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Correio Braziliense ESPECIAL

Para 2019, o lema é ser positivo

Até a ciência já comprovou: pensar e agir de forma positiva atrai coisas boas. Conheça a história de gente que mudou a vida depois de adotar tal filosofia


postado em 30/12/2018 08:00 / atualizado em 29/12/2018 15:03

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Já tentou passar alguns dias sem reclamar, só tentando ver o lado bom de cada coisa que acontece na vida? Há quem garanta que a experiência pode ser transformadora. O escritor norte-americano Napoleon Hill, que chegou a ser assessor de Franklin Delano Roosevelt, presidente dos Estados Unidos, costumava dizer: “O que a mente do homem pode conceber e acreditar pode ser alcançado”.

Patrícia Cândido, professora, escritora e pesquisadora na área da espiritualidade há mais de 15 anos, explica que, no século 20, Hill entrevistou diversos milionários durante anos. Entre eles, Andrew Carnegie e Henry Ford, e constatou que mentes milionárias, prósperas e realizadas tinham um padrão de comportamento e de pensamento positivo e otimista. E que, quanto mais pensavam dessa maneira, mais atraíam riqueza e uma série de acontecimentos bem-sucedidos.

“Hoje, tanto a física quântica quanto a clássica são capazes de comprovar que o Universo onde estamos inseridos é formado por energia. E que o pensamento interfere nessa energia e é capaz de moldá-la em sua capacidade de oscilação”, afirma.

No anos 1970, o físico alemão Fritz Albert Popp descobriu que todos os seres vivos emitem pequenas partículas de luz. Ele concluiu que essas ondas  são como um sistema de informações capaz de transportá-las através do corpo quase instantaneamente.

Mais tarde, o cientista G. Schwartz tirou fotos dessas luzes, enquanto seguidores do reiki emitiram intenção de cura. As luzes se apresentaram em uma frequência superpotente, conhecida como “superradiância”. Essa energia viva foi capaz de se organizar em um estado coerente com a mais alta forma de ordem quântica conhecida pela natureza — algo descoberto por Einstein 70 anos antes e intitulado: Einstein-Bose-Condensate.

A força do pensamento


Segundo Patrícia, a maneira como pensamos impacta, inclusive, em nossa fisiologia, pois as células são subservientes ao nosso comando mental, o que reflete na saúde física. “Emoções, pensamentos e sentimentos que nos fazem bem, como amor, compaixão, alegria, felicidade, paz, harmonia, são capazes de equilibrar nossa energia e trazer ainda mais saúde. Já pensamentos, emoções e sentimentos, como medo, mágoa, raiva, tristeza, arrependimento, rancor, intoxicam nossa energia por seres incondizentes à nossa natureza”, afirma.

Além das mudanças fisiológicas, a forma como as pessoas lidam com determinadas situações podem interferir no desenrolar dos problemas da vida. De acordo com Glaucia Flores, psicóloga da Aliança Instituto de Oncologia, o pensamento positivo ou negativo é capaz de transformar um problema em um grande pesadelo ou em uma situação difícil, porém temporária.

“O otimista sabe que os problemas fazem parte da vida e que vão sempre existir. Contudo, ele olha para eles como fonte de aprendizado e busca soluções. Já a pessoa negativa foca somente no problema, sem conseguir enxergar soluções, saídas e crescimento por intermédio do fato”, ressalta.

A psicóloga ainda informa que muitos veem os problemas como um aprendizado e buscam tirar algo positivo da situação, encontrando sentido no que acontece e, consequentemente, amenizando o sofrimento e gerando mudanças e reflexões.

O poder que uma palavra tem


(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
A palavra do próximo também pode despertar o espírito de otimismo ou de pessimismo no outro. De acordo com a psicóloga Gláucia Flores, a palavra positiva pode ajudar. E muito. “Em momentos difíceis, muitas vezes, não conseguimos vislumbrar saídas, e receber apoio, seja na forma da presença de alguém, seja de palavras que nos fazem ver as coisas de uma maneira diferente, sempre é muito benéfico e pode ajudar as pessoas de alguma forma”, garante.

A professora Carla Cavalcanti, 40 anos, não tem dúvidas do poder que uma palavra amiga tem. Durante o tratamento da mãe contra um câncer, ela contou com o apoio de diversos amigos e familiares, mas também viu muitas pessoas que estavam na mesma situação isoladas e desamparadas.

A situação vivida com a mãe serviu como inspiração para o projeto Cartas para um amor. Carla lembra que, antes de a mãe falecer, as duas tinham combinado de fazer um encontro com todos que ajudaram durante o tratamento. “A gente ia fazer um momento de gratidão para as pessoas que nos ajudaram, que se revezaram comigo durante o tratamento. A ideia era homenageá-las pelo gesto de amor”, lembra.

Carla destaca que decidiu unir o sonho da mãe de fazer o encontro com o seu próprio desejo de escrever cartas para entregar a paciente e acompanhantes no hospital. Assim, surgiu o Chá das amigas, Cartas para um amor. A cada um ou dois meses, mulheres se encontram para um chá entre amigas, enquanto produzem as cartas.
O grupo é formado por 14 integrantes, entre pacientes oncológicas e pessoas que apoiam a causa. As cartas não têm destinatário nominal e levam consigo palavras de incentivo, apoio, orações e fortalecimento para despertar emoções positivas.

Os encontros são abertos a quem queira escrever as cartas. No que ocorreu próximo ao Natal, cerca de 130 pessoas se reuniram. Ao todo, já foram distribuídas mais de 500 mensagens.

“É um gesto sublime, que resgata e transforma. As pessoas são impactadas e, pelo menos naquele momento que separam um tempinho para ler, elas tiram o foco da doença, da dor que estão sentindo. Elas se sentem fortalecidas, abraçadas, acolhidas. É um momento em que podem respirar e sentir que não estão sozinhas”, enfatiza.

Acolhidas

Receptora das cartas e voluntária do projeto, a assistente administrativa Caroline Venâncio, 41, sentiu na pele o poder que tem uma palavra de apoio nas horas difíceis. Durante o tratamento do câncer, contou com a positividade dos outros para encarar um problema que vai além da doença: o preconceito.

Caroline conta que a filha começou a sofrer bullying na escola pelo simples fato de ter uma mãe com câncer. “As crianças não queriam ficar perto dela. Como se já não bastasse o sofrimento que ela estava passando com a doença”, lembra. Após as agressões à filha, Caroline conta que buscou a diretoria da escola, mas, no lugar de providências, recebeu mais preconceito.

De acordo com Caroline, em uma das idas à instituição, ela colocou uma peruca e ouviu da própria responsável pelos alunos que deveria usar o acessório mais vezes, pois a imagem dela podia ser “agressiva”. “Fui para casa chorando”, comenta.

O caso foi parar na redes sociais e em diversos sites de notícia. Na época, a então diretora foi afastada do cargo e o assunto se tornou público o bastante para que Caroline recebesse mensagens de apoio, inclusive cartas. “Eu comecei a receber cartas de carinho. Elas chegaram como um abraço. Foi muito importante.”

Caroline conta que as cartas a ajudaram a pensar positivo novamente. “Foi um momento que eu passei a aceitar o fato de estar careca. A cartas eram tudo que eu precisava. Levantou a gente de uma maneira muito especial. Fui do lixo ao luxo, a minha autoestima voltou”, ressalta.

Por meio do ocorrido, Caroline conheceu Carla e entrou para o Chá das Amigas. Ainda em tratamento, conforta o coração de centenas de pacientes e acompanhantes com palavras de ânimo e carinho. 
 

Um acidente para mudar a vida


(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Mesmo que o otimismo pareça algo inerente à personalidade de alguns, Patrícia Cândido garante que a característica pode ser treinada, desde que a pessoa que tem uma visão negativa sobre a vida esteja disposta a fazer mudanças radicais no comportamento e decida que realmente quer encontrar seu propósito e missão de vida. Isso facilita muito o pensamento positivo.

“Uma boa dica para manter o pensamento positivo em momentos difíceis é treinar a compreensão de que tudo é cíclico na natureza e na vida: o sol nasce e se põe todos os dias, as estações do ano ocorrem independentemente da nossa vontade. Compreender os ciclos e aceitar o seu encerramento sem apegos excessivos torna a vida mais leve, e a mente encontra melhores soluções”, recomenda.

Ela garante que, com isso em mente, as situações mais desafiadoras da vida são as que mais trazem crescimento, amadurecimento e fé. “Muitas vezes, a cama da UTI é o local mais pedagógico que uma pessoa já frequentou na vida”, conclui.

O policial federal Fernando Kratka, 40 anos, sofreu um acidente em setembro andando de snowboard no Vale Nevado, no Chile. Ele caiu e estava escorregando morro abaixo em alta velocidade. Colocou o braço na neve para tentar parar e sentiu uma dor tremenda. Ao tentar levantar, apoiando o outro braço no chão gelado, dor também. Conseguiu descer até a base da pista de esqui e decidiu ignorar o problema. Ele havia rompido os ligamentos dos bíceps de ambos os braços, algo raro.

Apesar de tudo, achou que não precisava ir ao hospital. “O aspecto estava normal. Os dois braços estavam iguais, porque eu tinha a musculatura já bem desenvolvida e porque estava inchado”, relembra. Quando, finalmente, resolveu ir a uma consulta médica, mais de um mês depois, e recebeu o diagnóstico, precisava escolher: operar os dois braços ao mesmo tempo ou um de cada vez. A segunda opção lhe pareceu melhor: “Eu não ia conseguir nem ir ao banheiro sozinho com os braços engessados”.

Atleta, Fernando praticava crossfit todos os dias, participou, inclusive, de competições nos Estados Unidos. Diante da mudança de vida, que deve se estender até março, quando poderá voltar a fazer algum exercício, ele conta que sua principal arma para enfrentar essa fase é o pensamento positivo. Às vezes, questiona-se qual o propósito de passar por tudo isso. “Com um sedentário, isso não acontece, não é?”.

“Confesso que nem sempre tem sido fácil me manter positivo. Minha vida mudou completamente. São muitas limitações, algumas dores e incertezas, mas as lições também estão sendo grandes. Agradeço a todos os meus amigos que sempre estiveram presentes, me enviando mensagens de apoio, carinho e força”, escreveu em seu perfil em rede social.

Em geral, quando um ligamento é rompido, é importante que a cirurgia seja feita na fase aguda da lesão, com menos chance de precisar de um enxerto. Se foi o pensamento positivo ou não, é difícil de saber, mas, mesmo com 53 dias desde o rompimento, o primeiro braço operado não precisou do enxerto. “O médico nem levantou a possibilidade de não precisar. Depois da cirurgia, foi que eu descobri. Ele disse que não queria dar falsa esperança”, conta, feliz.

Para ele, a forma de encarar o problema faz diferença. “Eu posso me vitimizar, ficar pensando por que isso aconteceu comigo, ou posso pensar que tem gente em situação muito pior. Agradecer por ser servidor público e ter o privilégio de tirar licença médica sem me preocupar com proventos, e aproveitar o tempo de recuperação para ler, estudar, em vez de ficar me lamentando.” Fermando admite que, em alguns momentos, sente mau humor, mas “bola pra frente”.

Ele conta que não foi sempre tão positivo assim. “Ao longo da vida, a gente vai passando por situações difíceis, e eu procurei evoluir. Quando era adolescente, não era assim. Eu me sentia o maior sofredor do mundo, mas me tornei uma pessoa que vê o lado positivo”, conta.

Educando positivamente

(foto: Arquivo pessoal )
(foto: Arquivo pessoal )
A nutricionista Greyce Aires, 29, tem um filho de 2 anos e 7 meses, e, embora reconheça que seja necessária muita paciência, tenta sempre manter o diálogo, em vez de ser autoritária, brigar e colocar de castigo. “Quando ele está fazendo algo que não pode, por qualquer motivo que seja, eu não só digo que não pode e mando parar. Eu explico que não é pra idade dele, que ele pode se machucar etc.”, exemplifica. Dessa forma, tanto ele quanto ela se sentem melhor.

Quando João Vitor tenta fazer algo mais difícil, em vez de fazer por ele ou dizer para parar, Greyce o incentiva. Sempre estimula o filho: “Você consegue, você é capaz”. Para ela, são atitudes que vão fazer com que o garoto desenvolva autoconfiança. “Eu acredito muito no poder da palavra. Quando ele faz algo certo, algo bom, sempre parabenizo.”

A psicóloga Glaucia Flores explica que todo ser humano tem necessidades básicas e, uma delas, é a necessidade de ser reconhecido positivamente. O elogio age como um reforço positivo e contribui para um desenvolvimento emocional e social saudável ao longo da vida. Elogiar uma pessoa pode desencadear uma série de emoções e sensações ligadas ao prazer, à alegria e à satisfação, e também acaba contribuindo para o fortalecimento da autoestima.

Greyce garante que o método tem dado certo. Uma das fases mais difíceis da infância são os 2 anos, apelidada de “terríveis dois anos”. Ela garante que nem chegou a conhecer os terrores dessa etapa. “Eu tinha até medo, mas eu não vi o João Vitor ter as crises de choro e de birra que as pessoas relatam”, conta. Para ela, uma criança que recebe excesso de broncas, castigo e ouve muitos gritos acaba sendo mais difícil.

As críticas construtivas, segundo Glaucia, muitas vezes, são necessárias e contribuem para o crescimento, mas existem aquelas palavras que só causam mal e sofrimento, por serem agressivas e por desqualificaren o outro, em vez de ajudá-lo a crescer.

Para Greyce, a criação que recebeu dos pais foi a ideal, e ela pretende replicá-la. “Eles sempre acreditaram no nosso sucesso, sempre investiram. Até hoje, meu pai mostra que me considera capaz.”  
 

Sobre ser feliz


Muitos se perguntam sobre a tal da receita da felicidade. E se isso fosse ensinado dentro de uma universidade? Em 2018, o câmpus do Gama da Universidade de Brasília (UnB) disponibilizou uma disciplina diferente, mas que conquistou os alunos. O conteúdo dela? Felicidade.

O professor Wander Pereira explica que a iniciativa surgiu com um conjunto de ações relacionados à saúde mental e ao aumento da qualidade de vida. “Percebi que era necessário fazer alguma ações sobre saúde mental. A gente criou uma comissão e, dentro dela, surgiu a ideia de fazer a disciplina”, comenta.

O mestre destaca que o objetivo da disciplina não é passar a receita da felicidade para o alunos, mas, sim, ensiná-los a buscarem isso. Durante as aulas, eles aprendem a lidar com adversidade da vida acadêmica, frustrações e medos, além de desenvolverem uma capacidade maior de  com os problemas.

De acordo com Wander, a procura pela disciplina foi enorme. Ele conta que nos primeiros três dias a turma já ficou lotada. Ao todo, foram 240 vagas ofertadas e ainda ficou gente na lista de espera. Para ele, o desempenho dos alunos foi ótimo. “Quando a gente começou, imaginamos que havia dificuldades,  principalmente na questão de cuidar de si mesmo, mas não pensamos que eram problemas tão grandes, que afetavam tanta gente.” 

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