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Correio Braziliense

Mulheres grávidas devem ficar longe dos pets? Especialistas tiram dúvidas

Quando recebem a notícia de que estão grávidas, muitas mulheres que têm pets em casa ficam inseguras e com medo de que eles possam transmitir doenças, mas grande parte do receio é baseado em mitos


postado em 05/05/2019 08:00 / atualizado em 03/05/2019 19:17

(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)
(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)
Quando recebem a notícia de que estão grávidas, muitas mulheres que têm pets em casa ficam inseguras e com medo de que eles possam transmitir doenças que venham a complicar a gestação. A veterinária Lorena Bastos explica que grande parte desse receio é fruto de falta de informação. Isso porque animais com a rotina veterinária em dia não oferecem riscos à saúde das gestantes. “A primeira coisa que vem à cabeça é com relação a toxoplasmose. Mas é muito mais fácil adquiri-la comendo carnes de origem duvidosa do que no convívio com o gato”, exemplifica.

 

A dona de casa Camila Ribeiro de Sousa procurou se cercar de cuidados desde que descobriu a primeira gravidez, em 2010. E buscou adaptar a nova condição com o convívio dos dois animais de estimação: o gato Jon e a cadela Fiona. “Nunca passou pela minha cabeça me desfazer dos animais. Apenas parei de fazer a limpeza das caixinhas de areia. Meu gato sempre ficava comigo no pé da cama e foi uma das minhas principais companhias durante a gravidez”, recorda-se.

 

Quando voltou para casa, após dar à luz a primeira filha, Laura, a dona de casa conta que a cadela Fiona chegou a se emocionar com a chegada da nova integrante da família. “Lembro que ela pulou bastante e começou a chorar assim que passei pelo portão”, diz. “Uma vez, deixei a neném dormindo na cama enquanto ia ao banheiro. Quando voltei, Fiona estava em cima do pufe vigiando minha filha. Sempre foi uma relação de muito amor.” A cadela ainda acompanhou a segunda gestação de Camila, mas morreu dias antes da segunda filha, Mariana, nascer. Mas as meninas têm a convivência diária com o gatinho Jon.

 

A ginecologista e obstetra Iohana Vieira da Silva explica que a quantidade de benefícios que um animal pode trazer à gestante é muito maior que os riscos. “O primeiro passo após a confirmação de uma gravidez nunca deve ser doar o animal. Mas, sim, levá-lo ao veterinário para deixar todas as vacinas e a vermifugação em dia, além de realizar o rastreio de doenças que possam ser transmitidas aos humanos.”

 

Segundo a médica, a presença de um pet durante a gestação pode até diminuir os níveis de estresse da futura mamãe. “Além de ótimas companhias, ter um pet em casa pode ajudar a grávida na prática de exercícios físicos ao ar livre, quando não houver contraindicação do obstetra. Ou seja, desde que esse pet esteja com a saúde em dia, ele só tem a somar nesse período.”

 

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

 

Principais cuidados


Limpeza

A função de limpar as fezes e a urina de cães e gatos deve ser repassada para um outro membro da família para evitar o risco de contaminação. Caso não seja possível, a gestante deve usar luvas descartáveis e higienizar bem as mãos após a tarefa.


Brincadeiras

As grávidas que têm animais de médio a grande portes devem tomar cuidado na hora de brincar com os animais, evitando machucados e quedas.

 

Toxoplasmose

Durante o pré-natal, um dos exames que devem ser solicitado pelo médico é o de sangue, para descobrir se a gestante já teve contato com a toxoplasmose, uma doença infecciosa provocada pelo Toxoplasma gondii. Caso o resultado seja negativo, deve-se redobrar os cuidados com a higiene do animal. O parasita vive dentro das células humanas e animais, principalmente de gatos, e pode ser transmitido por contato com as fezes dos bichos infectados, além da ingestão de carnes cruas. Durante a gravidez, a doença pode atravessar a placenta e afetar o desenvolvimento do bebê.

 

Hamsters

Gestantes que têm roedores, como o hamster, não devem fazer a limpeza das gaiolas. Nesses bichos, o risco está no vírus Lymphocytic choriomeningitis, presente na urina do animal e que também pode provocar doenças congênitas no bebê.

 

 

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