Publicidade

Correio Braziliense

Garanta uma convivência saudável entre o bebê e o pet

A chegada de um neném em casa exige alguns cuidados com os cachorros. Saiba como se adaptar à nova rotina.


postado em 03/02/2019 09:00 / atualizado em 04/02/2019 12:07

Amanda e Eduardo organizam passeios com a filha Lara e os cachorros Nico, Mia e Kalise: uma nova família(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Amanda e Eduardo organizam passeios com a filha Lara e os cachorros Nico, Mia e Kalise: uma nova família (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Há quem crie os cachorros como filhos, mas o fato é que cuidar de um neném dá muito mais trabalho. A chegada de um recém-nascido gera mesmo mudanças bruscas na rotina de qualquer família. Incorporar a dupla função, de tutores e pais, nem sempre é fácil, porém, necessário.

Os empresários Amanda Oliveira, 26 anos, e Eduardo Santiago, 26, por exemplo, estão, atualmente, passando por esse processo de adaptação. A pequena Lara está com três meses de vida e há poucas semanas conheceu os seus bichinhos de estimação: os beagles Nico e Kalise e Mia, da raça boiadeiro australiano.

A bebê é uma novidade tanto para os pets como para Amanda e Eduardo. Pais de primeira viagem, eles decidiram deixar os cachorros em um hotel enquanto se familiarizavam com a nova rotina. “Eu não tinha condição de ficar com eles. Fiz uma cesária e eles gastam muita energia”, explica a tutora.

O casal confessa que ficou apreensivo com a reação dos cães diante da presença de Lara, principalmente com o comportamento de Kalise. De acordo com Amanda, a pet é muito agitada. “Quando a gente fez o chá de fraldas, a proibimos de entrar no quarto, porque iria rasgar tudo. Imagine, com uma recém-nascida, eu operada, tendo que lidar com as travessuras dela?”, diz.

Porém, os pets surpreenderam os tutores. Eles voltaram do hotel mais disciplinados e nem deram muito atenção para a pequena. “Foi até decepcionante. O Niko só ficou curioso, veio, cheirou e saiu. As outras duas nem ligaram, mas acho que a Mia sentiu mais”, detalha Amanda. Eduardo brinca: “A Mia ficava esperando a gente jogar a neném, como se fosse um brinquedo.”

Acesso restrito


O primeiro contato dos bichos com a criança demanda cuidados. Uma dica dos especialistas é não entrar em casa pela primeira vez com o criança, na presença dos cachorros. Esse momento deve ser feito com calma e com os cães tranquilos. A especialista em comportamento animal Michele Araújo ainda aconselha levar uma roupa do recém-nascido, enquanto ele estiver na maternidade, para o pet se acostumar com o cheiro do novo morador da casa.

De acordo com a pediatra Nathália Sarkis, do hospital Santa Lúcia, não há problemas de os bebês dividirem espaço com os cães, desde de que os pets estejam saudáveis e com as vacinas em dia. Porém, algumas atitudes devem ser evitadas, como o cão dormir na mesma cama que o bebê.

No caso de Lara, Amanda optou por não deixar os animais de estimação entrarem no quarto, devido à grande quantidade de pelo que eles soltam. “Ela é muito pequena. Conforme ela for crescendo, a gente vai liberando. Eles passeiam muito na rua, rolam na grama, então, prefiro evitar”, justifica a mãe.

Juliana e Thiago mudaram os hábitos de Bela e Sheik para prepará-los para a chegada de Maria(foto: Priscila Nayade/Divulgação)
Juliana e Thiago mudaram os hábitos de Bela e Sheik para prepará-los para a chegada de Maria (foto: Priscila Nayade/Divulgação)
Com os cachorros dos professores Juliana Bahé, 29, e Thiago Bahé, 30, não foi diferente. Com a chegada da Maria,  10 meses, Sheik, um spitz alemão, e Bela, uma bulldog inglês, tiveram o acesso restrito a alguns cômodos da casa. Segundo os tutores, durante a gravidez, os pets sentiram algo diferente, principalmente Sheik. Juliana conta que o cão chegou a fazer xixi no quarto da pequena, como se estivesse demarcando território. As noites de sono na cama do casal também foram extintas antes mesmo de a filha nascer.

Hoje, Maria já interage com os cachorros. “Ela coloca a mão neles, eles cheiram o pezinho dela”, comenta Thiago. De acordo com a pediatra Nathália, o convívio é benéfico, porém, os pais jamais devem deixar a criança sozinha com o cão. Além da supervisão, alguns carinhos devem ser evitados. “Não deixe o cachorro lamber o rosto do bebê nem manter o focinho muito próximo. Caso o pet lamba as mãos da criança, é preciso lavá-las depois”, cita. A higienização também é fundamental. O ambiente do pet deve estar sempre limpo e os potes de ração e água longe do alcance dos pequenos.


Participação especial


De acordo com o especialista em comportamento animal Douglas Gouvêa, do GetNinjas, a socialização com o neném e as restrições devem ser feitas ainda durante a gravidez. “O cão consegue identificar o bebê na barriga. O ideal é deixar eles participarem desse momento. Quando o cachorro cheirar a mãe, não o afaste de forma brusca, para que ele não se sinta de lado”, aconselha. Isso é necessário para que o cão não associe a criança a proibições, fazendo com que ele sinta que está perdendo espaço.

É preciso lembrar que os cães têm necessidades físicas e emocionais, que não podem ser ignoradas quando tiverem que dividir a atenção da família. O recomendado é reservar um tempo para o pet. Caso não seja possível, contrate um passeador. Uma dica do Douglas é incluir o pet na rotina com o filho. “Leve o neném para tomar sol junto os cães e faça passeio com ambos. Isso ajuda o pet a associar a criança a coisas boas, a momentos de lazer”, justica. Amanda, por exemplo, sai pelo menos três vezes ao dia com Lara e com os cachorros. Além disso, a empresária também leva a pequena quando vai alimentar os animais para eles se acostumarem com a presença da nova integrante da família.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade