Publicidade

Correio Braziliense ESPECIAL

Carnaval também é tempo de empreender

Com a entrada definitiva da capital no circuito da folia, brasilienses encontram uma oportunidade para transformar hobby em um negócio rentável


postado em 24/02/2019 08:00 / atualizado em 22/02/2019 11:44


 
Maria Cristina Melo cria e produz as peças da Purpurinárias. Para tanto, conta com a ajuda da filha Lorena. (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Maria Cristina Melo cria e produz as peças da Purpurinárias. Para tanto, conta com a ajuda da filha Lorena. (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
 
Carnaval é sinônimo de festa. Em Brasília, porém, até pouco tempo atrás, a data era vista apenas como um feriado prolongado ou uma chance para curtir a folia em outro estado. Com o surgimento — e crescimento — dos blocos de rua, a capital federal não só entrou no circuito carnavalesco como ganhou um novo tipo de empreendedorismo. Como onde há demanda, cria-se oferta, vários brasilienses encontraram na folia uma oportunidade de montar um negócio, desenvolver uma paixão, embelezar as ruas e ganhar dinheiro.

A expectativa do Governo do Distrito Federal é que mais de 2 milhões de foliões tomem as ruas da capital este ano. Com um público tão grande, a procura por produtos carnavalescos é certa. “Para criar um negócio de sucesso, é fundamental ter soluções boas para os problemas das pessoas”, explica a educadora financeira Carolina Ligocki, da Oficina de Finanças. Identificar demandas no dia a dia é o primeiro passo. “Fantasias, transporte, comida e bebida nos blocos de rua costumam ser problemas comuns”, aponta a educadora.

Ainda segundo Carolina, uma marca de sucesso precisa de boa comunicação e bom design. Feiras, lojas colaborativas e a própria internet facilitam a exposição dessas marcas e o crescimento do segmento em Brasília. “É fundamental entender seu público e conversar com ele.”

Ana Luiza Marinho, especialista em comportamento de consumo, complementa, ao explicar que uma marca é muito mais que um produto, é um estilo de vida que está sendo vendido. “E é importante que os consumidores também comprem essa ideia.” Para ela, até existem momentos econômicos mais favoráveis para empreendimentos novos começarem. Mas, com uma boa ideia e muita vontade, diz Ana Luiza, é possível prosperar mesmo nos cenários mais adversos.

Negócio em família

“Produzir-se e purpurinar-se transforma as pessoas. Ter um acessório lindo e brilhante na cabeça é empoderador e te faz se sentir mais forte e grandiosa”, acredita Lorena Melo Rabelo, 26 anos. A tradutora e a mãe, Maria Cristina Melo, 56, criaram a marca Purpurinárias e confeccionam peças para abrilhantar o carnaval brasiliense desde 2016.

A artesã é responsável por criar e produzir as peças, com auxílio da filha. À jovem cabe também cuidar da divulgação e comunicação com o público. Próximo ao carnaval, a irmã e o sobrinho de Maria Cristina dão uma ajudinha. “Quando vemos nossas clientes montadas, cheias de orgulho do look, brilho no rosto e sorrisão na cara pulando carnaval, não tem coisa melhor. Nós fabricamos sensações, momentos, tesouros”, descreve a dona da marca.

A Purpurinárias já extrapolou os limites do quadradinho e recebe pedidos de todo o Brasil, especialmente do Rio de Janeiro e de São Paulo. As brasilienses também levam o brilho da marca para carnavais fora da cidade. Lorena acredita que a data tem sido levada mais a sério aqui no Distrito Federal. “O carnaval é um momento muito especial e particular. Passamos o ano todo carregando bandeiras de luta, mas, durante o feriado, poder vestir esta luta de forma alegórica e festiva faz com que a mensagem ganhe uma amplitude maior. É muito bonito e significativo”, considera a tradutora.

Para elas, saber de onde vem a peça comprada faz toda a diferença na produção final. Quem compra de quem faz sabe a procedência do produto, como e por quem foi feito, e escolhe o projeto ou a ideia de quem quer financiar. “Nossas clientes são maravilhosas demais, elas querem ver a gente crescer e fazer parte disso tiara a tiara”, alegra-se Lorena.

A exclusividade do artesanal também é um fator importante. Raramente, as peças são iguais e, no caso de algumas marcas como a Purpurinárias, ainda há a possibilidade de se encomendar um arco personalizado, tornando-o ainda mais especial.

Arte em vários segmentos

 

O artista Luiz Felipe Ferreira transformou a paixão de infância em negócio(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O artista Luiz Felipe Ferreira transformou a paixão de infância em negócio (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 


O amor pela profissão nasceu com o carnaval. Acostumado a frequentar os bailinhos de uma companhia de teatro desde criança, Luiz Felipe Ferreira, 29 anos, se apaixonou pela arte de representar e decidiu seguir a carreira. “Eu me encantei pelo teatro já maravilhado pelo carnaval; então, os dois sempre andaram juntos para mim”, relata.

A proximidade é tanta que Luiz Felipe decidiu criar a própria marca de vestuário, unindo as duas paixões. Segundo o artista, é uma forma de exercitar uma parte do processo criativo. Nasceu, então, a Divino Maravilhoso. “Cada composição vem carregada de conceito, de um processo de elaboração minucioso. Eu busco oferecer ao público um produto que tenha sido pensado artisticamente”, descreve.

A marca surgiu em 2018, mas a semente foi plantada em 2017. Luiz fez uma coroa de sol para uma festa de aniversário e a receptividade foi tanta que ele resolveu expandir a produção e começar a comercializar os acessórios. Hoje, o artista é responsável por criar e confeccionar as peças e por administrar a marca.

As tiaras de cabeça e as ombreiras metalizadas são criadas originalmente para cada carnaval, no formato de coleções. Este ano, a novidade são os quimonos de paetê. A intenção é agradar tanto a homens quanto mulheres, público que cresce a cada ano no Distrito Federal.

Segundo o artista, a procura é bem grande, mas a oferta de material não condiz com a demanda. “Eu acredito que o fornecimento de matéria-prima aqui ainda é muito escasso, embora a procura aumente a cada ano”, pondera. 

Juntas elas são mais fortes

"As pessoas gostam de se produzir e fazer a diferença no carnaval. Comprar do pequeno produtor é girar a economia local, ajudar uma família, uma mãe solo. É também, de alguma forma, contribuir para a emancipação de mulheres artesãs" Luiza Almeida, 39 (foto: Rogério Leandro/Divulgação)
 


A parceria das amigas Dapheny Day, 33, e Luiza Almeida, 39, é de longa data. Porém, este ano, as professoras e artesãs resolveram se unir e criar a marca de acessórios A Quatro Mãos. Ainda que cada uma tenha o seu próprio negócio, entenderam que mulheres juntas são muito mais poderosas.

O carinho pela época festiva e toda a alegria que ela carrega são a principal motivação da dupla. No entanto, a vontade de criar peças com conteúdo político também as instiga. “As pessoas gostam de se produzir e fazer a diferença no carnaval. Comprar do pequeno produtor é girar a economia local, ajudar uma família, uma mãe solo. É também, de alguma forma, contribuir para a emancipação de mulheres artesãs”, acredita Luiza.

A inspiração para as tiaras, quimonos e ombreiras vem de artistas, memes famosos e do posicionamento que elas querem transmitir. “Como uma marca produzida por mulheres, temos a preocupação de mostrar que o corpo feminino não é um convite, independentemente da roupa que veste ou da forma como se porta. A mulher deve ser livre para se divertir sem assédio ou julgamentos”, descreve uma das sócias.
 
 
As amigas Dapheny Day e Luiza Almeida querem passar uma mensagem às mulheres com suas peças Luiza Lemos, Bruna Ramos e Bárbara Ramos lutam pelo empoderamento do empreedorismo feminino (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
As amigas Dapheny Day e Luiza Almeida querem passar uma mensagem às mulheres com suas peças Luiza Lemos, Bruna Ramos e Bárbara Ramos lutam pelo empoderamento do empreedorismo feminino (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
 
Fortificar o empreendedorismo feminino é também uma bandeira que as sócias do Seja Carnavalesca querem levantar. Luiza Lemos, 26, Bruna Ramos, 29, e Bárbara Ramos, 27, procuram fortalecer, assim como a própria marca, outras empresas por meio de parcerias — as fornecedoras de glitter e os locais onde elas expõem os produtos são todos comandados por mulheres. 

Para elas, o diferencial da marca é a pluralidade de opções. “A vantagem é que você tem uma diversidade muito maior. Em lojas tradicionais, as fantasias já estão prontas e seguem um padrão. As pessoas em Brasília estão indo para a rua e criando um movimento muito mais artístico. Elas querem peças cada vez mais bonitas e personalizadas”, descreve Luiza. 

Make sob medida
A empresária Jacqueline da Silva Ferreira viu na paixão uma oportunidade de negócio. Cansada de trabalhar no meio publicitário, decidiu abrir uma lojinha, a Já Que Amou,  com uma curadoria de maquiagens especiais. Para o carnaval, ela apostou em diversos tipos de glitter, sombras coloridas e acessórios para complementar o visual. A paleta Anairana é a aposta para os dias de folia. Com 24 tons vibrantes, é ideal para todas as fantasias. As makes da Já Que Amou foram utilizadas no editorial de carnaval desta edição.

 

*Estagiárias sob supervisão de Sibele Negromonte 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade