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Correio Braziliense ESPECIAL

Escape room: conheça o jogo que caiu no gosto do brasiliense

Depois da febre dos jogos de tabuleiro, o brasiliense elegeu o escape room como o queridinho do momento. Que tal aproveitar as férias para se aventurar pelas salas da cidade?


postado em 14/07/2019 08:00 / atualizado em 14/07/2019 18:23

Os irmãos Felipe e Antonio Barros já zeraram praticamente todas as salas da cidade (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Os irmãos Felipe e Antonio Barros já zeraram praticamente todas as salas da cidade (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
É difícil encontrar um fã de jogos de tabuleiro, RPG ou videogame que nunca sonhou em fazer parte daquela história ou que tenha se envolvido tanto na narrativa que se esqueceu do mundo lá fora, desejando poder se transportar para aquele mundo imaginário. É exatamente essa a experiência que os escape rooms procuram proporcionar.

Nessa modalidade de jogo, grupos de pessoas são presos em salas e têm que encontrar pistas para conseguir escapar antes que o tempo se esgote. Os participantes são transportados para cenas de crimes, cofres de bancos, praias desertas e até mesmo para o Velho Oeste e têm, geralmente, 60 minutos para desvendar os desafios e sair da sala vitoriosos.

Em Brasília, os escape games se tornaram febre. Famílias, grupos de amigos, festas de aniversário e até mesmo eventos corporativos lotam as salas da cidade. Há ainda os “viciados”, que já passaram por quase todas as salas existentes e estão apenas aguardando que as empresas lancem desafios inéditos.

É o caso dos irmãos Antonio e Felipe Barros Coelho, de 13 e 11 anos, que já zeraram quase todas as salas disponíveis em Brasília e estavam só esperando as férias de julho começarem para jogar no úlnico local que ainda não foram.

Um amigo que jogou em São Paulo falou sobre os escapes rooms e os irmãos resolveram pesquisar, descobrindo que o jogo já existia por aqui. A partir daí, os dois, sempre acompanhados dos amigos, começaram uma jornada pelas salas disponíveis.


Sempre desafiados


O fato de não vencerem todas de primeira — algumas têm o nível de dificuldade alto — foi mais um estímulo. Eles sempre voltam quando não conseguem escapar e não descansam até solucionar todos os desafios. “Quando não conseguimos ganhar, voltamos. Ficamos com aquela angústia para saber o que acontece no final”, conta Antonio.

Felipe garante que o que mais gosta é fazer parte da história e que sua sala preferida é uma com a temática de espiões. “Estar na história e fazer parte é muito legal. Eu adoro detetive, e é como se estivesse jogando na vida real”.

Para os irmãos, e praticamente todos os jogadores com os quais a Revista conversou, o que não pode faltar nunca em um jogo de escape é o trabalho em equipe. “Tem que ter muita comunicação e falar tudo para os amigos, todos têm que concordar”, explica Antonio.

Eles acrescentam que sempre gostam de jogar com um adulto, geralmente os tios, que também gostam da brincadeira. “Existem desafios com algumas fórmulas e coisas que ainda não aprendemos na escola; então, é legal ter alguém mais velho para ajudar”, confirma Felipe.

Para a tradutora Beatriz Barros Coelho, 45, mãe dos meninos, o jogo é uma brincadeira que estimula o raciocínio lógico e a união, além de tirar os filhos de dentro de casa e dos jogos eletrônicos e celular, uma vez que, dentro da sala, nenhum dispositivo é permitido.


Os amigos Guilherme Henrique, Tatiana Freitas e Tatiana Santos (de branco) são desafiados pelos mistérios do jogo(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Os amigos Guilherme Henrique, Tatiana Freitas e Tatiana Santos (de branco) são desafiados pelos mistérios do jogo (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Calma e atenção


Os professores de educação física e amigos Guilherme Henrique Ramos Lopes, 45 anos, Tatiana Freire Dias Mendes, 40, e Tatiana Santos Biagini, 43, se conhecem há mais de 15 anos e são fãs dos jogos de escape, apesar de só conhecerem uma das empresas de Brasília.

Eles costumam jogar em um escape game que pertence à família de uma amiga próxima. E foi por meio dela que conheceram a modalidade. Guilherme conta que, na primeira vez que jogaram, os amigos estavam com pessoas que não conheciam e que, por mais que a experiência tenha sido positiva, o melhor é jogar com quem você conhece. Isso facilita a conexão.

Por ser extremamente calmo, Guilherme diz que se diverte vendo as reações de quem fica nervoso com o jogo. “As pessoas vão se revelando e você descobre muito sobre alguém nessas situações.” O professor afirma que, para ele, um dos segredos para conseguir escapar é justamente manter a calma e não se afobar nos momentos em que o jogo fica difícil.

Tatiana Freire, fã de jogos de tabuleiro, brinca e compara os escapes com o filme Jumanji, no qual você “entra” no tabuleiro e traz a brincadeira para a vida real. Para ela, o maior atrativo é se entreter para desvendar um desafio, esquecendo de tudo e curtindo o momento. “Tenho planos de trazer meus filhos. É um tipo de jogo que diverte e promove a união e estimula a sintonia.”

Tatiana Santos também acredita que o jogo tem esse poder. Quando jogaram com desconhecidos, apesar de nunca terem se visto, todos entraram em sintonia e conseguiram trabalhar bem juntos. A professora acrescenta que o que mais gosta é a adrenalina que o jogo traz.

Guilherme, diferente das amigas e da maioria dos fãs de escape games, não é muito ligado em videogames e outros jogos. Prefere esportes e, pela realidade e emoção das salas de escape, acabou fascinado pelo entretenimento.

Como surgiram?

Nos anos 2000, jogos chamados “escape the room” — ou “escape do quarto” — fizeram muito sucesso. Em computadores, videogames ou celulares, o jogador tinha seu personagem preso em uma ou mais salas e precisava encontrar elementos que o ajudasse a sair do local. E foi inspirado nesses jogos que um empresário japonês criou as primeiras escapes rooms, em 2007. Tratam-se de salas temáticas imersivas, cheias de enigmas e desafios palpáveis, onde o jogador é o personagem e precisa escapar em determinado período de tempo. O jogo se tornou real no Japão e, em 2015, a primeira sala foi inaugurada no Brasil.

Gutta Proença (de cabelo azul), João Vitor e Najla Leao ressaltam o trabalho em equipe que o jogo exige(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Gutta Proença (de cabelo azul), João Vitor e Najla Leao ressaltam o trabalho em equipe que o jogo exige (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Encarnando os personagens


No grupo de amigos dos estudantes Gutta Proença, 23 anos, e João Victor Ribeiro Cicon Rosa, 22, e da professora Najla Leão, 28, a imersão é um dos pontos altos da brincadeira. Tanto que, muitas vezes, dando um plus ao jogo, eles encarnam os personagens, fazendo vozes e usando acessórios.

Fãs de videogames e de jogos de tabuleiro e desafio, eles enxergam no escape room um sonho virando realidade. “Nós gostamos de fazer cosplay; então, essa é mais uma forma em que podemos nos transformar nos personagens e jogar, nos divertir”, diz Gutta.

O que eles mais gostam é de poder ir com o grupo de amigos. João Victor conta que, além do jogo, costumam surgir momentos engraçados, como quando uns assustam os outros encarnando os personagens ou quando criam gambiarras e conseguem ganhar o jogo da sua própria forma. “Criamos as histórias. Nas salas de terror, sempre elegemos alguém para morrer primeiro, igual aos filmes mesmo.”

Najla afirma que o maior desafio é o mesmo que pode garantir a vitória: manter a calma! Como no grupo de amigos existe muita brincadeira e muito susto, é importante não perder o foco e a tranquilidade para conseguir se manter no jogo.

Além do trabalho em equipe e da calma, Gutta, João Victor e Najla afirmam que há curiosidade de se mexer em todos os objetos. Descobrir a sala e ficar atento a tudo que parece ligeiramente diferente são dicas para quem quer sair da “prisão” em tempo hábil.

O casal Dhenise e Fabrício se reconectou depois de uma partida de escape room(foto: Arquivo Pessoal)
O casal Dhenise e Fabrício se reconectou depois de uma partida de escape room (foto: Arquivo Pessoal)
Trabalho em equipe


A advogada e professora de teatro Dhenise de Almeida Galvão, 40 anos, e a professora Lorena Dantas Figueiredo, 28, trabalham juntas em uma escola e ficaram próximas. O marido de Dhenise, o advogado e assessor político Fabrício Lima Galvão, 50, e os amigos de Lorena, o estudante Arthur Moreira Sudré e o professor André Victor Campos, 27, se conheceram em um evento e todos acabaram encontrando interesses em comum, como os jogos, e virando amigos.

Fabrício e Dhenise conheceram o jogo enquanto estavam de férias, no exterior, pela primeira vez sem os filhos. O casal visitava Lisboa e passava por uma fase difícil. Dhenise conta que teve medo de que eles acabassem brigando, mas ao vencer o desafio da sala juntos, se redescobriram como ótimos parceiros e se sentiram fortalecidos com a experiência.

Quando chegaram de férias, chamaram os amigos para jogar. Arthur e André já tinham conhecido o escape e, por serem fãs de jogos de tabuleiro, adoravam. A partir daí, surgiu o hábito. Hoje, eles têm até um grupo no WhatsApp para combinar os jogos. Tentam variar pelas salas de Brasília para manter o jogo emocionante, e o recorde deles, juntos, é de 46 minutos para sair de uma sala.

Para Dhenise, o mais interessante é o desafio de ter que articular a inteligência em grupo, e ela se diverte quando descobre um enigma que abre um novo espaço com vários outros segredos. Lorena concorda: “Adoro quando a gente acha que desvendou algum mistério, mas é só o início de tudo”.

Já André diz que o que mais  gosta é a interação com os cenários e a construção do enredo, que o levam para uma nova realidade. Para vencer, Dhenise defende mente aberta e muita concentração. O trabalho em equipe também faz parte da vitória e do atrativo do jogo. “É impossível você jogar sozinho, e cada um é bom em alguma coisa. Isso facilita muito na corrida contra o tempo”, completa Lorena. A dica de André é: “Revirar tudo que você encontrar e prestar atenção nos detalhes”.

Dhenise e Lorena ressaltam que também são fãs dos jogos de escape originais e têm alguns aplicativos no celular, onde jogam e afiam a mente para arrasar nos escape rooms.


Onde jogar


Atualmente, existem em Brasília três casas de escape, com de quatro a cinco salas cada uma, com histórias, níveis de dificuldade e quantidade de jogadores diferentes, além de classificação indicativa. Em Brasília, existe ainda a Fuga, uma empresa que cria jogos de escape personalizados. 

ESC — Escape Room
Endereço: SHCGN 712/713 Bloco B Loja 12

60 Minutos — Escape Game
Endereço: Piso Inferior do Shopping Pier 21

Enigma 60
Endereço: SCLN 211 Bloco D, Subsolo

Fuga Escape Game
Telefone: 98277-7168


Nas redes


Jogos on-line e para celular que ajudam a afiar o cérebro para o escape room
Spotlight: Room Escape
Mysterious Room Escape
E.x.i.t. — Escape Game
Granny
O Quarto
Samsara Room
Cube Escape

A união faz a força


Os donos de escape em Brasília não costumam ver um ao outro como concorrentes. Eles têm um grupo no WhatsApp em que trocam informações e experiências. Uma das sócias do Fuga, Amina Demicheli, afirma que a concorrência não é problema no ramo. “Quando a pessoa joga em um e gosta, vai querer jogar em outras salas. E é legal que tenham esse costume; então, nós mesmo costumamos indicar.” A empresa dela fechou as salas fixas, mas continua a fazer eventos de escape personalizado, de acordo com a necessidade e o gosto dos clientes, além de preparar eventos especiais, como pedidos de casamento e festas de aniversário.

Wagner Tomaz de Almeida, um dos sócios da 60 Minutos, lembra que ele e os amigos que criaram a empresa adoram jogar e, para isso, precisam das “concorrentes”. “A gente cria os enigmas das nossas salas sempre juntos. Queremos, com isso, que existam outros escapes, até para que possamos aproveitar.” E uma coisa é unanimidade: quem vai uma vez quase sempre volta, principalmente os que não conseguiram escapar.

Rodrigo Melo Xavier, outro sócio ds 60 Minutos, conta que o fato de existirem várias salas pela cidade facilita o negócio e a propagação. Os amigos que são viciados e terminam todas as salas de uma empresa jogam nas outras, e isso dá um tempo para a mudança.

Rodrigo explica que, desde que abriram, eles ainda não trocaram as salas, mas já têm planos e escapes prontos só esperando. “O movimento nas salas atuais ainda não caiu, então, a gente quer deixar o máximo possível para que um público maior conheça as salas, e só mudar quando percebermos que a maioria já foi.”

Maria de Fátima Machado Gonçalves, uma das donas do Enigma 60, informa que eles também não mudaram as salas que têm há cerca de dois anos, mas planejam trocar quando a maioria do público já as tiver conhecido.

E para quem ainda não foi, mas pretende se aventurar, Fernanda Carvalho, gerente da ESC — Escape Room, dá a dica: “Recomendamos sempre iniciar pela de menor complexidade. Não se engane achando que será um desafio fácil. Na verdade, a maioria das pessoas que nunca jogou não consegue completar o desafio”.


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