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Correio Braziliense FITNESS & NUTRIÇÃO

Dieta sem glúten para não celíacos: saiba as vantagens e as desvantagens

O glúten é mesmo um dos grandes males da alimentação? Entenda os prós e os contras de uma dieta sem o nutriente


postado em 07/04/2019 07:00 / atualizado em 04/04/2019 15:07

Amanda saboreia refeição sem glúten(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Amanda saboreia refeição sem glúten (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Proteína comum, o glúten é consumido há milhares de anos. No entanto, desde os anos 1990, estudos começaram a apontar o aumento de indivíduos intolerantes a alimentos com essa composição, a exemplo do trigo e derivados. Casos particulares como esses, de fato, pedem que a pessoa consulte um especialista para acompanhar o quadro.

O que chama a atenção é que, sobretudo nos últimos 10 anos, explodiu o número de não celíacos que declararam guerra ao glúten. Mas a restrição desse composto não é para todos e pode não ser a melhor saída para emagrecer. “A ideia é desembalar menos e descascar mais. O benefício de qualquer alimentação diz respeito à característica completa de cada alimento, não só à presença ou à ausência de um dos compostos”, desmistifica o nutricionista André Heibel.

Segundo o especialista, para a maior parte da população, não existe benefício claro na exclusão. Ele detalha que alimentos gluten-free não são necessariamente mais saudáveis. Pelo contrário, podem até apresentar características nutricionais piores que os produtos “normais”.

Na prática, a perda de peso presenciada por quem decide reduzir ou eliminar o glúten da alimentação está relacionada à restrição que a pessoa vive. André Heibel garante: “O paciente que opta por essa dieta acaba, junto a isso, eliminando alimentos que têm alta carga glicêmica, com gorduras ruins e alta concentração de carboidratos”. Mas o glúten não é um empecilho para emagrecer. O profissional explica que escolher alimentos integrais, de baixa carga glicêmica e mais naturais já faz a diferença e consegue gerar o benefício esperado.

“Na maioria das vezes, as pessoas confundem alimentação saudável com algumas restrições específicas para indivíduos específicos”, ressalta a nutricionista Fabiani Beal. Ela defende que quanto mais variada a alimentação, melhor é a dieta. Portanto, se não houver a necessidade da retirada, não há benefícios claros nessa escolha.

A nutricionista aponta que a monotonia alimentar (repetição dos mesmos alimentos) e a carência de nutrientes dos quais os alimentos retirados são uma ótima fonte tornam uma dieta sem glúten desvantajosa. De acordo com a especialista, em termos de nutrição, o regime não fica necessariamente restrito, já que existe uma variedade de alimentos que funcionam como substitutos. Mas o acesso a esses produtos pode custar caro. “Hoje em dia, há outras farinhas que não contêm glúten. Porém, o custo desses alimentos fica mais elevado e acaba dificultando o acesso da população de maneira geral”, comenta.

Na onda antiglúten


Para Amanda Alves da Silva, 30, profissional de educação física, o regime sem glúten trouxe, além da perda de peso, mais disposição para as atividades do dia a dia e para a prática de esportes. “Eu adoro correr. Mas, quando comia glúten, sentia que alguma coisa me segurava durante a corrida, pesava. Assim que comecei a restringi-lo, passei a me sentir melhor”, relata. Depois de fazer os exames requeridos, ela foi ao nutricionista, que consentiu com a escolha. Ela segue a dieta há um mês e perdeu 4kg só nas duas primeiras semanas.

O novo estilo de alimentação motiva a pessoa adepta a diversificar e experimentar mais na cozinha, no preparo de receitas novas. É o caso de Amanda, que tem investido no preparo de pratos com castanhas, ovos, muitas frutas e também diferentes tipos de farinhas — de coco, de amêndoas e de arroz. Entre os pratos que cozinha, está um pãozinho de farinha de frango, feito com peito de frango, que ela garante ser muito saboroso.

No entanto, é preciso se organizar para seguir o regime quando se vai a um café ou restaurante. “Não acho que a alimentação fique restrita, tenho me adaptado bem. Só que, na hora de comer fora de casa, levo todas as minhas refeições”, conta. A atenção com o que consome tem levado Amanda a optar por hábitos alimentares mais saudáveis no geral. “Outro dia, fui a um café e, chegando lá, eu vi que tinha a opção de omelete; então, eu escolhi o omelete justamente porque não comia salgadinhos nem alguns doces.”

Recomendações


Caso decida reduzir ou eliminar o glúten do cardápio, é fundamental  consultar um especialista para avaliar a necessidade da retirada. “Fazer isso por conta própria pode gerar prejuízos, fazer a pessoa gastar muito sem precisar e até levar ao desenvolvimento de uma sensibilidade tardia”, informa André Heibel.

Por ser uma proteína muito presente nos produtos em geral — pães, massas, biscoitos, cereais, barrinhas de cereais, ketchup, maionese, queijos e temperos industrializados —, também é importante entender quais alimentos podem ou não compor a dieta e, nesse ponto, a ida ao nutricionista pode ajudar na hora de escolher o que colocar na mesa.

Desconforto abdominal foi o que motivou o servidor público federal Flavio Baran, 42, a decidir testar uma dieta sem glúten para ver se notava diferença no corpo. Como já não era muito fã de pães e biscoitos, um dos maiores desafios foi mesmo se abster de massas. A diferença veio depois de um mês: ele já não sentia mais incômodos de refluxos nem azias.

Flavio conta que segue limitando a quantidade que ingere, porém não acredita mais que a causa do desconforto seja o glúten, já que alguns outros alimentos continuam a incomodar. Ainda sem entender por completo o que causa o mal-estar, o servidor não faz as escolhas alimentares do nada, ele conta com acompanhamento de um nutricionista para orientá-lo.

Quem deseja substituir os alimentos com glúten encontra boas opções disponíveis no mercado: amaranto, quinoa, fubá, farinha de milho, tapioca, fécula de batata, polvilho azedo e polvilho doce são opções que podem ir no lugar da farinha de trigo, por exemplo.

O caso dos celíacos


Como qualquer outra proteína, em pessoas saudáveis, o glúten é degradado e absorvido pelo trato gastrointestinal. Em linhas gerais, esse é o caminho que qualquer composto que consumimos percorre no organismo. A digestão ocorre normalmente, salvo nos casos em que a pessoa é celíaca ou simplesmente sensível à substância.

Inicialmente, a dieta com restrição de glúten foi elaborada para esse grupo de pessoas — que representa 1% da população do mundo. Nesse caso, devido a uma condição crônica e autoimune, o intestino não aceita bem a substância, porque é resistente à gliadina, proteína do glúten.

Quando consomem glúten, os celíacos sentem desconforto abdominal, diarreia, gases, inchaço e vômitos. Em casos mais sérios, a longo prazo, podem até mesmo desenvolver câncer intestinal. Vale lembrar que só um médico é capaz de diagnosticar corretamente a doença.

Além de estarem sempre atentos à rotulagem dos alimentos (é obrigatório que os industrializados indiquem, no pacote, se o produto tem essa composição), os celíacos devem ter cuidados com a preparação da comida, devido a um aspecto: a contaminação cruzada. Não basta o alimento não conter glúten na composição, também tem de se assegurar que o local de manipulação é seguro e sem traços da proteína que possam passar para o alimento.

 

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
 

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