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Correio Braziliense

Descubra o que é a neuroarquitetura e como ela pode ajudar na decoração

Com o intuito de deixar o ambiente cada vez mais agradável e produtivo, a neuroarquitetura tem sido muito usada, tanto em projetos residenciais quanto corporativos


postado em 31/03/2019 08:00 / atualizado em 29/03/2019 15:29

Você já parou para pensar como a decoração e a disposição dos móveis no ambiente onde trabalha influenciam o seu humor e a sua produtividade? Ou como as cores das paredes do quarto onde dorme podem afetar o seu sono? Essas são algumas das diversas perguntas respondidas pela neuroarquitetura, como é denominada pelos profissionais da área a aplicação de estudos neurocientíficos em projetos de arquitetura, urbanismo e design de interiores.

 

No projeto de Priscilla Bencke, a sala busca ser um ponto neutro em meio ao horizonte urbano. Com cores claras, que dão a sensação de amplidão, objetos em madeira e pequenos pontos verdes, a sala convida a momentos de descanso.(foto: Priscilla Bencke/Divulgação)
No projeto de Priscilla Bencke, a sala busca ser um ponto neutro em meio ao horizonte urbano. Com cores claras, que dão a sensação de amplidão, objetos em madeira e pequenos pontos verdes, a sala convida a momentos de descanso. (foto: Priscilla Bencke/Divulgação)
 

 

Por meio de pesquisas, os profissionais avaliam como o ambiente físico afeta o cérebro, as emoções e o comportamento das pessoas. A arquiteta e urbanista Joanna de Castro Alencar Marino, do Grün Studio Arquitetura e Urbanismo, explica que nos projetos criados seguindo os princípios da neuroarquitetura, o primeiro passo é avaliar qual é o objetivo daquele espaço e qual sensação se deseja criar em quem frequentará o local.

A partir daí, os elementos de arquitetura e decoração, inclusive a cromoterapia e a aromaterapia, são usados para traduzir as sensações. Em um ambiente hospitalar, por exemplo, há uma grande demanda por esse tipo de serviço. “São espaços que precisam ser muito bem pensados para trazer calma e sossego. Logo, sempre terão boa luminosidade e cores como verde-água e azul, que remetem à tranquilidade”, exemplifica Joanna.

Priscilla Bencke, arquiteta especialista em neurociência aplicada à arquitetura, explica que depois de analisar os estudos que avaliam o impacto de cores, formas e outros elementos que estimulam todos os sentidos, o caminho é repensar a metodologia de projeto e levar em consideração os princípios dos estudos da neurociência. “É uma visão mais humana da arquitetura, na qual as pesquisas justificam as decisões de projeto”, explica.

A especialista acrescenta ainda que, na hora de criar, gosta de se colocar no lugar das pessoas que frequentarão aquele lugar ou que passarão a maior parte do dia em determinado ambiente de trabalho ou quarto. “O importante é identificar quais são os elementos arquitetônicos ou de decoração que podem fazer com que as pessoas se sintam bem.”

Neste apartamento, projeto do Grün Studio Arquitetura e Urbanismo, o casal queria ter um espaço de relaxamento e que pudesse remeter à natureza em meio ao espaço urbano. Além das plantas e da madeira, que dão um respiro, os arquitetos apostaram na rede e na fachada bem aberta e ampla.(foto: Grün Studio Arquitetura e Urbanismo/Divulgação)
Neste apartamento, projeto do Grün Studio Arquitetura e Urbanismo, o casal queria ter um espaço de relaxamento e que pudesse remeter à natureza em meio ao espaço urbano. Além das plantas e da madeira, que dão um respiro, os arquitetos apostaram na rede e na fachada bem aberta e ampla. (foto: Grün Studio Arquitetura e Urbanismo/Divulgação)

Os elementos naturais são os grandes aliados na hora de criar espaços relaxantes, sejam eles corporativos, sejam domésticos. Estudos confirmam que ao visualizar vegetação ou madeira as pessoas têm sensação de bem-estar e relaxamento, mesmo que de forma inconsciente.

Nas salas destinadas ao descanso e nos quartos, plantas, vasos de flores e jardins de inverno ajudam na criação desse efeito. Quando a vegetação em si não é uma opção, a dica é apostar em tons terrosos e imagens de natureza.

Luzes amareladas, por exemplo, que imitam o efeito de pôr do sol, ajudam na estimulação do hormônio do sono. Logo, é bom ter luminárias de cores quentes nos quartos. A luz branca, por outro lado, deixa a pessoa mais alerta e ajuda a afastar o sono. São mais indicadas em escritórios e salas de reunião, indica Priscilla.

Ao falar sobre os ambientes domésticas e as aplicações da neuroarquitetura, Joanna afirma que a peça- chave é também o gosto do cliente. “Lidamos com a dinâmica pessoal e com estilos. A partir deles, podemos aplicar os princípios da neurociência, mas é importante trazer a personalidade da pessoa para a casa”.

Para Priscilla, a neuroarquitetura permite novas funcionalidades e contribui para que os espaços de convívio tenham um impacto melhor na qualidade de vida. “Permite que o trabalho vá muito além da estética e da funcionalidade, podemos aplicar essas estratégias em qualquer ambiente e construí-lo para que cumpra melhor seu objetivo.”

Produtividade


A demanda por profissionais que trabalham com a neuroarquitetura tem crescido bastante e um dos motivos é a necessidade de melhorar os ambientes corporativos, tanto no que diz respeito à produtividade quanto à qualidade de vida dos funcionários.

Este ambiente de trabalho projetado por Priscilla Bencke traz uma mistura de elementos. Assim como nos ambientes domésticos, tem a madeira e a presença de plantas, que estimulam o bem-estar. Mas, para despertar e incitar a produtividade, traz cores fortes e chamativas, como o amarelo e o vermelho. (foto: Priscilla Bencke/Divulgação)
Este ambiente de trabalho projetado por Priscilla Bencke traz uma mistura de elementos. Assim como nos ambientes domésticos, tem a madeira e a presença de plantas, que estimulam o bem-estar. Mas, para despertar e incitar a produtividade, traz cores fortes e chamativas, como o amarelo e o vermelho. (foto: Priscilla Bencke/Divulgação)

Priscilla explica que o estresse, a ansiedade e outros problemas emocionais têm debilitado muitos profissionais e, em novos escritórios, os clientes procuram criar ambientes descontraídos e que tenham espaços de refúgio que ajudem a aliviar a tensão durante o expediente.

Jardins, salas de descompressão, áreas de copa têm ganhado cada vez mais espaço e atenção por parte dos empregadores. A arquiteta acrescenta ainda que há um cuidado maior também com as estações de trabalho. “Quando as pessoas conseguem humanizar mais esse espaço, seja com uma pequena planta, seja com um item de decoração, tendem a se sentir melhor.”

A cor dos espaços também é fundamental. Em salas de reunião, cores quentes são boas opções para manter as pessoas mais despertas. Ambientes de trabalho nos quais as pessoas passam longas horas precisam ser mais claros e amplos, além de terem iluminação eficaz.

O ruído também é outro aspecto trabalhado na neuroarquitetura. É importante evitar ao máximo barulhos que tirem o foco do profissional, por isso alguns escritórios investem em isolamento acústico.

Grandes empresas com jovens profissionais, por exemplo, investem em ambientes agradáveis para que os funcionários passem mais tempo trabalhando quase sem perceber. Espaços lúdicos, com salas de jogos e aspecto informal, ajudam a criar esse clima de “diversão”. Dessa forma, os funcionários trabalham mais felizes e rendem mais.

Joanna ressalta que, nesses casos, a neuroarquitetura traz ainda o diferencial dos números e dados mais exatos. “Temos dados que mostram como aumentar a produtividade ou o fluxo de pessoas em ambientes comerciais, por exemplo”.

Ela explica que, em caso de shoppings, com houve uma mudança no padrão de consumo, já que as pessoas compram muito on-line, para que elas saiam de casa é necessário um atrativo além das compras em si. “Os grandes shoppings precisam se tornar cada vez mais convidativos, precisam de atrações e elementos pensados para que a experiência de compra vá além. Isso faz parte das funções da neuroarquitetura.”

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