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Correio Braziliense

Estresse em gatos: como tratar e prevenir o problema

Animal superapegado à rotina, o gato está mais suscetível a desenvolver problema emocional. Quando o estado se prolonga, pode resultar em doenças graves


postado em 03/06/2019 12:00 / atualizado em 03/06/2019 12:10

A gata de Lorenna Duarte, tem crises de estresse frequentes sempre que a auxiliar administrativa faz alguma alteração na rotina.(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
A gata de Lorenna Duarte, tem crises de estresse frequentes sempre que a auxiliar administrativa faz alguma alteração na rotina. (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)


Estresse não é algo restrito apenas aos seres humanos. Os pets também estão suscetíveis a esse estado emocional, em especial os gatos, animais naturalmente sensíveis a mudanças. O estresse em felinos pode durar apenas alguns dias, mas, quando se torna contínuo, o sistema imunológico é afetado e doenças mais graves tendem a surgir.

De acordo como o veterinário Humberto Martins, especialista em comportamento animal, pequenas mudanças já são suficientes para alterar o estado emocional dos bichanos. “Um novo animal no lar, uma mudança de casa ou até mesmo uma simples troca de mobiliário são gatilhos para que o gato fique estressado”, explica.

Algumas situações que podem causar o problema são mais pontuais, como uma ida ao veterinário, mas, em alguns gatos, a raiz do problema é um pouco mais profunda. No caso de Valentina, gata de estimação da auxiliar administrativa Lorenna Duarte, 28 anos, as situações adversas por que passou antes de ser adotada estão entre os principais motivos de o animal ter crises de estresse.

Valentina é adotada. Lorenna conta que costumava alimentar uma ninhada de gatos no Setor de Embaixadas, até que um dia notou um dos bichanos escondido em um matagal próximo. “Nunca a tinha visto por lá, ela estava bem magrinha e, quando se aproximava para comer, os irmãozinhos batiam nela. Quando notei que ela estava bem debilitada e que também tinha uma deficiência, resolvi resgatá-la, pois era muito provável que não sobrevivesse muito tempo naquela situação”, relembra.

Desde o começo, a adaptação de Valentina foi bem difícil. Isso porque, na época, Lorenna ainda morava com a mãe, e lá já havia outras gatas. “Ela não conseguia nem ficar dentro de casa sozinha, só chorava. Era bem difícil a convivência. Ficava marcando território, tendo um comportamento agressivo, batendo e arranhando.”

A situação só melhorou depois que Lorenna se mudou para outro apartamento com o marido, onde a gata pôde ter um espaço só para ela. Mas ainda apresenta quadros de estresse quando o casal faz pequenas mudanças. “Quando adotei outra gata, voltou tudo. Foi bem difícil o processo, mas hoje elas se toleram.”

A auxiliar administrativa relembra que o momento mais tenso que viveu foi quando precisou viajar. “Quando voltamos, ela estava com os pelinhos da barriga todos branquinhos, ficou bastante deprimida, fazia xixi no lugar errado e chiava para qualquer pessoa que chegasse perto, inclusive nós. Demorou um tempo para que melhorasse.” A tutora buscou, então, passar mais tempo com Valentina, e dar uma atenção especial para evitar essas situações. “Apesar disso, ela é bem carinhosa”, garante.

Como tratar

A gata Valentina (Cor escura), tem uma personalidade mais reservada. Apesar de ter tido dificuldade em se adaptar com os outros animais da casa, hoje convive bem com eles.(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
A gata Valentina (Cor escura), tem uma personalidade mais reservada. Apesar de ter tido dificuldade em se adaptar com os outros animais da casa, hoje convive bem com eles. (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
 

 

De acordo com o veterinário Vitor Benigno, o principal a ser feito, quando o tutor notar os sintomas de estresse, é eliminar ou diminuir o fator causador. “O ideal é que esse processo seja realizado com a ajuda de um veterinário, de preferência que tenha bom conhecimento sobre a área de comportamento, para descartar qualquer doença e identificar o motivo do problema”, recomenda.

O tratamento pode ser desde a mudança de manejo, o uso dos feromônios sintéticos e até mesmo de algum medicamento ansiolítico. “Como os gatos são animais muito ligados à rotina, também é importante estabelecer o hábito de brincadeiras, interação e carinho”, recomenda.

Segundo Benigno, é essencial que o estresse seja estudado e tratado, porque, quando o quadro é contínuo, pode ocasionar problemas na saúde física do animal, pois ele afeta o sistema imunológico. “Existem doenças que podem ser causadas pela diminuição da alimentação, por exemplo, outras que podem se aproveitar do sistema imune debilitado por conta do estresse, se instalar e se manifestar. Vale sempre lembrar que um sistema imunológico saudável é a principal barreira a doenças que esse paciente possa ter, e o estresse vai interferir diretamente na imunidade deles”, alerta.

Prevenção é a chave

A boa notícia é que pequenas medidas no dia a dia podem ajudar a evitar o estresse nos bichos. Segundo o veterinário Humberto Martins, a melhor maneira de prevenção passa por uma boa adaptação ambiental, sendo necessário que todos os recursos de que o gato precisa estejam bem localizados, com fácil acesso e com mais de uma opção de recurso.

“Brinquedos são fundamentais na rotina de um gato. Os que simulam situações de caça são os preferidos. Sempre lembrando que o ideal é não deixar os brinquedos sempre acessíveis. Após brincar com o gato, é bom guardá-los”, recomenda.

É interessante também que o tutor comece desde cedo a acostumar o felino a situações adversas que podem provocar estresse. O enriquecimento ambiental também é eficiente com o uso de mobiliário específico, como prateleiras por onde os gatos possam circular. Além disso, o uso de feromônios sintéticos pode ajudá-los nessa busca pelo bem-estar.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte




Sinais de estresse

Alterações na rotina de higiene
O gato pode ficar obcecado com a limpeza, lambendo-se de forma excessiva, podendo perder pelos nessas zonas. Em contrapartida, o animal também pode descuidar da higiene, fazendo as necessidades fora da caixa de areia, por exemplo.

Marcando território
O felino começa a marcar território descontroladamente em determinados locais da casa, arranhando móveis ou se esfregando nas paredes e objetos, por exemplo.

Adoecendo com frequência
Devido ao estado emocional, o sistema imunológico do bichano pode ser gravemente prejudicado e, por isso, começar a desenvolver patologias de caráter infeccioso de forma reiterada.

Perda de pelo:
Muito mais comum do que o habitual, está relacionada à queda de defesas e ao aumento do nervosismo.

Agressividade:
O gato passa a ser agressivo com outros animais e também com os donos.

Perda de apetite:
O felino estressado tende a parar de comer e a ter uma perda de peso considerável.

Estereotipias:
O pet desenvolve comportamentos compulsivos e repetitivos, como lambidas excessivas, ingestão de tecido ou outros objetos não comestíveis, morder-se, etc.

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