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Excessos na prática do jejum intermitente podem comprometer a saúde

Ficar períodos sem comer resulta em perda de peso, mas exageros podem comprometer a saúde. Entenda as vantagens e as desvantagens do jejum intermitente

Giovanna Fischborn
postado em 03/06/2019 12:12
Nádia Macedo faz o jejum intermitente com orientação de uma nutricionista. A dieta é uma grande aliada na prática de exercícios físicos
Comer bem, de três em três horas, é considerada, por muitos, a conduta fundamental de uma alimentação saudável. Entretanto, orientações menos clássicas também têm lugar entre profissionais da saúde. O jejum intermitente é uma dessas que ganha cada vez mais adeptos.

O conceito não é novo. Há tempos que as pessoas jejuam, pelos mais diversos motivos. Mas foi com o médico inglês Michael Mosley, em 2013, que o termo jejum intermitente ganhou notoriedade. A nutricionista Fabiani Beal explica que a proposta inicial previa cinco dias de alimentação normal, sem exageros, seguidos por dois dias de semijejum, com uma ingestão diária de 500 calorias.

;É uma estratégia nutricional, assim como as dietas de controle de carboidrato ou o método de comer de duas em duas horas;, complementa a nutricionista Elissa Cunha. A proposta é concentrar as refeições em uma janela de tempo, que deve ser estabelecida por um nutricionista.

O plano alimentar intercala horas sem comer com alimentação normal. A ideia é passar 12, 16 ou até 24 horas em jejum. O de 24 horas, mais rigoroso, pode ser feito uma ou duas vezes na semana, no máximo. E uma vantagem para muitos é que as horas de sono contam ; boa parte do tempo do jejum coincide com os horários que o paciente está dormindo.

O programa deve estar adequado ao objetivo do paciente. E se o desafio for perder peso, Elissa garante que o jejum funciona, sim, como método de emagrecimento. Isso acontece porque a pessoa passa períodos sem comer e entra em processo de cetose: gasta as reservas de gordura do corpo para usá-las como fonte energética.

Mas, antes de começar o regime, é fundamental acertar a alimentação. Pessoas que não estão acostumadas ou que mantêm uma dieta pouco ou nada balanceada, pobre em nutrientes, tendem a compensar as calorias em uma única refeição. E sair de uma dieta ruim, com muito fast food e industrializados, e optar pelo regime de uma vez só leva à compulsão, ao efeito sanfona e ao mal-estar. ;A pessoa pode sentir muita vontade de ingerir carboidratos ou de comer em grandes quantidades. Isso é compreensível. Por esse motivo, o jejum deve ocorrer progressivamente;, alerta Elissa.


Cautela

O jejum intermitente é um programa de alimentação, não propriamente uma dieta. Necessita de acompanhamento e mudanças ao longo do tempo, para atingir objetivos e manter os resultados, como esclarece a nutricionista Fabiani Beal. De acordo com ela, estudos ainda pouco conclusivos também mostram que esse plano alimentar, em relação à perda de peso, funciona da mesma forma que uma dieta restritiva tradicional.
O regime funciona para um grande grupo de pessoas, mas não para todo mundo. A técnica é pouco efetiva para pacientes obesos e sobrepesados. Crianças, diabéticos, gestantes, idosos, gestantes, hipertensos e pessoas com câncer e outras patologias não respondem bem à prática.

;Por se tratar de um processo de restrição calórica intensa por um período de tempo longo, mesmo o indivíduo saudável pode apresentar hipoglicemia, cefaleia, tonturas, alterações de pressão, de batimentos cardíacos e de eletrólitos sanguíneos;, acrescenta Fabiani. Forçar o jejum pode gerar menor poder de concentração e, consequentemente, levar a quedas e acidentes de trabalho.

Mesmo os dias de alimentação livre podem carregar sintomas. Fabiani sustenta: ;Existe a possibilidade de o paciente ter diarreia, má digestão, entre outros sintomas correlacionados com a menor demanda do trato digestório, por causa do período que fica em jejum;.


Estilo de vida

Nádia Laís Macedo, 38 anos, jornalista, gosta de comida de verdade, e sempre seguiu uma alimentação saudável. Mas, como nunca foi de comer pela manhã, sempre fez jejum de 12 horas, naturalmente. Antes de seguir o plano alimentar, ela não vinha se adaptando à dieta com café da manhã, por causa da digestão lenta. Foi essa dificuldade que tinha no início do dia que motivou uma conversa com a nutricionista. ;Meu objetivo era perder gordura e ganhar massa magra. Decidimos, então, fazer o jejum de 14 horas. Depois, passei para o de 16 horas, que foi bastante sofrido.;

Hoje, Nádia segue o jejum de 12 horas e, mais do que o emagrecimento, sentiu mudança também nas taxas nos exames de sangue. Ela alia a estratégia alimentar à musculação, de quatro a cinco vezes por semana, e ao spinning, duas vezes por semana. ;Apenas o jejum sem qualidade na alimentação não faz milagre. A atividade física nesse período é necessária, e precisa ser bem orientada, porque o organismo necessita de um período de adaptação;, afirma.

Acertando os hábitos

Refeições fora de casa todos os dias e decisões erradas na hora de montar o cardápio faziam parte da rotina de Gabriela Fernandes, 27, psicóloga. O jejum veio com a mudança nos hábitos. ;Com a transformação que fiz na rotina, minha nutricionista achou interessante fazer o jejum duas vezes na semana;, conta. Gabriela aderiu à estratégia alimentar há quatro meses e, hoje, passa de 16 a 17 horas sem comer, incluindo as horas de sono. Já adaptada, afirma que as refeições são muito bem servidas antes do jejum e garante que não passa fome.

Para chegar nesse nível, a psicóloga precisou abrir mão do café da manhã de que tanto gostava. Essa e outras adequações ocorreram aos poucos. ;Senti dificuldade no início, claro. Chegava a hora de comer e eu já estava com muita fome. Para segurar a vontade, minha nutricionista recomendou que eu bebesse bastante chá, que tem pouca caloria, e isso realmente ajudou;, afirma. Gabriela também concilia o regime com atividade física diária, que inclui exercícios com a supervisão de um personal e treinos de futevôlei. ;Devo seguir com o jejum por mais alguns dias, focado em um objetivo mais específico. Depois, acredito que meu plano alimentar mudará;, acrescenta.

* Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte


Fique por dentro

O jejum intermitente é uma estratégia nutricional que deve estar alinhada a algum objetivo. O protocolo do regime é adequado aos hábitos alimentares, à rotina de cada pessoa e à pratica de atividade física ou não. Por esse motivo, é imprescindível que seja conduzida por um nutricionista ou um médico responsável, capaz de avaliar todos os fatores. Esse método pode ainda ser alternado com outras técnicas.


Prós* Queima de gordura
* Equilíbrio e perda de peso
* Descanso do sistema digestivo
* Desintoxicação
* Reparação dos tecidos
* Favorecimento da produção hormonal de cortisol, de serotonina e do hormônio do crescimento

Contras
* Posterior efeito sanfona
* Possível perda muscular
* Problemas de concentração, hipoglicemia e tonturas, por conta da restrição calórica intensa
* Possível falta de nutrientes
* Estudos ainda pouco conclusivos sobre a técnica

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