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Correio Braziliense COMPORTAMENTO

Brasilienses comemoram o Halloween: doces ou travessuras?

Entenda como a tradicional festa norte-americana ganhou espaço em terras brasileiras e dicas para se preparar para a celebração


postado em 28/10/2018 11:00 / atualizado em 30/10/2018 11:26

(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Tradição milenar, com origem nos cultos pagãos, o Halloween, ou Dia das Bruxas, é celebrado em dia 31 de outubro, na véspera do Dia de Todos os Santos. O que se acredita ter sido um antigo ritual de colheita celta se tornou uma das festas mais aguardadas da cultura norte-americana — e incorporada por outros povos mundo afora.

No Brasil, o Halloween foi introduzido por meio das escolas de língua inglesa e caiu no gosto popular. Professor de história da América, do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB), Jaime Almeida acredita que a popularidade dos filmes de terror no Brasil e a necessidade social de fazer parte de algo maior, de um fenômeno coletivo, como as festas que vemos em tantos filmes de Hollywood, tornaram-se fundamentais para o crescimento do evento por aqui.

Como, no Brasil, o Dia dos Mortos, celebrado em 2 de novembro, e o Dia de Todos os Santos têm conotações religiosas, sem comemorações lúdicas ou mesmo artísticas, o Halloween encontrou terreno fértil para a propagação. Bárbara Peñaloza, 41 anos, é uma das grandes entusiastas do Halloween em Brasília. Durante 10 anos, ela e a mãe comandaram uma loja de fantasias e a servidora pública afirma que a festa era como o Natal para as duas.

Quando morou nos Estados Unidos durante três anos, Bárbara se encantou ainda mais com o Halloween e não deixou mais de frequentar as celebrações que ocorrem na capital. E sempre aproveita para se fantasiar. “Lá, as fantasias não se limitam apenas ao terror. Isso ficou mais forte no Brasil, mas nos Estados Unidos qualquer uma está valendo e faz parte da festa.”

Festa lúdica  

Mãe de dois meninos, Pedro e Gustavo Peñaloza, de 10 e 2 anos, respectivamente, ela comenta que a única parte que tenta não repassar aos filhos é a violenta, relacionada ao massacre e aos filmes de terror menos voltados à fantasia. “Não precisamos estimular mais violência, já estamos saturados. Acho tão mais legal ficarmos no lúdico, na bruxaria”, comenta.

Este ano, o caçula da sevidora curtiu o primeiro Halloween. Com outras mães do prédio onde mora, Bárbara organizou uma festa no condomínio. Os moradores se uniram, compraram doces e enfeitaram as portas para que as crianças pudessem brincar de “doces ou travessuras”.

Bárbara acha que a tendência é que a festa continue a crescer, e comemora que cada vez mais pessoas estão abraçando o costume. “Acho que a possibilidade de se fantasiar é um grande atrativo. Nós temos o carnaval e muitos jovens veem o Halloween como uma segunda oportunidade de se jogar nas fantasias e no glitter.”
 
Bárbara Peñaloza é tão fã de Halloween que até ajudou a organizar uma festa no prédio onde mora(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Bárbara Peñaloza é tão fã de Halloween que até ajudou a organizar uma festa no prédio onde mora (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
 

A origem


Acredita-se que o Halloween, que era muito diferente da celebração que conhecemos hoje, teve início na cultura do antigo povo celta da Grã-Bretanha, há mais de 2 mil anos.

À época, no fim de outubro e início de novembro, era comemorado o fim de ano celta, quando o outono se iniciava, marcado pela queda das folhas. Para a antiga cultura pagã, isso simboliza o início de uma vida. Era também nessa data que eles realizavam as colheitas.

Os celtas acreditavam que, naquele dia, as almas dos antepassados retornavam ao mundo para receber alimentos e oferendas. A antiga tradição celta se assemelha com a forma como é comemorado o Dia dos Mortos na cultura mexicana — em que famílias se encaminham aos cemitérios e homenageiam os familiares mortos.

Quando os povos celtas foram catequizados, não queriam abrir mão de todos os seus costumes pagãos em nome das tradições da Igreja Católica, a solução encontrada foi uma mistura entre a celebração e o Dia de Todos os Santos.

A tradição chegou aos Estados Unidos com imigrantes irlandeses. Com o passar dos anos e a mistura de culturas, afastou-se do aspecto religioso. Hoje, a festa é uma das maiores da cultura norte-americana.

De onde veio o termo Halloween?
As raízes do Halloween são do Reino Unido, onde, até o século 16, se chamava All Hallows’ Eve, que pode ser traduzido como véspera de todos os santos. A data era celebrada na noite anterior ao Dia de Todos os Santos, comemorada em 1º de novembro. Mais tarde, nos EUA, o nome se modificou e se aproximou mais da festa que conhecemos hoje.

Make assustadora

(foto: @febosquiero/Instagram)
(foto: @febosquiero/Instagram)
 

 

Quer arrasar nas festas de Halloween? A maquiadora Fernanda Bosquiero preparou um tutorial de make especialmente para os nossos leitores. A dica dela é sempre buscar inspirações na internet, em diversos tutoriais e ficar atento aos produtos que serão necessários para preparar o look.
 
  • Comece preenchendo a sobrancelha com uma sombra do seu tom.
  • Cubra o rosto com a base de um tom próximo ao de sua pele.
  • Com o corretivo, faça um triângulo invertido abaixo do olho. Use um pincel ou esponja para espalhar e esconder as olheiras.
  • Caso o produto seja cremoso, cubra o rosto todo com uma fina camada de pó.
  • Faça o contorno do rosto com um pó dois tons mais escuros que sua pele.
  • Com o mesmo pó, faça uma sombra abaixo do osso da maçã do rosto. Passe o pincel da altura das olheiras, em direção à boca, parando dois dedos antes.
  • Passe um blush bem alaranjado ou pêssego nas maçãs do rosto, de forma que fique bem marcado.
  • Com um pincel bem fino e uma sombra marrom, faça pintas no rosto, como se fossem sardas, concentrando nas bochechas, no queixo e acima das sobrancelhas.
  • Esfume o côncavo do olho com uma sombra laranja, subindo em direção às sobrancelhas.
  • Preencha a pálpebra móvel com uma sombra chocolate. Desenhe a linha do côncavo com um glitter, esticando até o fim das sobrancelhas.
  • Faça um delineado preto bem marcado, tanto na linha d’água quanto acima dos cílios superiores.
  • Com a sombra laranja, desenhe uma gota no nariz. Contorne com o delineador preto e faça linhas cruzadas, como se fossem costuras.
  • Com um batom preto, cubra o lábio superior e estique as laterais até a metade do rosto. Faça linhas cruzadas também como costuras.
  • Para dar um pouco mais de profundidade, com a sombra marrom, faça meios círculos em cada ponta da “costura”.

O Dia dos Mortos mexicano

O professor Jaime Almeida chama a atenção para a celebração mexicana, que tem crescido nos Estados Unidos diante da grande quantidade de latino-americanos vivendo no país. Para ele, a festa também tende a se espalhar. “Um filme chamado Viva, a vida é uma festa (da Pixar) fez muito sucesso ao mostrar de forma lúdica e colorida como é o Dia dos Mortos mexicano e como, além da festa, é um momento entre as famílias e seus entes queridos que se foram”, afirma. No Dia de Los Muertos, como é chamado, as famílias comparecem aos cemitérios levando bebidas, alimentos, flores e presentes aos seus mortos e os relembram, como uma forma de mantê-los vivos para sempre.

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