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Correio Braziliense FITNESS & NUTRIÇÃO

Mulheres aliam autodefesa à atividade física

Em busca de se sentirem mais seguras, elas procuram modalidades de luta e encontram um exercício físico rico em benefícios para a saúde


postado em 10/03/2019 08:00 / atualizado em 10/03/2019 10:03

(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Quem algum dia chamou o gênero feminino de sexo frágil precisa rever urgentemente seus conceitos. Provavelmente, quem usa esse termo nunca entrou em um tatame na presença delas. A força da atividade não é medida pelo tamanho dos músculos, o que vale é a força de vontade. A motivação? Sentirem-se mais seguras.

Os números relacionados à violência contra a mulher sempre assustam. Nos noticiários, os casos de agressão aparecem com frequência. Não há como negar que muitas sentem medo pelo simples fato de serem mulheres. Para amenizar a situação, muitas têm buscado os mais diversos tipos de luta, encontrando, de bônus, uma forma de movimentar o corpo.

De acordo com a instrutora de krav maga Vanessa Oliveira, a busca pela modalidade, por exemplo, tem aumentado. O público feminino já corresponde a cerca de 40% dos alunos. “O krav maga se adapta muito bem para as mulheres porque usa pontos sensíveis do agressor, então não se usa força contra força”, comenta.

A advogada Lidiane Lira, 24 anos, é umas das mulheres que aderiram à prática da luta. Ela faz a atividade seis vezes na semana, intercalando entre jiu-jitsu e krav maga. De estatura baixa e corpo magro, a advogada garante que o medo e a sensação de impotência foram os principais motivos que a levaram a escolher a luta como atividade física. “Hoje, eu ando na rua mais atenta, mas, ao mesmo tempo, mais tranquila. Eu consigo uma paz de espírito, que eu não tinha, em saber que eu consigo fazer alguma coisa para me ajudar”, ressalta.

Segundo o professor Victor Lage, da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB), as lutas permitem o aprendizado de golpes e técnicas para conflito corporal, além de incorporar nos hábitos diários atitudes preventivas, que evitam ações comuns, como roubo ou assalto. “Outros fatores na dimensão comportamental ou psicológica são desenvolvidos, como a confiança e o controle emocional para percepção, análise e tomada de atitude para enfrentar as situações de risco”, complementa.

Além da mudança de comportamento, Karine percebeu mudança física depois do Krav maga(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Além da mudança de comportamento, Karine percebeu mudança física depois do Krav maga (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
A estudante Karine Santiago, 24, faz krav maga há cerca de dois anos e, além de aprender golpes de defesa, viu a luta afetar seu comportamento. “Passei a prestar mais atenção na rua. Consigo perceber sinais, fico mais atenta. A gente tem uma percepção diferente do que acontece ao redor, até para ter uma postura de defesa, caso precise”, destaca.

De acordo com Vanessa, o krav maga, além de trabalhar o corpo, aprimora a capacidade de reação, ajuda a perceber quando uma agressão vai acontecer e contribui para a autoestima.

Muito além de golpes


Além de golpes de defesa, Karine e Lidiane garantem que os benefícios físicos são notórios. “A respiração melhorou, consigo correr melhor, eu me sinto mais disposta no dia a dia”, afirma Lidiane.

De acordo com Victor, se combinada com uma alimentação saudável, a luta pode ser uma ótima alternativa para quem busca pernas torneadas ou até mesmo uma cintura mais fina. A atividade melhora o tônus e contribui para o aumento do volume muscular.

Algumas lutas exploram ainda capacidades físicas específicas com mais intensidade. Taekwondo, wushu/sanda, capoeira e caratê trabalham bastante a flexibilidade e o equilíbrio dos membros inferiores, enquanto judô, jiu-jitsu e luta livre, a força e a velocidade.


De olho nos riscos


Apesar de estarem fazendo aulas para aprenderem a se defender, Lidiane e Karine têm a consciência de que, na maioria das investidas violentas, o ideal é não reagir, principalmente em casos de ações à mão armada. “Você tem que ter a noção do perigo. Aqui é só para quando for necessário e não tiver outra saída”, afirma Karine. “Se o cara vier pedir algum bem meu, eu vou entregar. Não estou sendo treinada para atacar ninguém nem para reagir. Estou aqui para, se alguém quiser me agarrar ou tentar fazer alguma coisa com a minha vida, eu chegar em casa viva e inteira”, complementa Lidiane.

Segundo o pesquisador em segurança pública Nelson de Souza, antes de reagir a um ataque, independentemente da natureza dele, é preciso analisar as próprias condições, as ferramentas à disposição — nesse caso, a arte da defesa — e a potencial surpresa que a vítima pode ter em relação ao atacante, além de domínio psicológico diante de situação. “Geralmente, não estamos preparados para fazer esse tipo de análise e, na maioria das vezes, não somos capazes de reagir no tempo necessário com a condição necessária, e o resultado final acaba sendo em favor do atacante”, alerta.

Quanto a ataques com arma, a condição de defesa fica ainda mais reduzida. Nelson ressalta que os agressores, normalmente, estão nervosos e muitos não têm nada a perder, enquanto a vítima tem. Assim, a qualquer possibilidade de reação, o agressor tende a puxar o gatilho.

Benefícios para a saúde

• Aumento da densidade mineral óssea, o que auxilia na prevenção e no tratamento da osteoporose.
• Aumento da massa muscular, o que auxilia na qualidade de vida e no combate à sarcopenia (um quadro degenerativo de perda de massa muscular e força que fragiliza o ser humano no processo de envelhecimento.
• Melhoria do equilíbrio e da coordenação motora.
• Desenvolvimento de fatores protetores para a saúde mental, como melhora da autoestima, autoconfiança, concentração e memória.

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