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Correio Braziliense COMPORTAMETO

Mais que estresse: conheça a síndrome de Burnout

Você já se sentiu ansioso e cansado demais todas as vezes que chega para trabalhar? O problema pode ser a síndrome de Burnout


postado em 23/06/2019 08:00


Aldo Borges de Jesus chegou a ficar afastado oito meses do trabalho para se tratar (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Aldo Borges de Jesus chegou a ficar afastado oito meses do trabalho para se tratar (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

 
Sentir-se cansado depois de um dia de trabalho é normal, contar os dias para as férias e aproveitar o fim de semana ao máximo, também. Mas esse cansaço tem um limite. Quando ir ao trabalho vira uma atividade insuportável, acompanhada de dores físicas, crises de pânico e ansiedade, alguma coisa não está certa.

A síndrome de Burnout, termo cunhado na década de 1970, é um conjunto de sintomas relacionados ao mal-estar no trabalho. “A síndrome vem de um tipo de insatisfação ou pressão no trabalho, em que a pessoa começa a sentir que o esforço que está fazendo não é o suficiente”, explica Ione Vasques de Menezes, professora aposentada do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB). “Muitas vezes, converso com professores no início do semestre, que já se dizem cansados, sem fôlego para continuar. Isso deveria ser um comportamento apenas de final de período”, exemplifica.

Os sintomas variam desde dores no corpo até crises de insônia e instabilidade emocional. Por isso, o diagnóstico médico é tão importante, explica Fábio Aurélio Leite, psiquiatra do Hospital Santa Lúcia Norte e membro titular da Sociedade Brasileira de Psiquiatria. Amigos e familiares também são fundamentais nesse processo. Afinal, são eles que geralmente percebem quando alguma coisa não está certa.

A exaustão emocional e a baixa realização no trabalho são características de que a pessoa pode ter desenvolvido Burnout. “Hoje é muito fácil se sobrecarregar no trabalho e perder noção do limite”, explica Fábio. O médico ressalta a importância do diagnóstico, além de acompanhamento profissional, pois a síndrome pode apresentar muitos sintomas diferentes.

Ione destaca a necessidade de prestar atenção ao ambiente profissional e à relação do paciente com ele. Entender a dinâmica do trabalho é fundamental para um tratamento mais eficaz. “É preciso ajudar o paciente a pensar no trabalho de outras formas e a superar as dificuldades laborais”, explica Ione. A professora também comenta que agentes penitenciários, profissionais da saúde e professores são alguns dos grupos mais afetados pelo Burnout.

Ter espaços para poder conversar e expressar sentimentos no ambiente profissional é fundamental para construir um ambiente mais saudável. Muitas empresas, como a Google, são adeptas de rotinas de trabalho diferenciadas, com várias opções para desestressar enquanto estão dentro da empresa. Ione Vasques de Menezes ressalta que essas mudanças são interessantes, mas que nem sempre se adéquam para todos. A presença de médicos e psicólogos também é importante.

Vida real

Para o analista judiciário Aldo Borges de Jesus, 48 anos, a síndrome de Burnout se manifestou pelas dores nas costas, especialmente na cervical e no pescoço. “Alguns sistemas no trabalho mudaram, e eu sempre me cobrei demais, queria alcançar todas as metas rápido”, conta. O funcionário do Tribunal Superior do Trabalho conta que desenvolveu um quadro de ansiedade e insônia e que, em 2015, resolveu procurar ajuda para se tratar.

Foi a uma clínica de neurologia, para cuidar das dores que sentia na cervical, e a um psiquiatra. Começou, então, a entender os limites. “Passei a explorar outras atividades, como acupuntura e exercício físico. Melhorei muito de lá pra cá”, garante. Aldo ficou afastado do trabalho de abril a dezembro de 2015.

Ele conta que, quando voltou ao ambiente profissional, mudou de atividade e teve acompanhamento dos médicos do órgão. “Alguns processos internos mudaram também, os gestores perceberam que estávamos sobrecarregados.”


Doença
A síndrome de Burnout foi adicionada à Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS), este ano, dentro da seção de doenças relacionadas ao trabalho, em reunião ocorrida em Genebra. A nova classificação vale a partir de 2022.
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
 

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