avalia que ganhou mais qualidade de vida e defende a importância de pensar a longo prazo. A empresária reconhece que já fez grandes mudanças e não se arrepende do investimento. “Não é um exame barato, mas, por ser preventivo, quero que meu marido e meus filhos o façam também. Quero que todos conquistem uma melhor qualidade de vida.”

Interessada por nutrigenética e nutrigenômica, a nutricionista Silvia Leite Faria sempre esteve em busca de novos cursos e exames na área. Assim que soube da chegada desse tipo de exame no Brasil, começou a estudá-lo. Adquiriu um e testou em si mesma. Ela queria saber se era prático, útil e confiável. A primeira impressão confirmou todas as dúvidas.

“Meus resultados me ajudaram a ajustar minha dieta à genética do meu corpo. Por meio do exame, vi que não tenho alergias nem intolerâncias alimentares, algo comum hoje em dia. Vi que metabolizo bem a cafeína e percebi também que minha dieta precisa ser rica em proteínas, que o excesso de carboidratos não me faz bem”, detalha. O exame indicou ainda uma tendência a diabetes.

Silvia costuma indicar aos pacientes a realização dessa análise e admite que o trabalho fica mais completo com os resultados em mãos. Assim, é possível calcular a dieta com a quantidade de carboidratos, lipídeos e proteínas de acordo com as características individuais. “Nem todo mundo responde da mesma forma a um tipo de dieta. A prescrição personalizada é uma tendência atual nas orientações, além de ser mais eficaz.”

Outra paciente fazia dieta rica em proteína e atividade física regular há bastante tempo, visando à perda de gordura e ao ganho de massa muscular. Porém, não conseguia alcançar as metas. “Com o exame genético, vimos que o adequado para ela seria uma dieta com maior teor de gorduras e menos proteína.” A partir do resultado, a nutricionista fez as modificações necessárias no cardápio e assistiu à paciente atingir rapidamente os objetivos traçados.

Entretanto, para Silvia, a principal vantagem ainda é a possibilidade de atuar na prevenção das doenças. “Caso o indivíduo tenha a genética para uma determinada doença, com alimentação e estilo de vida, podemos silenciar aqueles genes, reduzindo o risco de a enfermidade se manifestar”, ressalta.

Na prática 

O exame de bem-estar e alimentação é capaz de analisar, hoje, 119 variantes que abrangem também exames dermatológicos, de aptidão física e desempenho. “O NutriOne tem a capacidade de detectar a predisposição para desenvolver intolerâncias, obesidade, diabetes, distúrbios de lipídios e até mesmo a forma como cada pessoa reage a determinados sabores”, explica o geneticista Gustavo Guida.

Para uma pessoa que está fazendo uma orientação nutricional, uma informação relacionada aos sabores é de grande relevância. “Se a pessoa tem uma péssima percepção ao sabor amargo e tiver comidas amargas na alimentação, ela não vai gostar. Vai ter uma baixa adesão à dieta”, explica o especialista.

Segundo Gustavo, as pessoas reagem de maneiras diferentes aos sabores, por isso, algumas são capazes de comer apenas um pedaço de chocolate e outras não conseguem se controlar e comem a caixa inteira. A segunda pessoa tem apreciação exagerada e maior prazer com o sabor doce do que a primeira.

O geneticista ressalta que o grande benefício é a conquista de maior qualidade de vida ao longo do tempo. “Com essas informações em mãos, eu vou escolher melhor minha comida e minhas atividades físicas. Sabendo que, para cada opção, eu terei uma vantagem e saberei que resposta esperar do meu corpo”, argumenta Gustavo.

"Caso o indivíduo tenha a genética para alguma doença, com alimentação e estilo de vida, podemos silenciar aqueles genes, reduzindo o risco de a enfermidade se manifestar"
Gustavo Guida, geneticista

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