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Correio Braziliense

Dogo argentino: conheça a raça que é um misto de segurança e afeto

Conheça um pouco sobre a raça dogo argentino, um cão de caça que exige muita disciplina, mas que cativa os tutores pelo comportamento carinhoso


postado em 28/04/2019 08:00 / atualizado em 01/05/2019 16:37

Vanessa Machado se mudou para a fazenda por causa do seu trio de dogos argentinos (foto: Arquivo Pessoal/CB/D.A Press)
Vanessa Machado se mudou para a fazenda por causa do seu trio de dogos argentinos (foto: Arquivo Pessoal/CB/D.A Press)

Muitos são os fatores que fazem um tutor ir em busca de um pet: companhia, beleza, proteção e um amigo para todas as horas, é claro. Após ter a casa invadida, a empresária Vanessa Machado, 38 anos, foi em busca de um cão de guarda que pudesse lhe dar, principalmente, a sensação de mais segurança. Foi quando encontrou na raça dogo argentino qualidades que nem imaginava.

 

A primeira característica que atraiu a empresária foi a beleza da raça. “Fiquei impressionada com aquele pelo branquinho e a expressão forte. Soube imediatamente que era o cachorro de que eu precisava”, conta. Foi assim que, há oito anos, a cadela Hanna chegou à vida de Vanessa. “Desde o primeiro dia, ela sempre foi muito dócil e carinhosa com as pessoas de casa. Além disso, é muito obediente e aprende super rápido.”

 

Em 2015, Hanna deu à luz Eike e Cher. Naquele momento, Vanessa estava passando por um período de luto, após a perda do pai. “No dia em que completava três meses sem o meu pai, os filhotes nasceram. Foi como uma mensagem de renovação, de vida. E, desde então, eles têm sido os meus companheiros de tudo.”

 

O amor de Vanessa pelos bichos foi grande o suficiente para fazê-la trocar até de residência. Há dois anos, após se divorciar, resolveu se mudar para a fazenda, em Alexânia, a 88km de Brasília. “Se fosse um tutor que não tivesse muito apego aos cães, provavelmente não mudaria a sua vida totalmente por isso. Mas eu nem hesitei, não iria me desfazer deles por nada.”

 

Por ser uma raça de grande porte, o dogo argentino precisa de um tutor que tenha muita firmeza na educação. Para a veterinária Carolina Freitas, da Clínica SPet, a disciplina dada ao cachorro é que determina, na maior parte dos casos, como será o comportamento dele. “Minha recomendação para quem deseja adquirir um dogo é ter ao menos uma experiência prévia com cachorros. É uma raça muito inteligente, mas que precisa de treinamento”, explica.

 

A atenção deve ser redobrada quando o assunto é a saúde do animal. Além de feridas na pele por conta do pelo claro, a veterinária detalha que os cães da raça podem apresentar displasia, surdez congênita e, em alguns casos, chegar a desenvolver câncer de pele. Foi o que aconteceu com a cadelinha Hanna. “Ela sempre gostou de tomar sol mais do que Eike e Cher. Atualmente, tenho ido toda semana a Brasília para levá-la à quimioterapia, a qual tem respondido muito bem”, conta Vanessa.

 

Cães campeões

 

Tijuana e Aloha, as dogos de André Luiz Marques, participam de competições nacionais e internacionais (foto: Arquivo Pessoal)
Tijuana e Aloha, as dogos de André Luiz Marques, participam de competições nacionais e internacionais (foto: Arquivo Pessoal)
“Ter um dogo é ter um amigo para o resto da vida, um companheiro muito fiel e protetor.” É assim que o gerente comercial André Luiz Marques, 53 anos, define sua relação com os pets. André conheceu a raça por meio do filho e logo adquiriu Xangô e Tijuana. Logo depois, em 2015, veio a cadela Aloha, filhote de Tijuana.

 

Desde pequenos, os cães participam de campeonatos nacionais e internacionais de comportamento e habilidade. Por conta disso, os pets foram adestrados para adquirirem a disciplina necessária. No ano passado, Xangô, o macho do trio, morreu. Mesmo sem o “irmão”, as cadelas continuam participando dos concursos.

 

Pela rotina das competições, o gerente comercial controla de perto a alimentação de Tijuana e Aloha, que necessitam comer somente uma vez ao dia. A exposição ao sol é outro fator importante: as cadelas ficam em canil protegido durante o dia e só são soltas à noite.

 

Sobre o comportamento da raça, André confessa que se surpreendeu em como as cadelas são carinhosas. “Elas são muito apegadas, fiéis e territorialistas. Mas o que mais me deixou surpreso foi como conseguem ser cães de guarda e extremamente dóceis com as pessoas de casa” comenta.

 

 

Quatro perguntas para:

 

Isabela Raeder, adestradora e especialista em comportamento animal.

 

O dogo argentino se parece fisicamente com o pitbull e cães de porte similar. Como se deu a formação da raça?

 Esta raça é originária da província de Córdoba, na Argentina. É formada a partir de uma mistura de outras raças, como buldogue inglês, dogue alemão, bull terrier, boxer, cão de briga argentino, entre outros. Foi desenvolvido para caça de javalis, por isso possui olfato e valentia inigualáveis.


Quais são as principais recomendações para quem quer criar um cachorro da raça?

É preciso selecionar bem o criador antes de escolher o filhote. Além disso, proporcionar enriquecimento ambiental para suprirem a necessidade de caça e uma boa carga de exercícios físicos, porque se tratam de cães atléticos.


Quais são os vícios de comportamento que mais precisam ser corrigidos?

Quando não socializados desde pequenos, costumam ter intolerância a outros animais e, eventualmente, a pessoas. É importante fazer um bom trabalho de socialização, day care e adestramento desde o princípio, para não ter esse tipo de problema.

 

Ao longo dos anos, quais são as doenças que costumam ser desenvolvidas pela raça?

Como várias outras raças na cor branca (cor predominante no dogo argentino), eles são suscetíveis à surdez e a problemas de pele, como dermatite, alergias e displasia coxofemural. Por isso, é importante conhecer bem a procedência e verificar a saúde dos pais antes de adquirir um filhote.

 

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte 

 

 

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