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Correio Braziliense BICHOS

Cachorros ciumentos? Saiba como lidar com a possessividade canina

Para especialistas, o que os tutores identificam como ciúme é, na verdade, possessão, comportamento que deve ser combatido


postado em 04/11/2018 08:00

Marley não gosta que nenhum cachorro chegue perto de Evelin Nepomuceno(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Marley não gosta que nenhum cachorro chegue perto de Evelin Nepomuceno (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Você já teve a impressão de que o seu pet tem ciúmes de você? Não é muito difícil encontrar animais que não gostam de dividir a atenção dos tutores com mais ninguém. Mas será mesmo que eles sentem ciúmes? Segundo especialistas, esse tipo de comportamento está mais relacionado à possessividade.

A bióloga Ana Paula Borges, 24 anos, já perdeu as contas de quantas vezes foi atacada pelo Nilo, sempre que tentou se aproximar da tia, a servidora pública Ana Luiza Borges, 34, dona do lhasa apso. “Ele não avisa, só morde. Nem machuca muito, mas fica roxo”, lembra a bióloga. Ana Paula conta que até ganhou um novo apelido depois dos ataques do pet: “Menina picanha”, diverte-se.

Nilo chegou à residência da família ainda filhote e já está com Ana Luiza há nove anos. “Ele é meu rabo. Aonde eu vou, ele vai atrás”, brinca a tutora. A servidora afirma que o comportamento do animal já ficou conhecido entre as amigas e os familiares, mas ela garante que nem sempre foi assim. “Comecei a perceber que tinha algo errado quando ele mordeu meu pai e Ana Paula. Minha mãe também foi vítima. Ela foi tirá-lo de perto de mim e ele avançou.”

De acordo com especialistas, o que as pessoas costumam denominar como ciúmes, muitas vezes, é outro tipo de comportamento. “O ciúme não se enquadra no natural do cão. Não dá para saber se ele tem ou não. Pode parecer ciúmes, mas, às vezes, não é”, explica o especialista em comportamento animal Mauro Lantzman.

Ricardo Tamborini, especialista em comportamento canino, complementa que esse tipo de ação do pet está mais relacionada ao sentimento de posse. “Assim como eles têm por objetos e brinquedos, eles também têm pelo dono”, comenta.

Táticas


Nilo costuma morder todos que se aproximam de Ana Luiza Borges(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Nilo costuma morder todos que se aproximam de Ana Luiza Borges (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Ciúmes ou não, aos poucos, a família de Ana Luiza foi aprendendo a conviver com o temperamento de Nilo. Ana Luiza confessa que tem algumas técnicas para o cachorro não atacar mais ninguém. “Se eu for maquiar Ana Paula no banheiro, ela tem de ir primeiro para, depois, eu ir com ele. Se eu tiver com ele no local e ela entrar, ele ataca”, exemplifica.

As duas ainda comentam que o ciúme de Nilo é apenas com Ana Luiza. Segundo Ana Paula, quando a tia não está em casa, o cachorro é bem tranquilo e não se importa que mexam nos brinquedos dele. As duas lembram que outros animais também não são um problema. Recentemente, a casa ganhou um pet novo e, para evitar que Nilo atacasse a cadela, Luiza decidiu colocar o lhasa em uma day care alguns dias antes da pet chegar.

Para surpresa de todos, o resultado foi melhor do que o esperado. Ana Luiza relata que ele tem aceitado a presença da cadela e que sua possessividade em relação à tutora tem diminuído. “Ele melhorou e parou de morder as pessoas. Nilo avança nela, às vezes, mas foi melhor do que eu achei que ia ser”, diz.

Se Nilo não se importa com outros pets, Marley, a dachshund da empresária Evelin Nepomuceno, 44, não quer nem sentir o cheiro de outros cachorros na dona. O bicho só abre uma exceção para a irmã, a dachshund Lily. “Ele não gosta de outros cachorros perto de mim. Se outros cachorros chegarem perto, ele não faz nada, mas se eu for fazer carinho nesse cachorro, ele já quer morder.”

Lily também não escapa totalmente dos ciúmes do irmão. Evelin afirma que Marley se tornou um verdadeiro protetor da cadela. Ela conta que quando alguém se aproxima dando sinais que vai fazer carinho na dachshund, ele já começa a empurrar a Lily para afastá-la.

Tutores atentos

De acordo com Ricardo Tamborini, a formação de caráter de todo cão ocorre do segundo ao nono mês de vida. Ele destaca que é nesse período que se deve trabalhar alguns comportamentos indesejáveis, como ganância e possessividade. Ricardo ainda explica que, muitas vezes, as ações do pet estão relacionadas ao tratamento do dono. “Nenhum cão nasce agressivo, assim como eles não nascem ciumentos. Eles aprendem. Algumas brincadeiras fazem com que o cachorro se torne possessivo. Um exemplo é ficar tomando um brinquedo dele e achar bonito ele rosnar. Isso vai piorar”, frisa.

Mauro Lantzman alerta que, mesmo depois de adultos, é preciso ficar atento para não reforçar esse tipo de ação no animal, o que depende muito das atitudes do dono. “Se elas chamam isso de ciúmes, congelam a possibilidade de mudança. Ele não é ciumento”, enfatiza. Para mudar o perfil do cachorro, Mauro propõe reduzir o reforço a esses tipos de conduta que os donos acabam fazendo inconscientemente.

Ricardo completa que esse comportamento dos cachorros pode até ser perigoso, principalmente em casos em que os pets são de porte grande, como pitbull, rottweiler e pastor alemão. Ele ainda ressalta que o comportamento não está ligado à raça, porém os poodles costumam ser mais possessivos. “Não é regra, mas quem tem um poodle em casa sabe que, quando recebe uma visita, se ela sentar ao lado da dona, o pet tenta impedir.”

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