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Correio Braziliense BELEZA

Arco-íris particular: tudo sobre análise cromática

Também conhecida como colorimetria, a técnica tem se popularizado entre as pessoas que querem descobrir quais cores realçam melhor a aparência


postado em 17/03/2019 08:00 / atualizado em 17/03/2019 11:20

A consultora de imagem Helô Drummond aplica o método sazonal expandido para analisar suas clientes(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A consultora de imagem Helô Drummond aplica o método sazonal expandido para analisar suas clientes (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A escolha diária que fazemos diante do armário, definitivamente, não é algo aleatório. O ato de se vestir diz muito sobre nossa personalidade, nosso humor e, obviamente, sobre a imagem que queremos passar em uma determinada situação. A moda oferece muitas possibilidades de estilos e cores, mas você sabe dizer quais lhe favorecem mais?

O serviço de análise de coloração pessoal tem se popularizado pelas redes sociais, e as fotos realmente impressionam. Parece um exagero afirmar que a tonalidade da roupa pode disfarçar olheiras e imperfeições como em um passe de mágica, porém é o que ocorre. O longo e minucioso processo visa identificar exatamente quais são as cores que vão harmonizar com o tom da pele, dos olhos, dos cabelos, da sobrancelha e com a beleza natural de cada pessoa. Tudo isso com base nos pigmentos que nos compõem.

A técnica, desenvolvida pela americana Suzana Caygill na década de 1940, inspirada nos estudos dos grandes teóricos da coloração, parte de uma premissa do campo da física, mais especificamente da teoria da luz, de que as cores, por ser um fenômeno essencialmente ótico, quando próximas umas das outras, interagem entre si.

“Isso quer dizer que a nossa percepção das cores varia, a depender da luz do ambiente e de tudo que está próximo. É algo que percebemos, por exemplo, ao escolher a cor de uma parede. A depender da luz do ambiente e das cores dos móveis e demais itens que estão perto, a cor pode parecer bem diferente”, explica a consultora Rosa Guimarães.

O mesmo acontece com as pessoas. As cores de roupas, acessórios, maquiagem e coloração capilar interagem com nossa “cartela de cores” natural — que está concentrada no rosto. Optar por tons que harmonizam com ela proporciona uma pele com aparência mais saudável e iluminada, suavizando pequenas imperfeições que incomodam, como olheiras, manchinhas e marcas de expressão. “Errar” na cor gera o efeito oposto.

Método

Para chegar ao resultado final, alguns critérios são avaliados, como contraste pessoal,  temperatura, intensidade e profundidade — tudo com o auxílio de panos coloridos desenvolvidos especificamente para esse estudo. Helô Drummond trabalha com consultoria de imagem há quatro anos, porém desde o ano passado começou a aplicar também a análise de cores.

“Utilizo o método sazonal expandido, que define 12 grupos diferentes de coloração, tendo como referência as quatro estações do ano”, explica. Cada estação conta com três subdivisões: brilhante ou suave, claro ou escuro, frio ou quente, o que torna a escolha da cartela ainda mais precisa para cada tipo de pessoa.

Como a cor é um fenômeno essencialmente ótico, fatores simples, como a luz do ambiente, são determinantes para um resultado preciso. “Por isso, a análise somente pode ser feita à luz natural ou com luz artificial que imite a temperatura da luz ambiente. É o fator mais importante para a segurança do diagnóstico”, acrescenta Rosa.

Além disso, utiliza-se um material próprio, em tom de cinza neutro, para isolar a roupa e o cabelo, caso a cliente tenha algum tipo de coloração cosmética. Evita-se ainda executar o teste perto de paredes coloridas. A consultora também precisa vestir roupa neutra para não interferir na percepção da pele estudada.

Diferentemente do que a maioria das pessoas acredita, o preto e o branco não são cores unânimes. Entretanto, Helô defende que há algumas opções mais universais, pois são equilibradas com relação à temperatura, à intensidade e à suavidade, a exemplo do azul-marinho. E se sua cor preferida não fizer parte da sua cartela de cores? É preciso parar de usá-la? Abrir mão das roupas em prol de uma imagem mais bela?

“A análise de coloração pessoal jamais deve ser feita para lhe aprisionar, mas, sim, para abrir o seu horizonte e lhe mostrar novas e melhores possibilidades de cores para o seu closet. Sou contra jogar fora todas as blusas que não estão na sua cartela pessoal”, acrescenta Helô. Para isso, ela sugere algumas técnicas para amenizar o impacto negativo, como um acessório com a cor da sua cartela ou uma maquiagem correta e, às vezes, até uma terceira peça: blazer, colete ou casaco.

Para Rosa Guimarães, o investimento no serviço de coloração pessoal é muito válido. Uma vez descoberta a cartela que mais harmoniza com a sua beleza, ela servirá para o resto da vida, como guia para a escolha dos melhores tons de roupas, acessórios, maquiagens e cabelo. “De maneira geral, a nossa cartela não muda com o tempo.”

Escolha certa

A servidora pública Marília Almeida, 32 anos, já tinha ouvido falar da análise cromática, mas parecia algo muito distante da sua realidade. “Pensava: sou uma mulher com uma vida comum, não preciso disso.” Marília começou a mudar de ideia ao observar as mudanças no estilo de uma colega de trabalho que tinha usado o serviço. Convencida, recorreu a Rosa no meio do ano passado para descobrir suas cores.

A cartela Outono Escuro é foi recomendada para Marília Almeida, após a análise com Rosa Guimarães.(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A cartela Outono Escuro é foi recomendada para Marília Almeida, após a análise com Rosa Guimarães. (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Outono escuro foi o resultado obtido. Entre as tonalidades preferidas da cartela, estão verde-militar, marsala, coral e mostarda. A última foi uma grande surpresa. “Eu achava que não servia pra mim e hoje é a cor que eu mais tenho peças no meu armário”, comenta. Ela reconhece que desenvolveu um olhar bem mais crítico e direto, sabe dizer o que combina e, na hora de se vestir, não tem mais tantas dúvidas.

Além da praticidade, Marília observa que ganhou autoestima, avalia que se veste melhor e se sente bem com o estilo que adotou a partir da análise cromática. “Eu usava roupas muito básicas e até mesmo inadequadas para minha fase de vida pessoal e profissional.”
 
 

Eu, repórter

Nunca soube muito sobre cores, mas tenho um armário colorido e gosto de incluir diversos tons na hora de me vestir. Sempre tive a impressão de que peças amarelas vivas não me favoreciam, pelo meu tom de pele amarelado. Usava apenas o mostarda. Porém, isso nunca teve embasamento algum. Por um tempo, não gostava de usar vermelho, mas hoje tenho várias peças dessa cor e gosto do efeito.

Quando conheci esse serviço fiquei curiosa, primeiramente, para saber se meus “achismos” estavam certos e, obviamente, para descobrir quais outras cores me favorecem. Encontrei com a Helô para buscar essas respostas. Sempre via as fotos nas redes sociais e a primeira reação era sempre duvidar, desconfiar que estava editada, que tinha filtro, etc. Mas pude confirmar com meus próprios olhos o efeito surpreendente de uma cor adequada.

Para realizar a colorimetria, é preciso estar sem nada de maquiagem no rosto. Também precisei tirar os brincos, mas não usar a faixa cinza no cabelo, porque ele está com a cor natural. Não é fácil encarar o reflexo no espelho durante 1h30 com as olheiras de cansaço totalmente aparentes, mas só assim é possível perceber as mudanças.

Algumas diferenças são muito sutis e quase imperceptíveis para um olhar destreinado, mas Helô me mostrava com a maior paciência cada alteração e sempre perguntava se eu concordava com a opinião dela. Quem sou eu para discordar, não é mesmo? Depois de muitas trocas de tecidos, ela me apresentou a resposta: inverno brilhante.

Uma cartela bem colorida e privilegiada pela presença do preto e do branco. Minha impressão sobre o vermelho estava correta, tenho várias tonalidades que me favorecem como opção. Mas, surpreendentemente, o mostarda está descartado, por ser um tom quente. Amarelos vivos, verde-esmeralda, rosa-pink e cinza são algumas das minhas opções. O roxo também e, ironicamente, eu não tenho uma peça sequer nesse tom.

Descobri ainda que o bronzer que uso como blush não me favorece — devo dar preferência aos tons rosados. Para os acessórios, posso escolher entre peças douradas e prateadas, mas sempre polidas e com bastante brilho. Particularmente, adorei a experiência. Eu me impressionei com a precisão do método e acho que minha próxima ida ao shopping será muito mais sensata.

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