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Correio Braziliense FITNESS & NUTRIçãO

Entenda por que algumas estratégias para emagrecer podem ser prejudiciais

Pelo corpo perfeito, há que recorra a laxantes, diuréticos e até a remédios controlados. Especialistas alertam que tais métodos podem comprometer seriamente a saúde


postado em 04/11/2018 10:00

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

 
O verão está chegando, e muita gente acaba potencializando a preocupação com a forma física. Quer recuperar o tempo perdido e perder peso, quer resultados rápidos, quer exibir um corpo magro na praia. Para isso, há quem recorra a medidas questionáveis. Em vídeo, até a atriz Bruna Marquezine, por exemplo, admitiu já ter tomado laxante na tentativa de emagrecer.

Outras estratégias perigosas usadas são ingerir medicamentos diuréticos, se manter em jejum durante o dia todo, fazer uso de medicamentos controlados comprados no mercado clandestino. Pessoas normais estão sujeitas a cometer exageros em busca do corpo perfeito. “É comum, por causa do culto ao corpo perfeito que vivemos hoje. As pessoas olham o Instagram e querem ter o corpo igual ao que elas veem lá”, lamenta Camila de Moura, professora de nutrição do UniCeub.

A especialista faz questão de salientar a diferença entre emagrecer de fato e perder peso: “O emagrecimento é a mudança na composição corporal, quando ocorre aumento da massa magra e diminuição da massa gorda”. A perda de peso, no entanto, ela explica, pode ser uma diminuição do líquido ou da massa magra do corpo.

A administradora Flávia Monteiro, 28 anos, aprendeu isso e muito mais da pior forma: na pele. “Foram três anos me sentindo mal com meu corpo e tentando dietas loucas, até chegar aos 114kg”, relata. Até então, ela queria emagrecer. E rapidamente. Mas não consultava especialistas. Tomava laxante, diurético, comprou clandestinamente remédios controlados, até chegar à conclusão, há cerca de um ano, de que nada disso faria efeito e que ela precisaria de outros métodos.

O diurético a deixava fraca. A pressão sanguínea baixava tanto que ela chegou a desmaiar. O laxante trazia os mesmos efeitos. Ambos os remédios fazem com que a pessoa se desidrate. “Eles promovem a eliminação de líquidos do corpo. O laxante, por meio da diarreia, e o diurético, do xixi. O laxante inflama a mucosa intestinal, que é o que causa a diarreia, e o diurético pode sobrecarregar o rim”, diz Camila.

Remédios controlados


Flávia chegou a comprar remédios de vendedores clandestinos que encontrou na internet. Nas palavras dela, os medicamentos a “deixavam louca”. A endocrinologista Rosália Padovani explica que o maior perigo de se adquirir um remédio dessa forma é não saber o que de fato tem ali. “Você pode comprar um anfetamínico e achar que está comprando sibutramina, por exemplo. Ambos são aceleradores do metabolismo, mas aceleram por inteiro: dá taquicardia, pode provocar perda óssea”, explica.

Alguns remédios podem também conter hormônios tiroidianos sem a pessoa saber. Rosália afirma que é comum especialistas utilizarem essas ferramentas para ajudar no emagrecimento dos pacientes, no entanto, eles devem ser ministrados com acompanhamento médico. “Se forem bem indicados, podem ser usados com segurança. Mas o paciente precisa ser monitorado e supervisionado por médico”, ressalta.

Flávia também injetou, por conta própria, o hormônio HCG (da gravidez) na barriga. Aprendeu na internet que era só injetar e restringir a dieta a 500 calorias por dia. Havia dias em que só comia maçã.

“A dieta com HCG realmente é baseada num cardápio de baixíssima caloria. Assim, restringe-se também minerais, vitaminas. É um hormônio caro. Um dos grandes problemas é que dietas com restrição demais acabam não sendo duradouras, o que dá sucesso realmente é a mudança dos hábitos alimentares”, explica Rosália. Segundo ela, os remédios podem ajudar, mas são apenas acessórios.

Os remédios controlados que comprava no mercado clandestino até faziam Flávia perder bastante peso, mas, assim que parava de tomá-los, não só os recuperava como ganhava ainda mais. Há cerca de um ano, diante da situação que parecia quase sem solução, Flávia decidiu ir a um nutricionista, a um endocrinologista e contratar um coach. “Eu vi que as coisas que eu estava fazendo não tinham nenhum resultado duradouro. Às vezes, eu até perdia 15kg, mas depois ganhava 18kg”, relembra. Nesse momento, já estava com pré-diabetes e problemas de articulação.

Jejum


Outra estratégia usada por muita gente é o jejum total, como uma forma de desintoxicar, ou o intermitente, que está na moda. Rodrigo Polesso, especialista em emagrecimento e estilo de vida saudável do site emagrecerdevez.com, explica que, antes de apelar para qualquer jejum, é importante refletir sobre a alimentação. “Eu até defendo a prática do jejum intermitente, mas tem que ser feito da forma correta”, ressalta.

Para ele, as pessoas apelam ao jejum sem antes prestar atenção à própria alimentação e sem melhorá-la. “O jejum intermitente pode ser uma ferramenta, desde que a pessoa já esteja com uma dieta adequada a ela e aos objetivos dela. Fazer jejum sem antes estar se alimentando direito é colocar a carroça na frente dos bois”, explica. Durante o jejum, ela não deve sentir fome e isso só é garantido com uma alimentação nutritiva.

Ele explica que as pessoas têm uma alimentação muito energética e pouco nutritiva, por isso sentimos tanta fome. “O que sinaliza a fome é falta de nutriente, não de energia.” Polesso compara um prato de macarronada com um de salmão. O primeiro vai dar muita energia e, logo a fome virá, o segundo, dará menos energia, mas manterá a pessoa sem fome por mais tempo.

Quanto à necessidade de estar magro no fim do ano, ele alerta: “É claro que o que as pessoas mais querem é perder peso e ficar bem no espelho, mas o outro elefante na sala é a saúde. O mundo está vivendo uma epidemia de doenças crônicas, que relacionamos à velhice, à genética, mas também estão relacionadas à alimentação”. Portanto, é necessário se cuidar sempre.

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