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Correio Braziliense PERFIL

Juliana Santos: dona do luxo nordestino

À frente da Dona Santa, uma das maiores multimarcas do Brasil, Juliana Santos relembra a trajetória de sucesso e não se abala em tempos de transformação no mercado da moda


postado em 24/03/2019 08:00 / atualizado em 21/03/2019 15:04

(foto: Juliana Santos/Divulgação)
(foto: Juliana Santos/Divulgação)
Após algumas tentativas de encontro, entre ligações, mensagens e convergência de horários, Juliana Santos senta à mesa com a Revista para uma conversa como qualquer outra. O assunto? Ela mesma. A empresária pernambucana é a tradução literal do que hoje significa ser uma businesswoman: dona de um império localizado no número 187 da Rua Professor Eduardo Wanderley Filho, no bairro de Boa Viagem, no Recife, Juliana é pioneira na região quando o assunto é moda e mercado de luxo.

A multimarcas Dona Santa surgiu em meados de 1995, com a mãe dela, Lílian Santos. Seguindo os passos maternos, Juliana assumiu as rédeas da empresa em 2004 e trouxe para o Nordeste algo antes tímido: o consumo de luxo. “O consumidor pernambucano é cosmopolita. Gosta de se informar e não tem dificuldade para receber o novo. Ele é à frente do seu tempo, que é também uma característica da Dona Santa”, afirma.

Foi então que Prada, Fendi, Ermenegildo Zegna, Chloé, entre outras grifes, começaram a ocupar as araras da loja e a virar desejo imediato dos clientes de Juliana. “Quando comecei a trabalhar, tínhamos só a linha feminina e marcas nacionais. Vi a necessidade de mudança e trouxe marcas mais jovens. Eu pensava: o que as minhas amigas querem vestir?”

Visionária, ela expandiu o negócio na região e já comandou uma reforma no espaço, que foi de 400 para 1.800 metros quadrados, no projeto atual. A multimarcas oferece, além de mil e uma grifes nacionais e internacionais, um restaurante, um salão de beleza e um spa exclusivo. Dentro da expansão, a empresária ampliou as vendas com uma linha masculina — a Santo Homem — e aperfeiçoou a curadoria de novas marcas, que acharam interessante garantir um ponto de venda no Nordeste do Brasil.

Adaptação


A empresária revela que o modo de encarar o varejo também mudou. Se abranger novos perfis de público já foi uma necessidade, entender a transformação do comportamento de consumo dos clientes, agora, é uma demanda atual. Juliana explica que as vendas funcionam em um processo inverso se comparadas ao passado. “Uma coisa é bem clara. Antes, a gente tinha uma informação de moda, a escolhia e a passava para o cliente. Hoje, é muito mais o cliente final que já tem uma informação de moda e passa para a gente o que quer usar.”

Crise? Também entra na pauta. Juliana relembra que, há alguns anos, alguns clientes nem viam os preços na etiqueta. “Hoje, não acontece mais isso. Então, a nossa curadoria é baseada em qualidade versus estilo, beleza e, claro, preço.”

Sobre os planos, Juliana adianta que tem projetos de pop-up stores (lojas temporárias) da Dona Santa pelo país e que Brasília pode até estar no mapa. Mas quando se trata do Nordeste… este sempre será casa.

Três perguntas 
Juliana Santos 


Como você equilibra a vida profissional, de empresária, e pessoal?

É bem difícil. O voo de três horas de Recife a São Paulo, para mim, já virou ponte aérea. Ir e voltar no mesmo dia é algo que ocorre quase toda semana. Mas acho que o mais difícil é deixar meu filho de 9 anos. É aquela eterna luta de você tentar estar o mais presente possível no trabalho, mas, ao mesmo tempo, estar no dia a dia dele. Isso é a única coisa que me incomoda.

Seu trabalho demanda que você fique muito tempo conectada. Consegue tirar momentos para ficar off-line?

Até consigo, mas isso é uma prática, um aprendizado. Chega uma hora em que o nível de cansaço é tão grande que você realmente sente a necessidade de desligar. Não é fácil, mas consigo.


O que você diria para as leitoras que, assim como você, conciliam a maternidade com uma carreira de sucesso?

Acho que o segredo é o foco. Se tem um filho ou se está passando por um momento pessoal, seja ele qual for, o jeito é estar ali por inteiro e fazer o momento proveitoso, e não estar com o celular na mão resolvendo outras coisas. Acho que isso ajuda a “não estar em vários lugares ao mesmo tempo”.
 
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte 

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