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Correio Braziliense ENCONTRO COM O CHEF

Mãe dissemina conhecimentos nas redes sociais sobre dieta low carb

Quando recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 do caçula, Ana Carolina Torelly decidiu mudar os hábitos alimentares da família


postado em 05/05/2019 09:00 / atualizado em 02/05/2019 12:09


 
(foto: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)
(foto: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)
 
No dia seguinte à festinha de aniversário de 1 ano, o caçula de Ana Carolina Torelly acordou com muita sede. Ele, que ainda nem sabia falar, apontava para o filtro e bebia água feito gente grande. Experiente, a mãe de segunda viagem logo percebeu que havia algo de errado. Na segunda-feira, tratou de ligar para o pediatra, que encaixou uma consulta para o fim da semana. Nos dias que se seguiram, porém, além da sede, Rafael começou a ficar molinho. Carol e o marido resolveram, então, se antecipar e levar o garoto para fazer um exame de urina.

Na sexta pela manhã, dia da consulta, a servidora pública recebeu um telefonema do laboratório: a taxa de glicose de Rafael estava muito alterada. Carol entrou em contato com o pediatra e ele mandou a família ir imediatamente à emergência de um hospital. Os momentos seguintes foram de total desespero para todos. O garoto foi diagnosticado com diabetes tipo 1 — quando o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina em decorrência de um defeito do sistema imunológico — e levado, às pressas, para a UTI, em estado grave.

Carol admite que, naquele momento, bateu um desespero. Mas, depois de cinco dias de UTI e mais cinco de internação, ela saiu do hospital fortalecida e decidida a encarar a situação de frente. “Vi crianças em situações muito mais difíceis, e eu estava saindo com o meu filho bem, nos meus braços.”

A servidora sabia que precisaria mudar radicalmente os hábitos da família, sobretudo os alimentares. Tirou dois meses de licença do trabalho e começou a pesquisar sobre a doença, até chegar à low carb, dieta que restringe a ingestão de carboidratos. Carol, que sabia cozinhar “o feijão com arroz”, resolveu entrar de cabeça nessa vertente da gastronomia. “Transformei a minha cozinha em um laboratório.”

Foram muitos experimentos. Erros e acertos. A partir das pesquisas, a mãe de Rafael e Ricardo, hoje com 4 e 7 anos, respectivamente, passou a criar receitas dentro da filosofia low carb — saudáveis, mas, sobretudo, deliciosas. “Até a doença se manifestar, Rafael nunca tinha apresentado nenhum sintoma. Amamentou até os 9 meses e se alimentava normalmente. Não há casos de diabetes 1 na família. Por isso, tudo foi muito assustador”, recorda-se.


Ajudando os outros


Sempre que comia algo, Rafael era obrigado a tomar uma injeção de insulina para regular os níveis de açúcar no sangue. Aquilo deixava a mãe muito angustiada. “Eu vi na low carb uma oportunidade de dar menos insulina ao meu filho. A doença não tem cura, mas, apesar de alguns médicos serem resistentes a esse tipo de dieta, eu vi os resultados na prática”, garante. Segundo Carol, hoje, o filho toma no máximo três injeções por dia — antes, chegava a sete. “Ele não precisa, por exemplo, fazer uso da insulina na escola, durante o lanche.”

Aliás, a lancheira de Rafael — e a de Ricardo também — é motivo de admiração de muitas mães. “Muitas me procuravam para pegar dicas”, conta. Diante disso, Carol decidiu criar uma página no Instagram para dividir as receitas que criava. O retorno foi melhor que o esperado. “Muita gente começou a me escrever dizendo que as minhas publicações deram uma injeção de ânimo, ao ver que era possível ter uma família saudável e feliz, apesar da doença. Para mim, isso não tem preço”, comemora. Hoje, @meudocerafael tem quase 10 mil seguidores.

Carol ressalta que a dieta low carb não se restringe a quem tem algum tipo de restrição alimentar. De forma saudável e natural, as pessoas acabam emagrecendo também. Por isso, hoje tem uma legião fiel de seguidores. Para ela, na prática, a diabetes trouxe mais saúde para a família como um todo. “Antes, eu vivia à base de misto quente. É claro que, vez ou outra, ainda como o meu pãozinho. As crianças, quando vão a uma festinha no fim de semana, comem o seu brigadeiro numa boa. Tudo é uma questão de bom senso.”

As receitas de Carol, apesar do baixo teor de açúcar e gordura, são deliciosas. O bolinho de chocolate que ela compartilha com os leitores, por exemplo, não leva farinha de trigo nem açúcar, mas não deixa a desejar a nenhuma guloseima. “Por que não substituir o açúcar pelo xilitol e o trigo por farinha de amêndoas? No meu pão de queijo, uso goma de xantana e fica delicioso”, exemplifica.

Recentemente, Carol começou a organizar as receitas em um caderninho, que acabou virando um e-book. Hoje, ela lança a publicação, via sua página no Instagram. O Miniguia da lancheira low carb vem recheado de comidinhas saudáveis e fáceis de fazer em casa. “Falta de tempo não é desculpa. Eu mesma preparo muita coisa no fim de semana e congelo.” Fica a dica!

Serviço
Instagram: @meudocerafael

 
(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
 
Bolo de chocolate low carb da tia Djulye

Ingredientes
2 ovos
1/2 xícara de farinha de amêndoas
40g de chocolate 70% cacau ou o de sua preferência (esse será o diferencial da receita ter menos ou mais carboidratos)
1 colher de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de xilitol (também vai do seu paladar por menos ou mais)
1 colher de café de fermento para bolo.

Modo de preparar
Derreta o chocolate junto com a manteiga. Pode ser no micro-ondas. De 15 em 15 segundos, vá mexendo. Adicione os ovos e mexa bem. Polvilhe a farinha usando uma peneira para não embolotar, acrescente o xilitol e misture por último o fermento. Coloque em forminhas de cupcake e leve ao forno pré-aquecido a 180°C, por mais ou menos 15 minutos.

Rendimento: 8 bolinhos
Tabela nutricional para 1 bolinho (18g)
Calorias: 39,92kcal
Carboidratos: 1,61g
Proteínas: 1,30g
Lipídios: 3,13g

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