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Correio Braziliense NEURôNIOS EM DIA

O contato com a natureza deve fazer parte da prescrição médica

O periódico Frontiers in Psychology publicou uma pesquisa demonstrando que os benefícios trazidos pelo contato com a natureza já acontecem com 20 minutos de uma vivência em ambiente arborizado


postado em 03/07/2019 13:38

(foto: Divulgação/Ricardo Teixeira )
(foto: Divulgação/Ricardo Teixeira )
Temos inúmeras evidências do quanto a natureza é benéfica para nosso cérebro e nosso equilíbrio psíquico. Quando se pensa no cortisol, hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, e associado ao fenômeno do estresse, sabemos que o contato com o verde inibe a produção desse hormônio. Indivíduos que passeiam por áreas arborizadas têm menor produção de cortisol do que aqueles que fazem o mesmo numa rua comercial agitada.  Mas qual o tempo mínimo de contato com o verde para se ter esse efeito antiestresse? Recentemente, o periódico Frontiers in Psychology  publicou uma pesquisa demonstrando que esse benefício já acontece com 20 minutos de uma vivência em ambiente arborizado no perímetro urbano, independentemente de atividade física.

Outro estudo recente, ainda mais robusto, foi publicado na revista Scientific Reports envolvendo quase 20 mil voluntários mostrando que o contato com a natureza, a partir de 120 minutos por semana, faz com que as pessoas tenham uma maior auto percepção de saúde e bem-estar. O máximo benefício ocorre entre 200 e 300 minutos por semana, e o efeito foi semelhante quando a pessoa tem essa vivência de 200 minutos em um só dia, ou em parcelas de 30 minutos todos os dias da semana, por exemplo.

Alguns países, como  Finlândia, Japão e Coreia do Sul, já entenderam bem o recado e têm programas de “banhos de floresta” como forma de promoção da saúde. São muitos os benefícios já demonstrados com essas “pílulas de natureza”. Além da promoção do equilíbrio psíquico, temos ganhos na atenção, memória, linguagem e até na capacidade criativa. A experiência da natureza também está associada a menores índices de doença cardiovascular, obesidade, diabetes, hospitalização por crises de asma e, finalmente, menor mortalidade.

* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto de Cérebro de Brasília

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