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Correio Braziliense BICHOS

Cães braquicefálicos fazem sucesso, mas exigem alguns cuidados

Com focinho achatado, cães braquicefálicos são propensos a inúmeros problemas de saúde


postado em 28/10/2018 10:00 / atualizado em 25/10/2018 16:10

Wagner Teixeira sabia pouco sobre os braquicefálicos quando adotou Bud (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Wagner Teixeira sabia pouco sobre os braquicefálicos quando adotou Bud (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Eles são fofinhos, têm o focinho achatado e os olhos esbugalhados. Neste mês, a Revista traz para os leitores um pouco sobre os cães braquicefálicos. Muita gente tem um cãozinho desses em casa e, muitas vezes, nem sabe. Lhasa apso, pug e os buldogues são alguns deles.

Segundo o professor de medicina veterinária do Uniceub Bruno Alvarenga, os cães braquicefálicos são raças criadas pelos homens com o intuito de buscar características específicas, o que resultou em algumas alterações morfológicas e propensão para uma série de problemas de saúde.

O educador físico Wagner Teixeira, 28 anos, convive com um braquicefálico há dois anos. Ele lembra que foi alertado de que o seu buldogue, Bud, por ter o focinho achatado, poderia apresentar problemas respiratórios. Mas, confessa, tinha poucas informações. “Sabia que não deveria sair com ele nos dias quentes, mas não entendia o motivo.”

Segundo especialistas, as complicações respiratórias são os problemas mais recorrentes. Wagner conta que, para sua sorte, Bud é bem ativo e saudável. “Ele brinca bastante, joga bola e é extremamente ativo. A respiração dele é tranquila, só ronca de vez em quando.”

Kyra já teve várias crises respiratórias (foto: Arquivo pessoal )
Kyra já teve várias crises respiratórias (foto: Arquivo pessoal )
Ao contrário de Bud, Kyra, a lhasa apso de Fabiana Cardoso, 37, já deu alguns sustos na tutora. Fabiana conta que, quando ganhou a cadela, não sabia que ela era de raça braquicefálica. “Kyra ronca muito quando dorme, mas sempre achei que fosse algo normal. Quando ela tinha pouco mais de um ano, porém, acordei com um barulho estranho e muito alto, como se ela não conseguisse respirar ou estivesse engasgada com algo”, lembra.

O médico veterinário Daniel Salgueiro destaca que o ronco em animais é um sinal de alerta. “Se ele ronca, é porque tem o palato mole prolongado e apresenta dificuldade de respirar”, adverte.

Fabiana relata que a crise de Kyra demorou pouco mais de um minuto, mas foi o suficiente para deixar a advogada em pânico. O motivo teria sido espirros reversos.  “Depois dessa crise, muitas outras aconteceram. Além disso, ela se cansa rápido e fica ofegante com trechos curtos de caminhada.”

O veterinário Bruno ressalta que outro problema respiratório comum é a estenose de narina, que ocorre quando as aberturas nasais do cachorro se juntam, sendo necessário até cirurgias para separá-las. De acordo com o professor, outras complicações também podem se dar pela traqueia desses animais, que é pouco desenvolvida e tem um tamanho menor. “Às vezes, ela é mais maleável e acaba atrapalhando a respiração, podendo causar enforcamento”, detalha.

Temperatura

Bruno ainda aponta que os cães braquicefálicos têm o palato mole — a estrutura que vem depois do palato duro, conhecido como céu da boca — bem prolongado. “Quando é muito prolongado, o palato vibra na hora de respirar e o animal ronca. Essa obstrução parcial, às vezes, impede que o ar entre na traqueia, correndo o risco de que o animal acabe se asfixiando”, frisa. Daniel complementa que esse problema pode ser resolvido em uma cirurgia de redução do palato.

Os pugs Loki (de pelo escuro) e Mel sentem muito calor: água e frutas geladas(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Os pugs Loki (de pelo escuro) e Mel sentem muito calor: água e frutas geladas (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Especialistas destacam que a respiração é a principal forma de o animal regular a temperatura do corpo. Assim, os cães braquicefálicos também costumam sofrer bastante nos dias mais quentes. A advogada Laís Priscila Medeiros, 29, não tem dúvidas de que seus pugs, Loki e Mel, sentem muito calor. A raça sempre foi a paixão de Laís desde a primeira vez que assistiu a MIB — Homens de Preto. Ela conta que já sabia que eles eram braquicefálicos e pesquisou bastante antes de começar a criar os bichinhos.

Laís afirma que, para amenizar os efeitos das altas temperaturas, conta com alguns truques. “Brasília é muito seca, então a gente sempre tem umidificador por perto. Colocamos também uma toalha molhada e água gelada para eles beberem. Normalmente,  damos as frutas que eles podem comer geladas, além de evitar passear quando o sol está quente.”

O veterinário Daniel orienta que, para o bem-estar dos pets, é preciso garantir um ambiente agradável. “O ar-condicionado pode ajudar. Para os cães mais peludos, cortar os fios nas épocas mais quentes facilita o resfriamento”, aconselha.

Ele ainda destaca que a alimentação do pet é algo fundamental, pois os bichos obesos tendem a ter mais complicações e a sofrer ainda mais com o calor. Alimentos gelados podem dar uma sensação de refrescância. Além disso, o veterinário acrescenta a importância de procurar a um veterinário para que ele possa passar orientações sobre os cuidados.

Para Laís, se informar sobre a raça foi fundamental para a sua relação com os pets. “A gente já estava preparado. Eu gosto muito da raça, o fato de ele ser braquiocefálico nunca foi um empecilho. Apesar de eles serem propensos a vários problemas de saúde, são superdóceis”, comenta.

O professor Bruno explica que, como o crânio desses pets é curto, há pouco espaço para comportar alguns órgão. Os olhos, por exemplo, costumam ser arregalados e há pouco espaço para os dentes. “Eles têm problemas de visão, no qual as pálpebras não envolvem completamente os olhos. Por vezes, os olhos saem da cavidade.” O especialista ainda cita que os braquicefálicos normalmente têm olho seco, deficit de produção lacrimal e dificuldade de espalhar a lágrima produzida.

Os dentes também sofrem. Segundo Bruno, eles tendem a não caber na boca. Assim, pode haver desalinhamento dentário, deixando-os em uma angulação diferente.

Para manter o conforto

 
• Algumas dicas para garantir o bem-estar do pet
• Quando a temperatura estiver alta, forneça água fria.
• Tenha um umidificador por perto.
• Quando houver obstrução de ar, tente acalmar o animal.
• Evite passear em horários quentes.
• Caso perceba dificuldade para respirar no dia a dia, busque um veterinário.
• Evite cansar o pet.
Fonte: Bruno Alvarenga, professor de medicina veterinária do Uniceub

Quem são 

Não sabe se seu pet é braquicefálico? Confira algumas raças que estão nesse grupo.
 
Yorkshire
Poodle
Boxer
Shih tzu
Pinscher
Buldogue

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