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Correio Braziliense ENCONTRO COM O CHEF

Conheça a história do chef Beto Félix, que busca inspiração no cotidiano

A vivência com os avós trouxe influências gastronômicas que definiram o caminho profissional de Beto Félix


postado em 15/05/2019 16:08


 
Chef Beto Félix(foto: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)
Chef Beto Félix (foto: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)
Beto Félix, 48 anos, diz, com orgulho, que suas origens são fruto de uma grande mistura étnica e gastronômica. Da parte materna, a avó, exímia doceira, vinha de uma descendência indígena — “minha bisavó vivia na aldeia” —, enquanto o avô era um “bugre, negro de cabelo liso”, nascido na fronteira com o Paraguai. Do lado paterno, a avó, uma cearense de olhos azuis, tinha ascendência alemã e cozinhava divinamente tanto os quitutes nordestinos quanto os germânicos.
Em meio a essa miscelânea, Beto cresceu cheio de influências culturais e gastronômicas.  “Desde pequeno, ficava observando as minhas avós e a minha mãe em meio às panelas.” A avó materna, inclusive, engrossava a renda doméstica fazendo doces, bolos e salgados em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, onde todos viviam.
Mas foi só na adolescência, já morando em Brasília, para onde a família se mudou na década de 1970, que Beto começou a se arriscar no fogão. “Como eu gosto muito de comer, às vezes, chegava em casa tarde da noite e ia preparar algo. E fui tomando gosto pela coisa.” Mas nem passava pela cabeça dele transformar aquilo em profissão.
Assim, tentou seguir os passos do pai e cursou direito. Até exerceu a profissão por um tempo, mas não estava feliz. Como foi pai muito cedo, aos 21 anos, precisava se virar para criar os quatro filhos. Trabalhou com vendas, teve carrocinha de cachorro-quente, foi gerente de boate e até abriu um bar, o Squina 26, na QI 26 do Lago Sul, em uma época em que existiam poucas opções de lazer por lá. “Mas administrar é muito diferente de cozinhar”, admite. E o empreendimento acabou quebrando, depois de dois anos, em 2009.

De hobby a trabalho


A paixão pelas caçarolas só cresceu nesse período. Sempre que ia a um restaurante e gostava de algum prato, Beto tentava, confiando no paladar, reproduzi-lo em casa. As receitas que tanto viu a mãe e as avós fazerem também se tornaram referências. E, assim, ele se tornou o cozinheiro de fim de semana dos familiares e dos amigos.
Até que em um período de dificuldade financeira, Beto decidiu começar a fazer marmitas em casa para vender. No cardápio, comida caseira e bem temperada a preço acessível. A logística, sobretudo de distribuição, porém, era complicada, e ele acabou desistindo do negócio. Mas não totalmente.
O melhor amigo propôs, então, sociedade, e Beto começou a estruturar um novo modelo de negócio. Alugou um espaço no Paranoá, montou 

uma cozinha industrial e comprou uma máquina que permitia embalar os alimentos a vácuo. Surgia assim o Comida da mamãe, em julho do ano passado. A proposta era parecida com a das marmitas: fornecer comida caseira a um baixo custo, só que congelada. As refeições vêm embaladas, individualmente, a vácuo, prontas para o consumo.
No cardápio, comidinhas que eram preparadas pela mãe e pelas avós, como a carne com mandioca e a farofa de torresmo de carne, cuja receita Beto compartilha com os leitores da coluna. “Eu cresci comendo essa combinação.” Os pedidos, explica, devem ser feitos, normalmente, com 48 horas de antecedência. “Não cobro taxa de entrega, mas reservo duas vezes da semana, geralmente terça e quinta, para fazer a distribuição”, explica.
Para montar o negócio, fez curso de segurança alimentar e contratou um nutricionista para preparar as fichas técnicas dos pratos, com os valores nutricionais. Entre os mais pedidos estão a feijoada e o filé ao molho madeira. Tudo com aquele gostinho de comida feita pela mamãe. 

Receita

Carne com mandioca e farofa de torresmo de carne

Carne com mandioca e farofa de torresmo de carne (foto: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)
Carne com mandioca e farofa de torresmo de carne (foto: Sibele Negromonte/CB/D.A Press)

Carne com mandioca

Ingredientes
l 1kg de carne em cubinhos (alcatra, coxão mole ou contrafilé)
l 1kg de mandioca em cubos
l 30g de banha de porco
l 2 tabletes de caldo de carne
l 3 folhas de louro
l 3 dentes de alho
l ½ cebola
l 30ml de molho shoyo
l Pimenta-do-reino a gosto
l Cheiro verde para decorar

Modo de preparar
Doure a carne na panela de pressão com a banha de porco, a cebola, o alho e a pimenta. Acrescente um litro de água e os demais ingredientes. Feche a panela e marque 30 minutos após pegar pressão. Na hora de servir, acrescente o cheiro verde.




Farofa de 
torresmo de carne

Ingredientes
l 500g de carne (de sobra churrasco, bife, assado, etc.)
l 500g de farinha de mandioca (beju goiano)
l 50g de banha de porco
l 100g de manteiga
l 30g de cebola picada
l 2 dentes de alho
l Sal a gosto

Modo de preparar
Corte a carne em pedacinhos pequenos e frite bem na banha de porco. Após a fritura, separe os torresmos. Em outra panela, frite o alho e a cebola na manteiga. Acrescente os torresmos e a farinha e mexa bem. Sirva a carne com mandioca, feijão e arroz caseiros.

Rendimento: 5 porções

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