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Correio Braziliense BICHOS

Maternidade no mundo pet: saiba mais sobre a gestação de cadelas e gatas

A maternidade é uma experiência singular também para os pets. Mas os cuidados com a saúde da mãe e dos filhotes exigem atenção antes, durante e depois da gravidez


postado em 15/05/2019 18:00 / atualizado em 15/05/2019 18:01

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

 

Se, para as mulheres, a gestação merece todo o cuidado e carinho, não é diferente para cachorras e gatas. O tutor precisa ter disponibilidade para cuidar da mãe — antes, durante e depois da gravidez — e dos bichinhos.

Especialistas alertam que é necessário que o animal esteja com a saúde em dia para a gestação. “A fêmea e o macho não podem ter doenças infectocontagiosas, venéreo transmissíveis e hereditárias”, explicam as médicas veterinárias Ana Flávia Gonçalves e Letícia Parente, do Hospital Veterinário de Taguatinga (HVT). O parceiro deve ser de tamanho adequado ao da fêmea para evitar o desenvolvimento de fetos muito grandes. Além disso, o acasalamento costuma ser mais fácil quando os pets já se conhecem.


Os primeiros sinais de prenhez em cadelas e gatas incluem alterações nos mamilos, que ficam mais rosados e inchados, e mudanças no comportamento. “As mamães se tornam mais quietas, buscam lugares mais quentinhos. Logo a barriga já começa a aumentar de tamanho, como nas mulheres”, enumera a médica veterinária Camila Garcia, da Meu Pet Natural.

Morena, uma gata de 2 anos, deu à luz três filhotes há três meses. A tutora dela é a veterinária Ana Flávia. Ela resgatou a gatinha depois que o animal foi abandonado por um vizinho. “Como sou veterinária, percebi que a barriguinha estava crescendo. Realizei o exame de palpação abdominal e senti que ela carregava três filhotinhos.”

Depois da confirmação da gravidez, a atenção precisa se voltar para o pré-natal, quando o bicho deve receber assistência de um especialista. Jair Costa, veterinário e diretor do Hospital Veterinário (HVet), explica que os exames pré-natais são importantes para prevenção ou identificação de possíveis doenças. Comumente são recomendadas ao menos três visitas ao veterinário durante a gestação, quando, além de exames de sangue e ultrassons, são avaliados a condição física da mãe e o desenvolvimento do feto.


Um dos importantes cuidados, nessa fase, é com a alimentação. Grávida, a fêmea passa a alimentar, também, os filhos. Por isso, é recomendado que a mãe — tanto cadela quanto gata — coma ração para filhotes durante a gestação e até mesmo antes de engravidar, quando a prenhez é planejada. A mudança de ração garante mais nutrientes e mais calorias, necessárias nesse período.


Ana Flávia e Letícia acrescentam que cachorras e gatas precisam beber uma quantidade razoável de água, assim como o ninho deve ser mantido sempre limpo. “A mamãe procura se aninhar, busca um canto seguro para se esconder”, justifica Camila Garcia.

 

Esse foi o caso de Morena. Ana Flávia conta que, quando o parto estava próximo, a gata montou um ninho. “Ela usou um tapetinho que ficava na entrada da casa e depois se escondeu na chácara. Dias depois, foi trazendo os filhotinhos, um por um”, lembra a tutora.


O período gestacional de cadelas e gatas dura, em média, dois meses, podendo variar para uma semana a menos ou uma a mais. Na maior parte dos casos, já estão prontas para dar à luz com 58 dias de gestação.


É normal que a fêmea adote um comportamento mais arisco e fique reclusa nesse período. Cabe ao tutor e ao veterinário auxiliarem no controle do bem-estar do animal. Além de proporcionar à mãe um espaço em que se sinta segura. Camila lembra que cromoterapia, florais de Bach e aromaterapia têm se tornado métodos bastante comuns e podem auxiliar no combate ao desequilíbrio energético. “Não há efeitos colaterais, e o resultado é incrível.”

 

Pepê teve que se submeter a uma cesárea para ter os três filhotes com segurança(foto: Carlos Vieira/CB/.D.A Press)
Pepê teve que se submeter a uma cesárea para ter os três filhotes com segurança (foto: Carlos Vieira/CB/.D.A Press)
 

Filhote a caminho


Passado o período gestacional, é chegada a hora do parto — marcada pela expulsão dos fetos, com liberação de líquidos da placenta e contrações. O veterinário Jair Costa ressalta a necessidade de ficar atento ao tempo: os fetos devem ser expulsos entre cinco minutos e duas horas. Não costumam existir riscos nesse momento. Em alguns casos, porém, a mãe pode precisar de ajuda para romper o saco amniótico e o cordão umbilical.


Pepê, 3 anos, já havia passado por uma gestação, engravidou pela segunda vez e, há duas semanas, teve os filhotes. A gravidez não foi planejada, mas a tutora dela, Beatriz Messias, já desconfiava, porque o pai dos bichinhos convive com a pinscher, e Pepê não é castrada. Logo depois da confirmação, a tutora trocou a ração de adulto pela de filhotes e notou que a cadela ficou mais quieta e reclusa.


Ao perceber que a cadelinha estava com dificuldades na hora do parto, entre uma contração e outra, Beatriz ligou para um veterinário, que recomendou que ela fosse levada a um hospital. Lá, depois de passar meia hora tentando um parto normal, o quadro evoluiu para uma cesariana. Pepê, assim, teve dois machos e uma fêmea saudáveis. A cirurgia rendeu cuidados a mais. “Ela teve que tomar antibiótico e remédio para dor, além de renovar o curativo nos pontos”, conta Beatriz.

 

Socialização


O tempo do filhote com a mãe é essencial para o desenvolvimento dos bichinhos. “Nessa fase, o bichinho aprende sobre os aspectos psicológicos e sociais da espécie”, explica Camila. Cães e gatos precisam passar, no mínimo, três meses com a mãe. É essa convivência que proporciona aos filhotes o contato com os costumes maternos, quando aprende a se comunicar.


O afastamento precoce deixa marcas para a vida toda. Pets que não socializam corretamente perdem referenciais. “Imagine um animal que é entregue aos novos proprietários com 45 dias de vida? Não será surpresa se manifestarem problemas comportamentais, agressividade, inseguranças e latidos excessivos”, pondera a veterinária.

 

Como os filhotes ainda estão com o sistema imunológico em formação, é fundamental evitar o contato com outros animais, com a rua e com pet shops até que tenham as vacinas em dia.

 

* Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

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