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Correio Braziliense

Treino em tecido acrobático trabalha corpo e mente de maneira lúdica

Treino em tecido acrobático trabalha corpo e mente de um jeito lúdico e divertido


postado em 16/06/2019 11:50 / atualizado em 16/06/2019 12:07

Ver galeria . 4 Fotos Noyanne Resende mostra a arte do tecido acrobáticoMarcelo Ferreira/CB/D.A Press
Noyanne Resende mostra a arte do tecido acrobático (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Se antes as acrobacias ficavam restritas aos mais destemidos no circo, hoje, atividades no tecido acrobático dão chance àqueles que desejam se sentir como artistas.“É uma atividade prazerosa e completa, de potencial transformador e, claro, muito divertida”, afirma a acrobata e professora de técnicas circenses Isabela Levi. O encontro da arte com o esporte melhora a postura, aumenta a massa magra e tonifica, principalmente, os músculos do abdômen, dos braços e das costas.

Gradativamente e com disciplina, os praticantes alcançam resultados e reproduzem a beleza plástica dos movimentos. As séries de exercícios são realizadas no tecido suspenso, dobrado de forma a deixar duas pontas penduradas.

E mais do que resistência física, a atividade traz vantagens para a mente. Amplia a relação da pessoa com o próprio corpo e com outros corpos — melhora a memória, a autoestima e a expressividade, como explica Isabela.

Para a artista e professora Noyanne Resende, o circo é a mãe de todas as artes. E o tecido tem infinitas possibilidades: permite voar, se esticar, dançar e pegar peso. Quando Noyanne teve os primeiros contatos com o tecido acrobático, há 10 anos, não existiam muitas escolas do tipo em Brasília. Mas essa dificuldade acabou se tornando uma vantagem para a artista. Ainda jovem, ela passou a criar os próprios exercícios e a montar rotinas de treinos para se aperfeiçoar.

Desde então, Noyanne vem promovendo a cultura circense na cidade, e garante que qualquer pessoa pode se inserir na arte e testar os limites do corpo. “O desafio é para todos, assim como a recompensa”, pondera.

Além da versão comprida do tecido, mais tradicional nas aulas, são usados outros aparelhos aéreos. Entre eles, o columpio, que é um tecido em forma de gota, e a lira, um tipo de bambolê que remete bastante às apresentações circenses. Seja qual for o equipamento e a modalidade, os cuidados na hora do treino não podem ficar de lado. O chão precisa estar revestido com um material macio e o tecido, bem posicionado. Também é recomendado o alongamento no solo antes de subir no tecido.

Aos 58 anos, Valéria é a prova de que a prática não está restrita aos mais jovens(foto: Studio Noyanne Circo/Divulgação)
Aos 58 anos, Valéria é a prova de que a prática não está restrita aos mais jovens (foto: Studio Noyanne Circo/Divulgação)

Dança no ar

Acrobacias aéreas combinadas à dança. Essa é a proposta do Ballet Fly, uma das possibilidades do tecido acrobático. Durante a atividade, a música toca o tempo todo. E no alto, os praticantes aliam movimentos de dança a acrobacias do circo. Para iniciar na modalidade, não precisa ter feito balé nem algum tipo de dança. O exercício foca menos na flexibilidade e mais na relação do corpo com o movimento.

A bailarina e educadora física Letícia Marchetto inseriu o tecido como técnica complementar para a turma de balé para a qual dava aula. “Como sempre havia alguma resistência das alunas na hora de trabalhar os braços, o tecido entrou como alternativa”, esclarece. Com a dança, o treino nas alturas trabalha a linha de movimento do corpo e auxilia na transição, leve, do solo para o ar.

São vários os perfis que aparecem na academia de Letícia prontos a se arriscarem no equipamento. “São pessoas que desejam quebrar a rotina. Sabem que precisam praticar uma atividade, mas ainda não têm noção, ao certo, do que gostam. Experimentam o tecido e tomam gosto.” Letícia explica que os praticantes evoluem, etapa por etapa, e se descobrem. Quem sai ganhando é a autoestima. “As pessoas até começam a tirar fotos fazendo as acrobacias. Isso porque se acham mais bonitas, percebem o quão elegante é o movimento que fazem”, comenta.

Atividade que faz bem

Ana Paula Zarske, 31 anos, figurinista, começava atividades comuns de academia e logo se entediava e não conseguia continuar por muito tempo. Além disso, como praticou muitos anos de dança, desde a adolescência, ensaiando e se apresentando em festivais, tinha o desejo de despertar o lado artístico mais uma vez. Começou a praticar tecido acrobático há seis anos e segue, até hoje, com aulas de duas horas de duração, duas vezes na semana.

“Para mim, é uma atividade terapêutica”, assume. Virar de ponta a cabeça e mexer o corpo de formas não convencionais são graças das atividades circenses e que lembram a infância, coisa que Ana Paula valoriza. “Vamos nos encaixando em padrões muito engessados e isso inclui a forma como nos movimentamos.” O circo é, dessa forma, uma saída desse lugar rígido.

Para todas as idades

Com a idade, os exercícios de fortalecimento preventivo tornam-se indispensáveis. A musculatura e a resposta neurológica precisam ser estimuladas. A bailarina e educadora física Letícia Marchetto sustenta que o tecido possibilita que a mente crie novos caminhos e se renove. “As várias conexões nervosas que temos se perdem com a idade. Com o tecido, o praticante treina a memória corporal, ativa o cérebro e evita o esquecimento, porque trabalha repetições”, garante.

Valéria Burneister, 58, nunca gostou de ir à academia. Quando descobriu as aulas no tecido, se encontrou e passou a praticar atividade física regularmente. A “vovó da turma”, como é carinhosamente chamada pela professora e pelos colegas, prova que a disciplina em relação à rotina de treinos traz resultados e que a superação é gratificante. Valéria já se apresentou em dois espetáculos organizados pela companhia em que faz as aulas. Deu um show. Corajosa, se arriscou no trapézio, outro aparelho do circo também presente nas aulas.

Quando iniciou, algumas amigas chegaram a pensar que Valéria estava se arriscando demais e que o exercício poderia causar quedas. Mas ela garante que é possível, sim, subir no tecido com segurança e respeitando o corpo. “Para se ter ideia, no início, eu não conseguia fazer alongamentos simples ou ficar em certas posições, ainda que sentada. Depois de meses de treino, subo no tecido e já consigo fazer uma acrobacia ou outra no solo com o apoio da parede.”

Ela também destaca que o apoio de colegas e professores é muito especial. Mesmo que leve um certo tempo para acompanhar o ritmo dos mais novos e para evoluir, professores e colegas são muito pacientes. “É um ambiente em que as pessoas não se criticam. Mas, sim, amparam e motivam um ao outro”, garante.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte


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