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Correio Braziliense BICHOS

Saiba mais sobre as dermatites caninas

A doença é a principal causa de visitas ao consultório veterinário. A gama de agentes causadores é extensa


postado em 10/03/2019 08:00 / atualizado em 07/03/2019 14:34

Júpiter está em tratamento contra a dermatite desde agosto do ano passado(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Júpiter está em tratamento contra a dermatite desde agosto do ano passado (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

 
Ver um animal de estimação se coçando parece uma atitude corriqueira. No entanto, isso normalmente representa um sinal de que há algo de errado com o bichinho. A coceira é um dos sintomas da dermatite — processo inflamatório que acomete a pele e é uma das doenças mais comuns em pets. Com diferentes variações e agentes causadores, todos os tipos dessa enfermidade causam desconforto e exigem tratamento especializado.

Além da coceira, outros sintomas demandam atenção dos tutores. Como explica Marcello Machado, médico veterinário da Equilíbrio Raças Específicas, alguns exemplos são prurido (coceira), vermelhidão e irritação no local de contato. Também podem surgir regiões alopécicas (com queda do pelo) e o cãozinho pode lamber muito o local com a lesão.

Todos esses sinais são provenientes de infecções de responsabilidade de diferentes causadores. Especialmente em animais que apresentam imunidade baixa ou algum desequilíbrio no organismo, as infecções costumam encontrar terreno mais fértil. “A doença pode ter diversas origens, como questões neurológicas, infecciosas, virais e bacterianas”, detalha o especialista.

Fernanda Ramos, dermatologista veterinária, explica que também existem outras causas de base, tais como alguma doença endócrina ou possíveis traumas. “Mas cerca de 30% das alergias são por conta de picadas de pulgas ou carrapatos”, acrescenta.

O diagnóstico, frequentemente, é feito por observação clínica e pelo exame de raspagem — no qual o veterinário coleta um pedaço da pele do animal para avaliação. Porém, existem outras formas de identificação da doença, como o exame citológico e, em alguns casos, a biópsia.

O tratamento depende da identificação do agente causador, que pertence a uma larga gama de possibilidades. No caso das dermatites alérgicas, é fundamental identificar o agente causador e retirá-lo da vivência do pet. “O ideal é controlar o ambiente porque assim os efeitos serão minimizados”, explica o veterinário.

Outra ferramenta é montar o perfil alérgeno do animal para identificar quais são os fatores que causam a reação. Durante o período de crise, os especialistas indicam medicações e xampus especiais, mas sempre com acompanhamento médico.

Tratamento


O tratamento do schnauzer anão Júpiter, de 1 ano e meio, dura desde agosto do ano passado. Após passar um tempo em um hotel para cachorros, o bichinho voltou para casa com vários caroços na pele, especialmente na barriga, por conta de uma recém-contraída dermatite bacteriana. “Ele não é um cachorro que costuma se coçar. Reparamos que ele passou a ter esse tipo de comportamento, lambia muito a pele e tinha algumas manchinhas”, conta a tutora Darlene Martins, 33 anos.

Para resolver o problema, o dermatologista receitou 21 dias de antibiótico e a limpeza com xampu especial durante um mês. Porém, o resultado não foi alcançado de primeira. Júpiter teve que voltar ao consultório e refazer o ciclo. “Na primeira vez em que ele foi ao dermatologista, não nos foi indicado o quanto o medicamento era forte e que ele precisaria de hidratação para a pele”, relembra Darlene. O resultado foi uma descamação severa.

Eles trocaram de médico e “Júpiter só se curou depois que tosamos todo o pelo dele”, diz. Agora, o cachorro continua com o tratamento para reconstrução e diminuição dos efeitos dos remédios. “Ele não se parece mais com um schnauzer, mas o importante é que agora a saúde dele volte, como tem que ser”, espera a tutora.


Cuidados importantes


Ainda que diferentes fatores possam desencadear a dermatite nos pets, o que dificulta a prevenção, existem algumas atitudes que protegem do processo inflamatório. As recomendações do veterinário Marcello Machado são evitar excessos no banho — indica-se que eles sejam quinzenais ou a cada 20 dias —, preferir sempre produtos hipoalergênicos, que são menos agressivos para a pele, e atenção à temperatura da água, que não deve ser muito quente.

Como a baixa imunidade atrai doenças oportunistas, cuidar da alimentação do animal também é fundamental. Os ácidos graxos, especialmente da família do ômega 3, têm propriedades anti-inflamatórias, e o zinco ajuda na formação da derme, mas sempre com acompanhamento de um especialista.

“Uma boa alternativa é orientar para que o animal tenha uma dieta funcional especial para cada tipo de patologia. Existem rações direcionadas à manutenção da pele que são muito eficientes em prevenir ou minimizar os problemas de pele”, indica a veterinária Fernanda Ramos.

 
Sem cura


A variação mais severa das dermatites é a atópica, doença crônica de origem genética. Segundo Fernanda Ramos, a doença é o motivo mais recorrente para que os tutores visitem as clínicas de dermatologia animal.

A doença começa com coceiras, depois vermelhidão e desencadeia, futuramente, outras dermatites secundárias. “O que podemos fazer é tratar as infecções para tentar garantir qualidade de vida ao pet, mas é algo com que ele vai precisar conviver o resto da vida”, explica.

Quanto aos sintomas, qualquer diferença de comportamento vale cuidado. Os animais coçam ou passam a lamber, em excesso, alguma parte do corpo. Além disso, o cão pode apresentar edemas ou descamação, produzidas por alterações no sistema imunológico, e otites recorrentes.

O tratamento da doença exige acompanhamento de perto de um veterinário especialista e varia muito a cada quadro. Algumas alternativas são tratamento com células-tronco ou monoclonal. O indicado é que o tutor procure um médico assim que identificar alterações ou possíveis semelhanças com esses sintomas.
 

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
 

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