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Correio Braziliense BICHOS

Rinite também é um problema dos animais

Ter a doença não é exclusividade dos tutores. A inflamação pode ter múltiplas origens e causa dificuldades respiratórias para os pets


postado em 17/03/2019 08:00 / atualizado em 14/03/2019 12:40

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

 
 
É muito comum encontrar casos de pessoas que têm rinite, quadro que, muitas vezes, se agrava na presença de animais. O que nem todos sabem é que os bichos também estão propensos a ter esse tipo de problema. Os tutores precisam estar atentos. Espirros, secreção nasal, sensibilidade no nariz, ruído respiratório e dificuldades para respirar são alguns sinais de que o pet pode ter a doença.

De acordo com Carolina Freitas, veterinária da clínica SPet, a rinite é caracterizada por uma inflamação nas vias superiores e nos tecidos da cavidade nasal. Já a sinusite, doença com a qual a patologia muitas vezes é confundida, é a inflamação nos seios nasais — espaços preenchidos de ar dentro dos ossos. “Ainda que sejam parecidas, a rinite é mais frequente entre os animais”, explica a especialista.

As causas podem ser diversas. Nem sempre o problema vem de uma alergia — a doença pode ser motivada por bactérias, vírus e até mesmo por fungos. Segundo a veterinária, os casos de natureza viral são os tipos mais comuns. Traumas na região da narina e tumores também são possíveis origens da patologia, especialmente em animais idosos.

O pet que convive com o tutor fumante também corre mais riscos. O fumo passivo influencia nos processos alérgicos de sinusite, rinite e outras “ites” no animal. “Isso também vale para lugares poluídos e com muita fumaça”, indica Carolina.

Além disso, a inflamação pode ser desencadeada por alguma doença dentária, como esclarece Lívia Dreer, veterinária especialista em ortodontia. Muitas vezes, o animal é diagnosticado com rinite, porém a causa não é identificada. “Isso acontece porque as pessoas se esquecem de olhar a boca do pet”, relata. “Como na face tudo está interligado, uma infecção nos dentes pode subir até alcançar as cavidades nasais”, detalha a especialista.

Problema nos caninos


Esse é o caso de Costelinha, 14 anos. O terrier brasileiro, também chamado de fox paulistinha, está lutando contra os problemas da idade avançada. Além da rinite desencadeada por uma disfunção dentária, o bichinho tem problemas no fígado, no coração e no pâncreas, por conta da idade.

A tutora dele, Anna Eloyr, 24, conta que desde o ano passado o cão apresenta secreção espessa e amarelada nas narinas. Para cuidar da rinite, Costelinha passou por um procedimento dentário visando identificar a causa da infecção, na semana passada. “Ele é muito velhinho, mas nós percebemos o quanto ele luta pra viver. Queremos cuidar para que ele dure mais anos”, preocupa-se a tutora.

O cachorro está sob os cuidados da veterinária Sérgia Beatriz Santana, especializada em ortodontia. “O acúmulo de tártaro, que na maioria dos casos acontece nos dentes caninos, pode avançar em direção à raiz. Isso causa a destruição óssea e pode atingir tanto as cavidades oral como a nasal. Em consequência disso, se produz um quadro inflamatório infeccioso”, relata a especialista.

Geralmente, a complicação acomete pacientes mais idosos, que não têm histórico de tratamento odontológico, e nesses casos, a recomendação é de que o dente em que há a lesão seja extraído. “Algumas vezes, essa alteração é diagnosticada de forma incorreta e é feito o uso crônico de antibióticos. O animal apresenta melhora e, depois, retorna ao consultório por precisar realizar um novo ciclo em pouco tempo”, descreve Sérgia Beatriz.

Prevenção


Ainda que, por conta da multiplicidade de causas, a prevenção seja complicada, a veterinária Lívia Dreer explica que, especialmente no caso das infecções de origem dentária, as avaliações periódicas — pelo menos uma vez por ano — são opções fundamentais de profilaxia.

Carolina Freitas completa que é difícil determinar a causa exata da rinite alérgica, mas a doença é geralmente motivada por ácaros e outras substâncias presentes no ar. Por isso, vale manter o ambiente onde o animal fica sempre higienizado. “Para não provocar irritação das vias respiratórias, procure evitar perfumes e produtos de limpeza com cheiro muito forte”, aconselha. Também é indicado o uso de umidificador, principalmente no período de seca.

Se o animal apresentar os sintomas, é recomendável que o tutor pesquise a possibilidade da doença. O diagnóstico é feito primeiro a partir de uma conversa com o dono para que se entenda sobre o histórico do bicho. Em seguida, é realizado um exame clínico e, em alguns casos, radiografia ou rinoscopia. Lívia Dreer acrescenta que, às vezes, são necessários exames de citologia, para analisar a secreção, ou biópsia da narina.

Depois de conhecida a causa, o animal pode iniciar a intervenção, dependendo da natureza do problema. Em casos bacterianos, com antibiótico. Também são exemplos de tratamento os anti-inflamatórios, os antifúngicos e até mesmo os corticoides. O uso de nebulizador ou umidificador são aliados para desobstruir as vias respiratórias.

*Estagiárias sob supervisão de Sibele Negromonte
 
 

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