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Correio Braziliense MODA

A alta-costura de Paris nos ensina que mais é mais

Em tempos de grandes apostas no minimalismo, a temporada de primavera 2019 da alta-costura de Paris se opõe ao discreto com criações suntuosas e opulentas


postado em 03/02/2019 07:00 / atualizado em 07/02/2019 16:05

O oceano é sempre uma referência para coleções de verão. A proposta de Zuhair Murad foi abusar de inúmeras camadas de tule %u2014 com certeza o tecido destaque nesta temporada de alta-costura %u2014 para mostrar um lado fantasioso e mágico das águas.(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)
O oceano é sempre uma referência para coleções de verão. A proposta de Zuhair Murad foi abusar de inúmeras camadas de tule %u2014 com certeza o tecido destaque nesta temporada de alta-costura %u2014 para mostrar um lado fantasioso e mágico das águas. (foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)

Alta-costura é quase sinônimo de fantasia. Riqueza de detalhes de incontáveis horas de produção também entram no dicionário de definição dessa vertente da indústria da moda. Para a primavera deste ano, a semana de alta-costura de Paris, que teve fim no último 24 de janeiro, defendeu em linguagem unânime o maximalismo, no sentido mais puro da palavra.


Entre as possíveis tendências, camadas e mais camadas de tecidos entram no jogo. O principal representante é o tule, que deu peso e poder a diversas criações. Comprimentos longos reinaram, mas também deram espaço aos minivestidos ultradecorados, assim como aos cabelos cobertos por toucas que lembravam trajes de piscina. Conceito e ironia também estiveram presentes e provam que a moda do luxo vai além da usabilidade: trata-se, sobretudo, de inspiração e encanto. ç

Fantasias

(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)
(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)

Inspirada no universo circense, Maria Grazia Chiuri, da Christian Dior, não hesitou em investir em peças estruturadas e visivelmente caricatas. O styling não fez questão dos cabelos à mostra e lançou na passarela um tipo de touca coberta de glitter que, fora do conceito do desfile, tem potencial para cair no gosto do clima carnavalesco.

(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)
(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)

Karl Lagerfeld substituiu o clássico vestido de noiva por um maiô coberto de diamantes. Por que não? O grand finale da grife Chanel ficou por conta do glamouroso swimwear complementado por uma touca brilhante da mesma textura, que segurava um longo véu de tule.

Camadas de volume 

(foto: Filippo Fior/Divulgação)
(foto: Filippo Fior/Divulgação)

Pierpaolo Piccioli, diretor criativo da Valentino, assumiu que é apaixonado pela alta-costura, pela leveza e singularidade que ela carrega. De fato, é isso que o estilista tem trazido à grife sob sua direção. Elogiado e premiado recentemente pelo Fashion Awards, como o estilista de 2018, Piccioli não economiza glamour, seja na própria alta-costura, seja no prêt-à-porter. Ele colocou brilho e cor nas passarelas deste verão, que sem dúvidas serão referências mundo afora.

(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)
(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)

Clare Waight-Keller acredita que a construção de uma roupa assemelha-se a um trabalho de arquitetura. Moderna, a diretora criativa da Givenchy apresentou uma coleção contemporânea e minimalista em alguns pontos, mas também acompanhou a febre dos shapes volumosos e texturizados.

A delicadeza do tule

(foto: Alessandro Viero/Divulgação)
(foto: Alessandro Viero/Divulgação)

As camadas volumosas de tule são diretamente proporcionais ao número de likes na internet. É bem provável que esse tenha sido o pensamento dos estilistas holandeses Viktor Horsting and Rolf Snoeren, da grife Viktor & Rolf, ao proporem a união do pop com moda de luxo, em um dos desfiles mais comentados da temporada. A brincadeira — por vezes irônica — de estampar vestidos opulentos e suntuosos com memes e frases que reinam no mundo on-line foi considerada uma apresentação digna de aplausos e cliques.

(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)
(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)

Giambattista Valli defende uma silhueta jovem, mas com um ar clássico. Nesta temporada, seguiu a linha dos tules volumosos que complementamum tipo de body suit.

Máximo de formas

(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)
(foto: Alessandro Lucioni/Divulgação)

Se a regra é volume, então que venha em todos os formatos. O shape circular apareceu em diversos desfiles, coberto por níveis incontáveis de babados e plumas. As grifes Alexandre Vauthier e Schiaparelli usaram a imaginação para propor fantasia e beleza na mesma medida. 

 

 

* Estagiária sob a supervisão de Flávia Duarte

 

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