Publicidade

Correio Braziliense NEURôNIOS EM DIA

A hiperconectividade dos adolescentes não deve ser motivo de pânico

Com base em um estudo publicado na Inglaterra, Ricardo Teixeira analisa efeito da tecnologia na saúde mental dos jovens


postado em 29/01/2019 10:00

Em outubro de 2018, o governo da Inglaterra advertiu a população de que os risco das mídias sociais sobre a saúde mental dos adolescentes deve ser encarado de forma muito séria, dizendo que ele é tão robusto quanto o do açúcar para a saúde física dessa população.

De fato, as pesquisas mostram que os adolescentes têm uma tendência em passar uma grande parte do tempo em que estão acordados conectados. E também  têm dormido menos porque estão hiperconectados. Mas qual será o real efeito desse fenômeno sobre a saúde mental?

Um estudo publicado este mês pela Nature Human Behaviour aponta que não há motivo para um estado de pânico entre os pais ou governantes. Os pesquisadores usaram um método de análise estatística mais rigorosa e mais crítica de três estudos de larga escala voltados à saúde mental dos adolescentes e mostraram que o impacto existe, mas é muito pequeno. Chega a ser responsável por no máximo 0.4% da variação do bem-estar psíquico de um adolescente.

Os pesquisadores compararam os efeitos do mundo digital com outros fatores que os adolescentes são confrontados, como exposição ao álcool, tabagismo, bullying, privação de sono, dieta saudável e hábito de tomar café da manhã, uso de óculos ou hábito de ir ao cinema, etc. Quase todos esses fatores tiveram efeitos mais significativos no bem-estar dos adolescentes que o tempo que passavam na frente dos dispositivos digitais. Em comparação aos 0.4% de impacto descrito acima, bullying tinha um impacto de  2.7% e uso da maconha era de 4.3%. O tamanho do efeito negativo das mídias digitais foi comparável ao hábito de comer batatas regularmente e menor do que o de usar óculos.

A pesquisa sugere que coloquemos as barbas de molho quando estamos diante de notícias alarmantes sobre esse assunto. E mais. Uma visão de 360 graus para o fenômeno da adolescência faz muito mais sentido.

*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade