Publicidade

Correio Braziliense FITNESS & NUTRIÇÃO

Saiba a importância de trabalhar o equilíbrio

Resistir à força da gravidade é um desafio que pode - e deve - ser potencializado com exercícios físicos. Os resultados garantem uma velhice mais saudável


postado em 02/12/2018 08:00 / atualizado em 30/11/2018 17:21

Márcia Alves não conseguia andar de salto alto nem se equilibrar em uma bicicleta: exercícios reverteram condição (foto: Arquivo pessoal)
Márcia Alves não conseguia andar de salto alto nem se equilibrar em uma bicicleta: exercícios reverteram condição (foto: Arquivo pessoal)
Equilíbrio é a palavra-chave para tudo na vida: qualquer coisa em excesso pode fazer mal, e a falta também é um sinal de risco. Quando o assunto é o corpo humano, o equilíbrio é a base para a realização correta de qualquer movimento. Para conseguir desempenhar uma atividade física, o indivíduo precisa, primeiramente, ser capaz de resistir às forças da gravidade. Só depois poderá trabalhar para fortalecer os músculos ou aperfeiçoar outras regiões do corpo.

Por isso, qualquer avaliação física para quem quer entrar na academia envolve um teste de equilíbrio. Segundo a fisioterapeuta Glaucia Adriana, isso ocorre porque dois elementos são fundamentais para conseguir efetuar os movimentos de forma funcional e harmônica: estabilidade — a habilidade de controlar um movimento, que está ligada à coordenação motora — e mobilidade das articulações — a capacidade de gerar um movimento de forma coordenada.

Isso só funciona de forma correta graças ao cerebelo. Ele é responsável pela coordenação motora e pelos equilíbrios estático e dinâmico. O primeiro é utilizado para se manter em pé quando há a falta de movimento: realizando uma postura do ioga ou esperando na fila do banco, por exemplo. Já o segundo é utilizado todas as vezes em que o ser humano se move, como durante uma caminhada ou praticando exercícios.

Estabilidade


Como explica a neurologista Letícia Costa Rebello, do Hospital Brasília, pacientes que não apresentem eventual lesão no cerebelo ou no tronco cerebral “terão incapacidade de realizar algumas das atividades que exijam a necessidade de manter o equilíbrio”.

Não é segredo para ninguém que sair por aí forçando os limites do corpo sem acompanhamento pode resultar em problemas, entre eles a lesão. Quando o organismo não está em dia com as forças da gravidade, pode ocorrer o processo de compensação — situação na qual algum dos lados do corpo tende a trabalhar mais do que o outro para cumprir a demanda desregulada. “O equilíbrio está associado à musculatura. Se ela estiver fraca, alguma parte do corpo vai ter que trabalhar por duas para compensar, e há sobrecarga”, explica o professor de educação física Firmino Neto.

Ele preza por atividades, além da musculação, que promovam o desenvolvimento da estabilidade. Durante os programas de treinamento, os alunos são divididos em níveis. Os iniciantes geralmente têm mais dificuldade de se sustentar no próprio eixo, então o ideal é praticar atividades que utilizem o peso do próprio corpo, segundo o especialista. “Utilizamos exercícios como os do balanceio, em meia-bola, ou pranchas de equilíbrio frontal. Também realizamos agachamentos e outras atividades de lateralidade.”

Marcia Alves, 51 anos, é uma das alunas de Firmino e conta que sentiu grande melhora na qualidade de vida depois de se atentar aos exercícios. Ela entrou na academia para deixar de lado o sedentarismo e optou pela musculação com acompanhamento de um personal trainer. Mas foi durante a avaliação física que a técnica em radiologia identificou o problema de estabilidade.

Ela já tinha dificuldades com algumas atividades do cotidiano: não conseguia andar de salto e subir e descer da bicicleta representavam um desafio à parte. “O meu maior problema é no lado direito. Mas todos os dias realizamos atividades de equilíbrio, durante o treino, e eu já superei várias dificuldades. Ando tranquilamente em cima de um salto e já domino a bicicleta”, garante.
 

Preocupação 

 
Não é difícil perceber que, ao longo dos anos, a flexibilidade e o equilíbrio mudam muito. Os bebês conseguem realizar posições quase inimagináveis pelos adultos, e isso ocorre porque os pequenos têm percepção corporal e plasticidade muito grande. Porém, ao longo do tempo, o corpo sofre um processo de enrijecimento. O equilíbrio e a coordenação motora são habilidades que se perdem com o passar da idade e, quanto mais atenção e cuidado enquanto jovens, maior a chance de autonomia para o idoso no futuro.

“O corpo estabilizado gera uma base para que você possa evoluir fisiologicamente, reduz significativamente a perda do equilíbrio e também diminui o risco de queda na terceira idade. Isso porque a musculatura é responsável por estabilizar as articulações”, explica Firmino Neto.

Pensando na longevidade, a indicação é sempre buscar mais de si mesmo. Seja na atividade física, seja no comportamento mental. “O corpo humano é muito mais resiliente do que se pensa. E ele deve estar em constante desafio, senão você vai perdendo os comandos e o sistema nervoso se torna preguiçoso do ponto de vista neural. Isso interfere diretamente na forma como você vai envelhecer”, diz Glaucia Adriana, fisioterapeuta.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade