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Correio Braziliense ESPECIAL

Conheça a história de relacionamentos à distância que deram certo

Mesmo vivendo em cidades diferentes, eles construíram um final feliz para o romance


postado em 09/06/2019 09:00 / atualizado em 07/06/2019 15:01

Depois de sete anos de namoro à distância, a brasileira Francine subiu ao altar com o escocês Ryan(foto: Gabriel Ribeiro/Arquivo Pessoal)
Depois de sete anos de namoro à distância, a brasileira Francine subiu ao altar com o escocês Ryan (foto: Gabriel Ribeiro/Arquivo Pessoal)
 
 
Quando se pensa em relacionamento, é natural associar os momentos importantes a um parceiro sempre ao lado para dividir a vida. Mas o que acontece quando a pessoa amada mora em outra cidade ou até em outro país? Isso não significa que a relação não tem futuro. O romantismo das cartas foi substituído pelo apoio da tecnologia, e está cada vez mais fácil se relacionar com quem está longe. Mas o sucesso depende muito mais do que estar sempre pendurado ao telefone ou vivendo entre chamadas de Skype.

“Não é a distância física que fará dar errado”, destaca o psicólogo clínico e especialista em terapia de casal Fabrício Guimarães. De acordo com ele, embora sejam muitas as demandas e adaptações exigidas em um namoro a distância, essas relações têm potencial para dar certo. “Como em todo relacionamento, não tem como garantir o sucesso. Mas já não existe muita diferença entre uma relação de longa distância e uma em que as pessoas se veem com frequência”, explica. O psicólogo sustenta que, em um compromisso desse tipo, as pessoas tendem a ser mais abertas a conversar, além de mais compreensíveis.

Questões como pensar na frequência com a qual o casal se encontrará e o estabelecimento de uma rotina de conversas exigem planejamento. É preciso, portanto, estabelecer acordos desde o início. Isso deixará claro o que cada um pode esperar do outro. Para Fabrício, pode haver ganhos em namoros assim: “O casal amadurece, desenvolve a capacidade de superar o conflito e a possibilidade de se manter aberto com a outra pessoa”.

Não há receita de sucesso, mas o autoconhecimento e o diálogo são, definitivamente, indispensáveis. É preciso estar bem consigo mesmo, bem resolvido com a questão do ciúme, da segurança e também bem no relacionamento, em relação ao outro. “Mesmo distantes, há pessoas que estão muito mais presentes na vida do outro do que as que dormem todos os dias juntas”, acrescenta.

Para se inspirar, a Revista conversou com casais que conseguiram driblar os obstáculos da distância e estão construindo finais felizes.

Nem o oceano os separou


Mais de 9 mil quilômetros de distância não foram um problema para Francine Verzeletti Clark, 24 anos, e Ryan Clark, 29. A brasileira e o escocês, que passaram sete anos alternando visitas e conciliando períodos de férias, viram a tecnologia como maior aliada para participarem da vida um do outro. Além de fundamental para a manutenção do relacionamento durante o período separados fisicamente, a internet foi a ferramenta inicial para que eles se conhecessem, graças a um chat on-line.

“Logo que começamos a conversar, ficamos conversando por nove horas seguidas. Ele pediu meu e-mail e nós não queríamos mais deixar de falar um com o outro”, relembra Francine. Três meses depois de se conhecerem, Ryan embarcou rumo ao Brasil, em abril de 2010, e a recepção não poderia ter sido melhor — a família da dentista ficou encantada com o rapaz.

A melhor alternativa era conciliar as visitas com as férias — período em que Ryan vinha ficar com Francine e a família. Eles se encontravam de duas a três vezes ao ano e sempre se falavam pelo celular. Manter-se presente na rotina um do outro foi um desafio. “Isso afetou um pouco a minha vida social. Era difícil adequar o fuso horário e as saídas à noite. Por isso, deixei minhas amigas um pouco de lado”, conta Francine.

A barreira da língua, no entanto, nunca atrapalhou as longas e recorrentes conversas. O sotaque carregado da Escócia dificultava um pouco a compreensão de Francine, e o empresário não falava português. Porém, para tudo se dá um jeito. Após várias visitas ao Brasil e com a ajuda e a atenção da mãe dela, Ryan logo aprendeu algumas palavras na língua da namorada.


Aprendizado


A psicóloga Graziele Machado explica que, para superar barreiras culturais, o mais importante é ter abertura para aprender um com o outro. “As pessoas se disponibilizam a vivenciar e usufruir dos aprendizados adquiridos com a outra cultura e, em muitos casos, acabam se apaixonando ainda mais por essas características”, destaca a especialista. Quando isso acontece, é um terreno muito fértil para o relacionamento crescer.

O diálogo também é ferramenta importante para diminuir inseguranças. A confiança, assim como em qualquer outro relacionamento, é primordial, garante a psicóloga. Não dá para ficar querendo saber sempre onde o outro está, mesmo com a ajuda dos celulares. “O ciúme, quando unido à saudade, pode desencadear alguns quadros de ansiedade, assim como desgastar a relação”, pondera.

O casal, entretanto, não teve problemas com relação a isso. “Aprendemos a desenvolver a confiança, porque se não você vive em pé de guerra”, acredita Francine. O maior problema entre eles eram as despedidas e o longo período sem se ver — que já chegou a durar 10 meses. Quando o momento da separação chegava, além de afetar o psicológico, Ryan também se sentia mal fisicamente.

Em 2015, decidiram dar o próximo passo. O Castelo de Dumbarton, na Escócia, foi cenário para o pedido de casamento, que ocorreu dois anos depois, em Brasília. A dentista, então, carimbou o passaporte e se mudou para a cidade do marido, Glasgow, onde mora há pouco mais de um ano.

“Passamos tanto tempo longe um do outro que a vontade de fazer a distância acabar era maior que qualquer insegurança sobre deixar o meu país. Porém, depois que cheguei aqui, senti muita falta da comida brasileira e da minha família. Cada escolha é uma renúncia, mas eu sou feliz e nunca me arrependi da escolha que fiz”, garante Francine. 
 
A tecnologia ajuda Tatiana e Alejandro a manterem a relação firme e forte(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A tecnologia ajuda Tatiana e Alejandro a manterem a relação firme e forte (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 


De casamento marcado


O relacionamento de Tatiana Alencar, 44 anos, professora, com Jose Alejandro, 41, começou por acaso, ou, há quem pense, por obra do destino. Os dois se conheceram em uma excursão que fizeram para o Canadá há cinco anos. E quem diria que um encontro casual renderia uma história de amor e planos de casamento?

“Eu não sabia qual era a nacionalidade dele. Tinha muitos argentinos na excursão, até pensei que ele fosse também. Ele escutou o guia conversando comigo em espanhol e pensou que eu fosse de um país que falava a língua, então puxou assunto comigo”, relembra. Jose, que é da República Dominicana, pediu o número do celular de Tatiana para que pudessem conversar. Nessa mesma viagem, eles já marcaram de sair juntos e, mesmo sem José falar português, os dois se deram muito bem.

“No meu retorno para casa, estava no avião e fiquei algumas horas sem ter acesso ao celular. Somente quando cheguei ao Brasil, vi que José tinha mandado várias mensagens de texto. Ele foi superatencioso”, relembra Tatiana. Depois de muitas mensagens e de se conhecerem melhor, Tatiana foi para Santo Domingo, capital da República Dominicana, e José visitou a amada e a família dela algumas vezes no Brasil.

Manter uma relação de longa distância é para os fortes, disso não há dúvidas. “É preciso confiar na outra pessoa e entendê-la também. Ele compreende a minha rotina e eu compreendo a dele, e acreditamos, de verdade, ser possível construir uma vida juntos”, deseja a professora. E para provar que o amor supera, sim, a distância, eles estão com casamento marcado para fevereiro de 2020. Tatiana conta que a ideia é que ela se mude para a República Dominicana. E já vem se organizando para isso.

Por ser professora, Tatiana só consegue tirar um tempinho para visitar o companheiro em feriados prolongados ou em períodos de férias. Então, eles se veem a cada três ou quatro meses. Não é fácil. Ela afirma que uma relação desse tipo requer organização e disposição dos dois lados.

E é com a ajuda da tecnologia que o casal abastece o romance. Basta uma chamada de vídeo para a aflição da distância diminuir. O relacionamento se sustenta com paciência (e muita) e amor de sobra. “Tem dias que sinto vontade de tê-lo por perto. Contar com ele para ir a lugares comigo, porque acabo me sentindo sozinha sem a companhia dele.”
 
Rafaela e Eduardo se encontram a cada 20 dias, mas pretendem unir as vidas no próximo ano (foto: Arquivo Pessoal)
Rafaela e Eduardo se encontram a cada 20 dias, mas pretendem unir as vidas no próximo ano (foto: Arquivo Pessoal)
 

 Relação de parceria


Foi na universidade que Rafaela Gravia, 26 anos, e Eduardo Lavocat, 26, se conheceram. Na época, ela cursava arquitetura e ele, engenharia civil, na Universidade de Brasília (UnB). Como tinham um amigo em comum, se conheciam de vista, mas a relação não passava disso. “Não começamos com o pé direito. Para falar a verdade, eu não era muito simpático e, das vezes que me viu, ela não teve uma boa impressão”, admite Eduardo. Foi assim até eles se conhecerem melhor em uma festa. Depois disso, saíram várias vezes, e a antipatia inicial deu lugar a um amor de faculdade. A data em que começaram a namorar é pra lá de especial: o Dia dos Namorados.

Mas a falta de perspectiva de trabalho em Brasília motivou Eduardo a dar sequência à carreira e aos estudos em outro estado. Formado, iniciou um mestrado em Campinas, no fim de 2015. Hoje, ele mora na cidade de São Paulo, prestando consultoria na área de engenharia civil. Rafaela ficou em Brasília, onde abriu um escritório de arquitetura. Eles reconhecem que as respectivas ocupações proporcionam perspectiva de crescimento profissional e que o momento é de correr atrás das carreiras que querem construir. O que poderia dar errado e ser mal compreendido é razão de felicidade e de apoio mútuo.

Embora longe um do outro, Eduardo e Rafaela tentam não fazer da distância um empecilho. Confiança, companheirismo e parceria são ingredientes chave nesse processo. É preciso trocar experiências mesmo longe, falar o que tem para falar. “É aí que moram os problemas em um relacionamento a distância, porque resolver os probleminhas que fazem parte da rotina não é a mesma coisa quando se está longe”, ela pondera.


Na ponte aérea


Para Rafaela, ficar por dentro do dia a dia do companheiro é indispensável para manter o compromisso saudável. “Manter uma relação dessas com uma pessoa que não sabe nada do que está acontecendo com a outra passa a ser ruim. Se não houver diálogo, começa a perder a conexão com o dia a dia do outro”, conta. A forma que encontraram de superar os problemas sempre foi dormir bem um com o outro. As coisas devem estar bem esclarecidas, nunca deixam uma crise para resolver no dia seguinte. “Nem que fiquemos até as 3h da manhã”, acrescenta Eduardo.
 
Os dois conseguem fazer a ponte Brasília-São Paulo com certa frequência e se encontram a cada 20 dias, em média. Mas, para as viagens acontecerem, precisam se organizar. Eles contam que existe uma dificuldade em conciliar as agendas, além de estarem sempre atentos aos preços de passagem.
 
Focados nas carreiras que vêm construindo, Eduardo e Rafaela pensam em continuar morando distantes pelos próximos meses. Mas, daqui a dois anos, no máximo, os planos são para que Eduardo retorne a Brasília. “Pensamos a longo prazo. Nosso relacionamento não é só um namoro, mas algo que entendemos que possa ser duradouro”, ele garante.
 
Camila e Jorge não aguentaram a distância física e hoje não se desgrudam mais(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Camila e Jorge não aguentaram a distância física e hoje não se desgrudam mais (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
 

Do Norte ao Centro-Oeste


A psicóloga clínica Graziele Machado acredita que, para o relacionamento se estabelecer como duradouro, é fundamental que o casal alinhe os planos e sonhos e mantenha a vontade de evoluir para a convivência em conjunto.

Foi essa premissa que pontuou o relacionamento de Camila Jreige, 25, e Jorge Sotto Mayor, 24. “A gente sempre teve em mente que iríamos lutar para ter a nossa realidade juntos. Independentemente do caminho, vamos pensar em conjunto em uma solução comum, para que os dois consigam crescer, mas nunca deixando de lado que somos um par”, conta a dentista.

Eles se conheceram durante o ensino médio, em uma atividade extracurricular. O projeto reunia estudantes do Brasil inteiro, e Jorge veio de Manaus, cidade onde nasceu, para participar do projeto em Brasília, em maio de 2011. Desde que se conheceram, as conversas não pararam e, no final daquele ano, decidiram engatar o namoro. “No começo, ninguém colocava muita esperança no relacionamento. Por sermos muito novos, sempre acharam que era algo momentâneo”, relembra Camila.

“É difícil para o casal ouvir os comentários alheios sobre a distância — porque as pessoas sempre falam que não vai dar certo — e se manter firme. Mas a gente sempre tenta estimular outros casais, porque dá para ter futuro, sim”, acredita a brasiliense.

Entre chegadas e despedidas, Jorge decidiu deixar a universidade em Manaus e ingressar em uma faculdade de direito no Distrito Federal, em 2014. Camila conta que a troca deu muito certo. “Era uma decisão que casou perfeitamente os nossos projetos pessoais e profissionais. Em Brasília, ele expandiu bastante o campo de atuação na área jurídica e nós pudemos finalmente ficar juntos”, alegra-se.

Morando na mesma cidade, a convivência e o relacionamento se consolidou ainda mais. Logo depois da formatura dele, veio o pedido de casamento. Mas os planos dela ainda incluíam atividades acadêmicas. Antes de se casar, Camila está fazendo um mestrado em São Paulo. “Agora que nós vivemos um período juntos, é mais difícil estar longe. Porém, sempre fizemos tudo com muita tranquilidade. Planejar um casamento e apresentar a minha tese vai ser um desafio, mas eu sempre tive muito apoio e segurança da parte do Jorge.”

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