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Correio Braziliense BICHOS

Pets idosos: nunca é tarde para encontrar um lar

Cães idosos abandonados têm mais dificuldades para serem adotados, mas eles também estão à procura de amor e carinho


postado em 18/11/2018 08:00 / atualizado em 16/11/2018 16:51

Regina Pessoa adotou o João quando ele já estava com 9 anis: problemas de saúde compensados com amor (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Regina Pessoa adotou o João quando ele já estava com 9 anis: problemas de saúde compensados com amor (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Adotar um pet é um gesto nobre. Muitos sofreram maus-tratos e abandono, vivendo à deriva pelas ruas. Há ONGs e pessoas que resgatam esses animais e os ajudam a encontrar um lar. Porém, para os mais velhos, nem sempre é tão simples encontrar um abrigo. Com idade avançada, esses pets precisam de cuidados específicos e nem sempre conseguem tutores dispostos a isso.

Em 2012, o vira-lata João, 14 anos, passou por maus bocados antes de ser adotado pela servidora pública Regina Pessoa, 53. Na época, ele tinha por volta de 9 anos, já considerado um cão idoso. João era de moradores de rua e foi resgato por uma ONG após ser espancando e ter fraturas sérias nas patas traseiras. Ele foi levado ao veterinário para fazer cirurgia.

Regina ficou sabendo do caso de João por meio de um sorteio de rifa promovido por essa instituição para arrecadar fundos e ajudar no tratamento do cão. Acabou se apaixonando pelo vira-lata e o levou para casa. Após alguns dias, ela percebeu que o cachorro estava com dificuldades para andar e suspeitou que fosse por conta das fraturas. Ao analisar, o ortopedista disse que a cirurgia não tinha sido feita corretamente e precisava de outra, mais invasiva, porém, desaconselhável por causa da idade avançada de João.

A servidora foi orientada a levar o animal para a fisioterapia. Segundo ela, hoje o cão vive uma vida bem melhor e mais tranquila. Para quem pretende adotar um pet mais velho, Regina ressalta que a pessoa precisa ter consciência de que terá compromissos financeiros e emocionais. Além disso, precisará de tempo e paciência. “Tenho de colocar na ponta do lápis quanto gasto com João”, brinca. Só com saúde, ela desembolsa cerca de R$ 300 por mês.

Em 2014, João teve um AVC. Ficou internado algum tempo, não comia e estava apático. O veterinário, então, sugeriu acupuntura. “Agora, ele está bem melhor, mesmo com as dificuldades por conta da idade”, comemora.

Para Suzana Coelho, diretora-geral da Associação Protetora dos Animais do DF (ProAnima), quando se opta pela adoção de um animal idoso, é importante estar atento à saúde dele, pois demandará mais cuidados veterinários e, consequentemente, mais gastos financeiros. Também é importante lembrar que um animal mais velho não terá a mesma energia que a de um mais novo.

Assim, eles não são ideais para quem deseja companhia em longas caminhadas e exercícios físicos. Por outro lado, cães idosos tendem a ser bem mais calmos, dormem mais, adaptam-se bem à rotina da família, são mais propensos a receber afagos e carinho. Além disso, são excelentes companhias para tutores mais velhos.

Suzana ressalta que, ao optar pela adoção de um animal idoso, é desejável saber sobre os hábitos do animal, suas dificuldades e problemas de saúde. Uma avaliação veterinária também é aconselhável a fim de que a família se prepare para dar assistência de saúde devida e possa proporcionar alimentação e cuidados adequados.
 

Saúde


De acordo com a médica veterinária Patrícia Arrais Rodrigues da Silva, especialista em oftalmologia veterinária, o animal idoso que foi resgatado da rua não viveu a vida inteira nessa situação. Até porque eles não costumam ter uma vida longa estando em situação de rua. O mais provável é que tenham sido abandonados — um dos principais fatores, nesse caso, é justamente por estarem doentes.

Quando são resgatados, eles apresentam doenças oftalmológicas. Outras vezes, têm problemas no coração, nos rins ou patologias graves, como câncer, além das contagiosas. 

Os animais abandonados em idade avançada ficam sujeitos a agressões pelas pessoas. Como não são acostumados a essa realidade, não consideram os humanos uma ameaça. Pelo ao contrário. Buscam afago, companhia e carinho, mas, muitas vezes, acabam encontrando inimigos. “Eles não sabem pedir água nem comida na rua.”


Voluntária


A atendente de telemarketing Maria de Jesus Medeiros Araújo, 43, faz resgate de animais abandonados na rua desde sempre. Porém, há seis anos, esse trabalho voluntário se intensificou, após usar as redes sociais como aliada. Por conta própria, ela resgata, cuida e busca um lar para os animais.

Maria de Jesus conta que tem dois espaços para mantê-los: um em Ceilândia e outro em uma chácara, onde ficam os animais mais vulneráveis, como os filhotes e os idosos. Ela corrobora que, em comparação com os animais saudáveis e os mais jovens, os idosos dificilmente são adotados.

Nesse período de férias, garante, há um maior número de abandonos. Muitas pessoas tiram um tempo maior de descanso e preferem abandoná-los. Suzana, da ProAnima, lembra que abandonar animal, além de cruel, é crime. “Recebemos cerca de seis ligações por dia para resgatar animais. Às vezes, não podemos atender tantos casos.”

Quando isso ocorre, ela orienta as pessoas a darem abrigo, depois levarem ao veterinário e, se não puder ficar com o bicho, fazerem publicações nas redes sociais. Além disso, doações de rações — principalmente as com nutrientes selecionados, mais fortes para os animais idosos — e ajuda no custeio das consultas veterinárias serão de grande valia.

Onde buscar ajuda

Associação sem fins lucrativos, a ProAnima defende a adoção responsável de animais e o estímulo às opções éticas de estilo de vida e de consumo. Conta com veterinários parceiros e partilha medicamentos, vasilhas e rações. Oferece espaço gratuito no site para anunciar animais para adoção. Interessados devem acessar site@proanima.org.br.


Onde denunciar maus-tratos

• Delegacia do Meio Ambiente (Dema): 3234-5481
• Polícia Civil: 197 ou 98626-1197 (WhatsApp)

Principais problemas

A médica veterinária Patrícia Arrais, especialista em oftalmologia veterinária, conta que os animais resgatados da rua, geralmente, chegam com os seguintes problemas clínicos:

Bixeira, por conta de machucados não tratados, cinomose, leptospirose, leishmaniose e vermes.
Além disso, o animal idoso chega com insuficiência renal, já que, em casos de problemas cardíacos, eles não sobrevivem por muito tempo.

Exames

Ao encontrar um animal idoso na rua, a primeira coisa que se deve fazer é levá-lo ao veterinário para fazer um checape e saber qual a condição clínica dele. Os exames a serem feitos são:
• Hemograma e bioquímicos para avaliar fígado e rim
• Teste físico completo para avaliar o coração
• Exames para avaliar a boca, porque muitos estão sem dentes
Fonte: Patrícia Arrais é médica veterinária especialista em oftalmologia. 
 
*Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte
 

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