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Correio Braziliense

Como usar a rede com segurança

Em um mundo completamente digitalizado, todos estão expostos e têm a privacidade ameaçada. Mas há meio de aumentar a proteção e reduzir os possíveis danos


postado em 24/03/2019 07:00 / atualizado em 22/03/2019 14:47

Rodrigo Tombini viu o quanto a sua senha era fraca quando um amigo entrou no seu Facebook(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Rodrigo Tombini viu o quanto a sua senha era fraca quando um amigo entrou no seu Facebook (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Sem dúvida, a tecnologia veio para ajudar, mas sempre há quem a use para fazer o mal. Portanto, todo o cuidado é pouco. Em 2017, 62 milhões de pessoas foram vítimas de cibercrimes, segundo estudo da Cyber Handbook. De acordo com a empresa, o descuido dos usuários é a principal porta de entrada de quem quer realizar um golpe. Informações pessoais devem ser preservadas ao máximo e senhas precisam ser mantidas em segredo.

O gerente de negócios Ruver Damasio, da empresa Trend Micro, especialista em segurança cibernética, explica que existem muitos comportamentos equivocados que podem ser extremamente danosos. “Ter a mesma senha para todas as redes, por exemplo, é uma coisa que não se deve fazer”, alerta o profissional.

O estudante de relações internacionais Rodrigo Tombini, 20 anos, aprendeu isso na prática. Em 2014, quando tinha 16 anos, sua conta no Facebook foi hackeada. Usuário assíduo da rede, Rodrigo ficou sem entender o que tinha acontecido. “Logo, eu descobri que tinha sido um amigo meu, por zoação”, conta. E o desespero passou.

À época, Rodrigo usava a mesma senha para todas as redes, o amigo descobriu e resolveu tentar a sorte com o perfil no Facebook. E deu certo. Em instantes, outra pessoa tinha acesso a várias informações privadas dele. Resolvido o problema, o estudante mudou os hábitos digitais. Ainda é um usuário frequente das redes, mas agora toma mais cuidado com os dados. “Mudei minhas senhas, agora são todas diferentes.”


Cuidados básicos


Além de manter códigos diversos para as contas, Ruver ensina outros truques para ter senhas fortes. “Evite usar nomes de parentes, data de nascimento e dados de pessoas conhecidas”, orienta. Todas essas informações são fáceis de serem descobertas. O melhor é apostar em senhas mais complexas.

Ruver orienta ainda sempre prestar atenção nos aplicativos que solicitam acesso às informações das redes sociais. “Alguns aplicativos de edição de foto acessam os dados do cliente e podem divulgar ou vender as informações”, alerta o profissional.

Outro golpe comum na internet são os relacionados a bancos. Sempre que receber um SMS ou e-mail de algum banco oferecendo descontos e promoções, desconfie. “Primeiro, observe o estilo do link e, na dúvida, entre no site do banco diretamente para conferir se há alguma promoção. Não clique no link se não tiver certeza”, alerta Ruver.

Mesmo tomando todos esses cuidados, um aplicativo antivírus atualizado é indispensável para proteger seus dispositivos. “Os softwares antivírus bloqueiam ataques mal-intencionados.”.



Conta hackeada várias vezes


Charles Vieira teve a conta do Instagram hackeada diversas vezes: e-mail secreto(foto: Charles Vieira/Divulga??o)
Charles Vieira teve a conta do Instagram hackeada diversas vezes: e-mail secreto (foto: Charles Vieira/Divulga??o)
O fotógrafo Charles Vieira, 27 anos, usava o Instagram como portfólio desde que começou a fotografar, há cerca de oito anos. Em 2013, sua conta pessoal já acumulava mais de 15 mil seguidores e era a principal meio de divulgar o trabalho.

Foi na primeira semana morando em São Paulo, naquele mesmo ano, que ele começou a ter problemas com a conta. Várias pessoas começaram a mandar mensagens de texto avisando que não conseguiam encontrar o perfil dele no Instagram. Charles percebeu, então, que algo havia acontecido com sua conta.

Essa foi a primeira de muitas vezes que o fotógrafo teve a conta hackeada. “Fiquei arrasado, era minha principal ferramenta de trabalho.” Desde então, percebeu que não poderia depender exclusivamente da plataforma e criou um perfil no site Flickr, especializado em fotografia, como garantia.

Depois do incidente, criou outro perfil no Instagram e, em pouco tempo, recuperou uma parcela dos seguidores. Porém, cinco dias após criar a conta nova, foi hackeado de novo. “Comecei a achar que era por maldade, que alguém estava esperando eu atingir um certo número de seguidores para derrubar minha conta”, confessa.

Dessa vez, Charles entrou em contato com o a equipe do Instagram, mas não obteve ajuda. “Eles falaram que não tinham como restaurar minha conta, que não tinham acesso a esses dados”, conta. Por um tempo, pensou em desistir de usar a rede social, mas viu que o número de contatos profissionais estava diminuindo, e resolveu voltar. Criou a terceira conta, que durou apenas dois dias antes de ser hackeada novamente. “Tive a certeza que era alguém de maldade, atrás de mim.”

O fotógrafo ficou mais de um mês sem usar a rede social, e, quando decidiu voltar, adotou uma nova estratégia. “Imaginei que a pessoa estava me hackeando pelo e-mail, aí decidi criar um secreto, apenas para o Instagram”, detalha.

Desde então, a conta nunca mais foi hackeada. Charles nunca revelou o e-mail para ninguém, e acredita que isso possa ter sido o diferencial. “Para quem sabe hackear, apenas mudar a senha não adianta”, acredita. Agora, o fotógrafo não entra com sua conta em nenhum outro dispositivo que não seja seu celular, e usa a autenticação de dois fatores.

Ainda hoje, Charles conta que chegam mensagens no e-mail alertando de tentativas de mudança de senha, mas ele nunca foi atrás de quem hackeou sua conta.

Quando o alvo são as crianças


Por precaução, Vivian Ferreira decidiu proibir que as filhas, Giovanna e Sophia, assistam aos vídeos do YouTube: monitoramento constante (foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
Por precaução, Vivian Ferreira decidiu proibir que as filhas, Giovanna e Sophia, assistam aos vídeos do YouTube: monitoramento constante (foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
Na web, até crianças e adolescentes são alvo. Na semana passada, houve a polêmica do personagem Momo. Segundo correntes que circularam pelo WhatsApp, ele apareceria no meio de vídeos infantis hospedados no YouTube Kids para ensinar as crianças a machucarem os pais e a se suicidarem. A imagem usada para a figura é uma escultura japonesa, que foi exposta em 2016 numa galeria de arte em Ginza e que se chama “mulher-pássaro”.

Embora os pais tenham ficado em alerta e muitos afirmem que os filhos viram os vídeos, até a última quarta-feira, não havia prova concreta de que eles tenham realmente aparecido na plataforma de vídeos. Ministério Público, ONGs de segurança na internet e o próprio YouTube não encontraram evidências de que isso estava acontecendo.

Na dúvida, muitos pais preferiram excluir o site da rotina das crianças. Foi o caso de Vivian Ferreira, 34 anos, empresária de produtos personalizados para festa. Ela tem duas filhas: Giovanna, 7 anos, e Sophia, 5. Ambas adoram as telas: tanto do celular quanto da tevê, e estão sempre conectadas à internet. Na última semana, ela decidiu restringir ainda mais o que é permitido às meninas.

Mas não sem antes conversar com Giovanna e Sophia. A psicóloga e orientadora educacional do Colégio Humboldt Karin Kenzler aprova a estratégia de Vivian. “Acreditamos que a principal ferramenta é sempre o diálogo e a informação”, garante. Vivian explicou sobre a Momo, sobre os perigos, e questionou as filhas sobre uma solução. “Eu não gosto de ser autoritária. Acredito que se você respeita uma criança, conversando com ela, é um passo para manter a comunicação aberta. Acho que a conversa é o melhor caminho.”

A mais velha logo decidiu: “Não quero mais assistir ao YouTube”. A mais nova ainda insistiu. Com ela, foi feito um combinado: só assiste se a mão puder ver junto. Vivian, no entanto, acredita que ela deve esquecer, já que a irmã não vai ver mais. Agora, é só Netflix, sobre o qual a mãe tem mais controle, com senhas, e não é qualquer um que pode inserir conteúdos.

Essa foi a segunda intervenção no estilo de vida digital das meninas. A primeira foi há cerca de dois anos. “Como eu trabalho em casa, era mais cômodo deixá-las assistindo a alguma coisa. Eu era mais relapsa, deixava no celular”, admite a mãe. Muito espertas, logo as meninas aprenderam a trocar os vídeos e a escolher outros conteúdos. Observando, na medida do possível, o que as meninas viam, ficou extremamente insatisfeita. “Estavam assistindo a youtubers que diziam palavrão, que falavam sobre assuntos que não era infantis, com opiniões que eu não achava corretas”, relembra.

A mudança refletiu no comportamento das meninas. “Na Sophia, senti muita diferença: passou a dormir melhor, ficou mais calma, passou a respeitar mais os adultos”, analisa. Além disso, as meninas passaram a brincar mais entre elas e a brigar menos.

Escola e internet


Muitas das questões virtuais acabam indo parar no ambiente escolar. Portanto, é interessante as escolas se posicionarem a respeito. Para Karin Kenzler, o papel da escola é a educação digital. “Precisamos conscientizá-los do que é aquele espaço, de que não é sem lei, sem regras. Mostramos exemplos de pessoas que expuseram uma opinião, uma frase, um preconceito e sofreram as consequências disso”, relata o projeto desenvolvido na escola em que trabalha. Em uma das reuniões, os celulares foram recolhidos na entrada. Os adolescentes ficaram revoltados. “É como se fosse parte deles.”

Mas o dever de ensinar e cuidar ainda é, principalmente, dos pais. Para isso, foi realizada também uma palestra para eles. “Na internet, quieta, dentro do quarto, deitada, é como se a criança estivesse segura, mas, na realidade, é como se estivesse vulnerável”, afirma. Para ela, não é invasão de privacidade checar o celular dos filhos: “Os pais têm direito de saber com quem eles estão andando”.

Um tema importante são os nudes. De acordo com um estudo da Universidade do Texas na revista norte-americana Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, mais de um em cada quatro adolescentes, moças ou rapazes, enviaram uma fotografia nus por correio eletrônico. Quase sete em cada 10 meninas confessaram que já receberam pedidos para tirar fotografias nuas e as enviarem para alguém.

Para Karin, a forma de evitar isso é por meio da conversa, mas há a forma correta de dialogar. “Muito pais focam no conteúdo moralista, quando o enfoque tem que ser de que tudo que é feito na internet é público e não privado, que, se fotos vazarem, os responsáveis vão ser punidos pela lei, mas o dano estará feito”, explica.
 

Não se descuide

• Tenha antivírus atualizado.
• Suspeite de links e analise se ele é seguro ou não.
• Jamais clique em links suspeitos.
• Use senhas diferentes para cada conta na internet, atualize-as com frequência e não coloque nomes de parentes e datas de aniversário, pois são óbvias e fáceis de descobrir.
• Pesquise sobre os aplicativos antes de baixá-los. Alguns vendem dados pessoais.
• Evite expor o local onde você se encontra.
• Não forneça informações sobre o local de trabalho e de residência.
• Não forneça informações sobre a escola dos filhos.
• Não dê informações precisas sobre sua rotina.
• Oriente e acompanhe o que crianças e adolescentes fazem na internet. 


Séries sobre o tema que valem a pena assistir



Dirty John

(foto: Atlas Entertainment/Divulgação)
(foto: Atlas Entertainment/Divulgação)
Baseada em fatos reais, a série disponível na Netflix conta a história de Debra Newell e John Meehan. O casal se conheceu por meio de um aplicativo de relacionamentos e começaram a namorar. Com o tempo, ela descobre que ele não era nada do que ela pensava.


Você (You)

(foto: Reprodução /Internet)
(foto: Reprodução /Internet)
A série é baseada no livro homônimo lançado em 2014 por Caroline Kepnes. Conta a história de Guinevere Beck, uma aspirante a escritora, e Joe Goldberg, gerente de uma livraria, onde eles se conhecem. Joe usa muitas das informações que ela publica nas redes sociais para descobrir coisa sobre a jovem e fazer com que ela se apaixone por ele. Posteriormente, ainda passa a controlar o celular dela.


(foto: Space/Divulgação)
(foto: Space/Divulgação)
Mr. Robot

A série conta a história de Elliot,um jovem engenheiro de segurança com fobia social. De dia, ele trabalha como técnico de segurança em informática. À noite, como hacker vigilante. O personagem fica em uma encruzilhada quando o líder de um misterioso grupo de hackers, chamado Fsociety, o recruta para destruir uma empresa que ele acredita que controla e pretende destruir o mundo. Motivado pelas crenças pessoais, Elliot luta contra a companhia enquanto finge protegê-la.


(foto: Netflix/Divulgação)
(foto: Netflix/Divulgação)
Black mirror

Com episódios isolados entre si, as histórias de cada episódio não se relacionam. A série aborda facetas da tecnologia, geralmente mostrando os lados negativos dela. Na terceira temporada, o terceiro episódio é sobre o adolescente Kenny, que instala um programa em seu computador usando o primeiro link de pesquisa. Isso permite que um hacker tenha acesso a webcam do laptop dele e o grave se masturbando na frente da tela. O hacker envia um e-mail para Kenny dizendo-lhe para fornecer seu número de telefone, ou o vídeo dele se masturbando seria liberado para todos na sua lista de contatos. Kenny aceita e envia o número.
 
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte 

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