Publicidade

Correio Braziliense MODA

Ciclo fashion do bem: conheça o upcycling

Palavra vinda do inglês, upcycling significa a criação de novas peças a partir de materiais que seriam descartados


postado em 25/11/2018 07:00

Coleção da Farm com a Re-Roupa: peças de coleções passadas e sobras de tecido são usadas na confecção das roupas(foto: ReFarm/ Divulgação)
Coleção da Farm com a Re-Roupa: peças de coleções passadas e sobras de tecido são usadas na confecção das roupas (foto: ReFarm/ Divulgação)

Nos últimos meses, o termo tem sido um dos mais comentados no mundo fashion. Se você ainda não ouviu falar em upcycling, pode ter certeza de que, em breve, ela fará parte do seu vocabulário. A palavra, de origem inglesa, é usada para designar a criação de novas peças e a geração de valor com materiais que seriam descartados.

 

Na indústria da moda, o upcycling tem aparecido nas coleções e no dia a dia dos designers, que perceberam que produzir e consumir moda no ritmo de hoje é impraticável a longo prazo.

 

A professora Rafaella Lacerda, do curso de moda do Iesb, conta que os estudantes têm uma consciência ecológica cada vez maior. “A maioria dos alunos já compreende os problemas de poluição na fabricação de têxteis e no tingimento, além das péssimas condições de trabalho na indústria da moda, principalmente nas que vendem peças fast fashion.”

 

Marcas grandes e pequenas estão investindo no upcycling em suas coleções. No última edição do ID Fashion, em Curitiba, o conceito esteve presente em praticamente todas as marcas que subiram à passarela paranaense. A carioca Farm fechou parceria com o projeto Re-roupa, dedicado a criar novas peças por meio do upcycling.

 

Segundo Taciana Abreu, diretora de marketing da Farm, a parceria surgiu para diminuir o impacto ambiental da marca e estimular a economia circular. “Outro impacto positivo superlegal é o social, a geração de renda para pequenas oficinas de costura que normalmente não atendem grandes indústrias”, completa. Todas as peças são feitas com o Instituto Alinha e com costureiras empreendedoras do Rio de Janeiro e de São Paulo.

 

A quantidade de resíduos gerados pela indústria da moda também era uma preocupação de Augustina Comas, fundadora da marca de upcycling paulista Comas. “Fiquei paralisada quando comecei a pensar em todo o lixo gerado e no estrago que isso poderia causar.”

Coleção da Marca Comas: camisas jeans são transformadas em saias e em outras camisas(foto: Patricia Ikeda/Comas)
Coleção da Marca Comas: camisas jeans são transformadas em saias e em outras camisas (foto: Patricia Ikeda/Comas)
 

Augustina acredita que o consumidor está aceitando cada vez mais as peças upcycled. “Quando a Comas começou, ninguém sabia o que era upcycling e não entendia o valor das peças. Hoje, há uma maior aceitação, que se deve ao conhecimento. Quando as pessoas entendem o que está por trás, elas compram a ideia”, diz a empresária.

 

Em Brasília, existem diversas iniciativas que têm como base o upcycling. O estilista Sávio Drew trabalhou com a tendência do lowsummerism (o contrário de consumismo) e do upcycling no projeto final da faculdade e atualmente na sua marca, a Drew. “Cresci numa vila no interior do Piauí. A economia circular e a sustentabilidade sempre foram muito presentes na minha vida”, diz.

Todas as coleções da Drew são feitas com tecidos de descarte ou peças reutilizadas(foto: Allysson Magalhães/UseDrew)
Todas as coleções da Drew são feitas com tecidos de descarte ou peças reutilizadas (foto: Allysson Magalhães/UseDrew)
 

Sávio acredita que a indústria está se conscientizando sobre os impactos ambientais que a moda causa e começando a mudar. “Os consumidores vão aceitar o valor da roupa upcycled quando entenderem os processos envolvidos e a história da peça”.


Desafios

A professora Rafaella Lacerda acredita que as novas gerações estão mudando os padrões de consumo, mas acha difícil um futuro sem as fast fashiom e as produções em larga escala. “Parece que os jovens estão comprando menos e fazendo mais. Sinto um crescimento muito forte do consumo consciente vindo de pessoas de diferentes segmentos”, afirma.

"Identificamos os melhores tecidos e escolhemos aqueles que, a partir do nosso conceito de design, são os mais ricos", diz Augustina Comas, da marca Comas (foto: Patricia Ikeda/Comas)

 

 

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade