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Correio Braziliense ENTREVISTA

Psicólogo Carlos Molina fala sobre terapia familiar

Especialista explica como o método pode ajudar a resolver antigos conflitos


postado em 01/04/2019 16:45 / atualizado em 01/04/2019 16:51

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Natural da Guatemala e formado pela Faculdade Católica de Lima, no Peru, o psicólogo Carlos Arturo Molina veio para o Brasil há cerca de 30 anos para trabalhar com autismo infantil e terapia familiar. Atualmente, além de fazer atendimentos no consultório, ministra palestras e aulas sobre ambos os temas, no Brasil e no exterior. Autor de vários livros, ele iniciou, mês passado, um curso sobre Abordagem sistêmica da família e terapia familiar. A Revista conversou com o psicólogo para entender um pouco mais sobre esse método que promete resolver problemas, no contexto das relações. 


De forma geral, o que é terapia familiar?

A compreensão de uma terapia de família é que o problema é algo que mexe com a família toda. Logo, a solução não poderia ser individual, teria que ser sistêmica. Quem tem um problema, tem uma função dentro da família, então, não tem como suprimir esse problema se não trabalha em conjunto. Em resumo, a terapia familiar é mobilizar o conjunto da família para resolver os problemas da família, que pode ser manifestado por um dos membros, mas não quer dizer que o problema esteja nesta pessoa. 


Qual é o real objetivo da  terapia familiar?

O objetivo é encontrar a solução do problema. Se procura a raiz do problema, vai encontrar um responsável por aquilo e um acaba acusando o outro. A mágica é quebrar essa dinâmica. Aqui, já não é um cabo de guerra, no qual, na medida que um avança, o outro perde. Mas, sim, avançam juntos, no mesmo sentido.  


Como saber que a terapia é necessária?

Não é uma patologia. É um mal-estar que está relacionado com alguém. Significa: “Preciso de ajuda”. Lembra que nossa vida é passar constantemente de um patamar para o outro. Quando passo de um que está ótimo para outro que me questiona, eu posso não estar preparado para esse momento, então eu preciso de ajuda. 

Como funciona?

Pensa em um grupo de atores que vem representar uma peça. Suponhamos que a peça é uma tragédia. O jogo é como se eu fosse um diretor de teatro que vai mudar o rumo dessa peça. A peça dói e queremos uma que não doa. Por exemplo, um pai e uma filha que não se entendem. A cada tentativa dele de abordar a menina, a garota se fecha ainda mais e responde de forma nada amigável. Nesse momento, eu falo: “Calma, essa peça já fez muito mal, muda essa fala”. Eu os induzo para um outro jogo. Percebo o pai emocionado. Alerto a menina que aquele cara do lado é capaz até de matar por ela. E, naquele instante, peço para ela fazer o que tem vontade. Ela estará com vontade de abraçar o pai, algo que ela jamais faria sem a mediação. Nisso, rompe-se ali a barreira. A mãe chora, a irmã abraça. É uma dinâmica estabelecida. Ninguém é culpado, mas todo mundo está preso nela


É Preciso estarem todos os integrantes da família?

Depende. Pode ser que em um determinado momento a gente queira ter só os pais. Pode-se fazer terapia familiar até com um só membro.


É comum um dos membros na família não querer participar? 

Ocorre muito, principalmente com os homens. Eles pensam que está tudo bem, e as mulheres sempre acham que pode melhorar. É ela quem vai ter um olhar mais agudo e crítico sobre as dificuldades. Muitos homens tem receio de entrar em um sala e contar seus problemas para outra pessoa.  Diante das armadilhas, é necessário a mulher bater um papo com o parceiro e ver que as jogadas mudam, com o tempo, o cara começa a perceber que essa tal terapia não é tão ruim. 


Diante dos conflitos familiares presentes na maioria dos lares, na sua opinião, a terapia está cada vez mais sendo necessária? 

Família é ritual, é contato, é comunicação, é afeto. De repente, nós temos casas onde cada quarto tem uma tevê e cada um tem seu laptop. Eles estão conectados, mas não ligados. Nós somos bichos de toque. Se uma pessoa não é tocada, ela começa a definhar, e nós não estamos nos tocando. Falo isso nos dois sentidos: não se tocam com as coisas da vida e não tocam as pessoas. Estamos perdidos e a terapia é um momento para refletir e buscar caminhos. 


Muitos ainda têm receio de fazer terapia. Que conselho o senhor daria para essas pessoas? 

Terapia não é para louco. Terapia e um momento sagrado, de dar e receber, de se abrir, de oferecer sua história para receber outra. É um momento de encontro, de reflexão, em que se celebra o encontro, o amor e as possibilidades. 
 

Serviço

Curso com Carlos Arturo Molina sobre autismo infantil: aspectos fundamentais
Diagnóstico e intervenção precoces 
Datas: 30/03 – 13/04
Horário: das 8h às 13h
Local: Colégio Sagrado Coração de Maria. Quadra 702 Norte. Sala multimídia
Valos: R$ 250,00
Para mais informações: simonemazevedo@yahoo.com.br
(61) 99119 9559 

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