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Correio Braziliense

Conheça particularidades da raça dachshund, o famoso salsicha

Brincalhão e cheio de energia, os cães de origem alemã caíram no gosto dos brasileiros


postado em 27/11/2018 10:50 / atualizado em 30/11/2018 18:34

Camila Angelin ganhou Nina ainda criança: melhor presente da vida(foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
Camila Angelin ganhou Nina ainda criança: melhor presente da vida (foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)

 
Eles têm características físicas bem peculiares e, por isso, inspiraram o nome de uma das comidas mais populares do mundo: o cachorro-quente. Neste semana, a Revista do Correio contará mais sobre a raça dachshund ou o famoso salsichão. Pequenos e longos, os cães dessa raça são ativos e teimosos e fazem o maior sucesso por donde passam.

A raça é originária da Alemanha. Há registros muito antigos dos dachshunds, mas só nos séculos 18 e 19 eles ganharam a forma como conhecemos hoje. Os alemães queriam um cachorro que cavasse buracos de forma rápida para correr atrás de presas. Com isso, desenvolveram, por meio de cruzamentos, uma espécie corajosa, persistente e agressiva, usada para caçar texugos, coelhos, raposas e, até mesmo, javalis e porcos selvagens.

Em 1880, a raça teve o seu apogeu, após ser levada para os Estados Unidos. Houve tanta popularidade entre os norte-americanos que entrou na lista das 10 raças registradas no Westminster Kennel Club Show — importante clube de mostra de cães. Infelizmente, os dachshunds sofreram perseguição durante a Primeira Guerra Mundial assim como outras raças de origem alemã.

A brutalidade era tanta que os cachorros eram apedrejados e os criadores chamados de traidores. Aqui no Brasil, ficaram famosos, principalmente, por estrelarem campanhas publicitárias de uma empresa de peças automotivas na década de 1980.

Para o adestrador Diego Aires de Souza, os dachshund caíram no gosto popular, porque são muito devotados aos tutores e bons como cães de guarda, além de amorosos e dengosos. Desde filhotes apresentam personalidade forte.

“Eles são teimosos, brincalhões, corajosos, amigáveis, curiosos, leais, independentes e expansivos”, destaca Diego, que também é adestrador do Batalhão de Policiamento com Cães da PMDF, especializado em detecção de substâncias, busca e captura. Por terem muita energia, orienta, as atividades ao ar livre precisam ser diárias.

Presente

A universitária Camila Martins Angelin, 23 anos, desde pequena sempre quis ter um cãozinho. Como mora em apartamento, a mãe não permitia. Porém, quando estava no ensino fundamental, a professora tinha uma cadela que pariu e a mãe resolveu presentear a filha com uma cadelinha da ninhada. Para Camila, foi o melhor presente da vida.

Nina, hoje com 12 anos, é muito meiga e tranquila. Camila admite que a cachorrinha não gosta muito de criança. “Acho que é porque elas vão muito afobadas para cima dela e Nina acaba se irritando”, brinca. Outra coisa que ela não gosta é de chuva. “Nina odeia trovões. Quando começa a chover, logo se esconde.”

Camila define essa raça como de fácil convívio e que se adapta sem problemas a ambientes pequenos, como apartamentos. Ela desce em torno de duas vezes ao dia para passear e fazer suas necessidades.

Coluna

Sobre a saúde, ela fala que os dachshund costumam ter problemas na coluna. Nina, por exemplo, teve hérnia de disco. “A veterinária, ao investigar o problema, já falou: ‘Deve ser hérnia, essa raça sempre tem’”. Por isso, Camila toma cuidados quando passeia com Nina. Fica de olho se a cadela está fazendo brincadeiras abruptas, como rolar na grama e pular demais para não sobrecarregar a coluna.

Outro cuidado é em relação ao peso. Eles são propensos a ficarem obesos. Camila conta que Nina ama comer. Não pode ver ninguém com algo nas mãos que logo pede. A jovem, porém, dá refeição para Nina umas duas vezes ao dia. A ração é light.

Para o ortopedista veterinário Guilherme Thizen, os dachshunds são animais fantásticos. Eles são muito ativos e brincalhões. Talvez por isso são tão aceitos pelos brasileiros. Segundo ele, a raça é ótima para crianças. “Eles têm muita energia para gastar e gostam muito de brincar.”

No entanto, conta o veterinário, são propensos a terem problemas genéticos relacionados a articulações, o que pode afetar a região da coluna. Esses problemas surgem quando eles são mais novos, já que é a fase em que têm mais energia. Guilherme recomenda que o tutor fique sempre de olho no animal.

“Esses animais costumam pular, saltar de um móvel a outro, isso causa microtraumas na coluna”, justifica. Quando eles estiverem com uma postura cifótica — uma corcundinha —, pode ser um sinal de dor na região.

Caçula

A professora Jussara Ximenes de Oliveira, 44, sempre esteve rodeada de cachorro. Ela lembra que, na infância, teve um cão durante 16 anos e isso determinou sua paixão pelos caninos. Hoje, ela é casada e, como não pode ter filhos, adotou quatro cadelas. Três delas american staffordshire terrier — raça de porte grande e semelhante ao pitbul.

Desde o ano passado, ela vem passando por diversas cirurgias e não tem aproveitado o tempo com as “filhas”, como costuma dizer. Pensando nisso, o marido de Jussara teve a ideia de adotar uma cadela de porte menor. “Ele procurou nas redes sociais alguém que estivesse doando. Procurou em um grupo de dachshund, porque eu sempre fui apaixonada por essa raça. Já tive três antes”, conta.

Encontrou a Titibull, de 1 ano e 3 meses. O doador chegou a desistir. Porém, Jussara já estava apaixonada só em ver as fotos, e o marido dela insistiu com o rapaz, que se sensibilizou com a história dela. Hoje, a família estabeleceu uma forte união.

Para Jussara, Titibull é uma cadela extremamente amorosa, fiel, companheira, brincalhona e tem uma coragem excepcional. “É uma excelente cadela de caça. Porém, é extremamente possessiva e ciumenta.” Além disso, Titibull tem um temperamento agitado, não é muito obediente.

Dicas aos tutores de primeira viagem
Verifique se todos da casa desejam realmente o cão.
Se possível, conheça os pais do filhote para ter ideia do tamanho que ele ficará.
Não adote um cão se você passa o dia inteiro fora de casa.
Lembre-se de que um cão requer tempo e dedicação para treinar e passear.
Mantenha todas as vacinas em dia e os passeios ao filhote somente após o término delas.

A raça

Vantagens
Os dachshunds amam brincar e são ótimos companheiros para diversão. Embora seu tamanho não imponha muito medo, são excelentes cães de guarda, sempre alertas sobre possíveis perigos. Companheiro, um amigo sempre disposto a estar ao seu lado em todos os momentos.

Desvantagens
Ele é bem teimoso, por isso, deve passar por adestramento desde filhote, com aulas firmes e muita recompensa, mas nada que impeça de ser um cão equilibrado. Outro detalhe, essa raça tem muita energia, logo requer passeios diários, brincadeiras e interação constante com seus donos.

Fonte: Diego Aires de Souza, adestrador

Camila Angelin ganhou Nina ainda criança: melhor presente da vida
Jussara Ximenes tem três cadelas grandes e a pequena Titibull, xodó da professora

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