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Correio Braziliense

Contra homofobia,estilistas subvertem gênero nos desfiles do Dragão Fashion

Brincando com as convenções de gênero na moda, estilistas como Kallil Nepomuceno e Lindebergue Fernandes apresentaram coleções que foram aplaudidas de pé


postado em 18/05/2019 12:11 / atualizado em 18/05/2019 15:10

Desfile Lindebergue(foto: Ailim Cabra/CB/D.A Press)
Desfile Lindebergue (foto: Ailim Cabra/CB/D.A Press)
A sexta-feira (17/5) foi um dia cheio de destaques no DFB Festival. No Dia Internacional contra a Homofobia, Lindebergue Fernandes trouxe um desfile que subverteu as noções de gênero e foi marcado pela alegria. 

Com músicas de Ronaldo Resedá, apostou em maquiagens exageradas e cabelos cheios de personalidade nos modelos masculinos e femininos. Brincando entre o brega e o chique se propôs a discutir a dignidade humana. Questionando gênero e sexualidade e trazendo um clima de protesto recheado de otimismo e até mesmo um certo deboche marcado pela trilha sonora com risadas exageradas, empolgou o público que aplaudiu entusiasticamente. 

Os looks foram marcados pelo oversized, com estampas coloridas e laços cheios de movimento. Camisetas com os dizeres “boy lixo” e “bye bye Brasil” foram as queridinhas do público. 

A apresentação da Rota Jeri, assinada por Cláudio Silveira, seguiu o mesmo clima de empolgação e ressaltou a força da mulher artesã. Com um casting diversificado, deixou a cor verde em evidência, simbolizando o mar e as palmeiras. Os tons mais terrosos e de areia, remeteram as praias e ao sertão. 

Com a coleção Bença, definida como “um relicário de sonhos e inquietações. Um apelo pelo fim da violência contra a mulher”, Jeferson Ribeiro encantou a plateia com peças delicadas de linho. 

Desfile Jeferson Ribeiro(foto: Ailim Cabra/CB/D.A Press)
Desfile Jeferson Ribeiro (foto: Ailim Cabra/CB/D.A Press)
Pela sétima vez no DFB, o estilista criou peças que passeiam pelo universo da personagem nordestina Macabéa, de Clarice Lispector e de Rachel, de Blade Runner. 

As mulheres opostas representadas pelas mangas amplas e cintura ajustada e pelas alças finas e recortes assimétricos, se uniram e encontraram harmonia em looks fortes e românticos ao mesmo tempo.

Um dos desfiles mais cheio de brilho da noite foi a Melk Zda. Inspirada no mundo dos chás e com o hibisco como flor símbolo da coleção, trouxe estampas, que remetiam a especiarias como cravo e canela e aos utensílios de chá como colheres antigas e bules. Muita cor, desenhos cheios de detalhes e muito metalizado.

As texturas, cheias de tramas e bordados também foram inspiradas pelos desenhos de porcelana antiga e por infusores de chá, retratados em tramas artesanais. Os linhos naturais usados foram todos tingidos de forma artesanal com chás, seguindo a tendência sustentável. 

Kallil Nepomuceno encerrou a noite sendo aplaudido de pé pelas cerca de mil pessoas que acompanharam o desfile. Com bordados intrincados e estampas cheias de personalidade em modelagens luxuosas, foi um grande destaque. 

Misturando estampas, bordados, brilhos e patchwork uniu o chique e o causal em looks de festa com jaquetas bomber. 

Apresentando looks masculinos pela primeira vez, brincou com as convenções de gênero e trouxe peças contemporâneas.

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