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Correio Braziliense

Conheça os tipos e como tratar a temida doença do carrapato

Muito temida pelos donos de pets, a doença causada pelo hospedeiro tem cura e diagnóstico rápido, mas é preciso ficar atento para evitar as complicações


postado em 21/07/2019 04:10 / atualizado em 26/07/2019 15:16

Raoni Moraes Lopes e Gabriela Astofoli, já têm experiência com a doença do carrapato. Agora, investem na prevenção(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Raoni Moraes Lopes e Gabriela Astofoli, já têm experiência com a doença do carrapato. Agora, investem na prevenção (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Cachorros são, no geral, animais extremamente ativos. E na casa da estudante Beatriz Dafne, 22 anos, a cadela Princesa sempre foi conhecida na família pela agitação. Fugir para brincar com os cachorros da rua era uma das estripulias frequentes.

Mas o comportamento da cadela mudou drasticamente de repente. “Começamos a perceber que tinha algo errado quando ela parou de latir. E logo depois, ela parou de comer”, relembra a estudante. Em janeiro deste ano, foi diagnosticada com a doença do carrapato.

Apesar de ter um nome só, a doença do carrapato engloba um conjunto de quatro males transmitidos pelo hospedeiro Rhipicephalus sanguineus, o carrapato. No Brasil, as mais comuns são a Erliquiose — causada pela bactéria Ehrlichia canis, que ataca os glóbulos brancos do sangue e compromete o sistema imunológico do animal — e a Babesiose — provocada pelo protozoário Babesia canis, que atinge os glóbulos vermelhos e causa anemia (veja box).

Mesmo sendo diferentes, os sintomas clínicos das doenças pouco variam, e não é raro que as doenças estejam simultaneamente no cachorro.

Quando infectado, o animal demonstra apatia, para de comer e pode apresentar hematomas pelo corpo, sangue nas fezes e aspecto amarelado nas gengivas e nas mucosas. “Nos casos mais graves, o animal pode ter alterações neurológicas que, se não tratadas, podem levar a óbito”, explica a veterinária Bruna Tadine Conti.

Princesa estava bem debilitada quando recebeu o diagnóstico e, apesar de ter sido tratada corretamente, convive com as sequelas deixadas pela doença até hoje. “Ela tem muita dificuldade para comer, porque não consegue mais abrir a boca toda, só uma parte. Oferecemos sempre alimentos mais molinhos para ela mastigar”, conta Beatriz.

Apesar de temida por tutores de pets, tanto o diagnóstico quanto o tratamento são simples quando a doença é identificada precocemente. Exames de sangue básicos conseguem atestar a enfermidade e o tratamento dura de 15 a 30 dias, à base de antibióticos. Também é indicado o aporte de vitaminas, para fortalecer o animal.

Em casos mais graves, pode ser necessário uma transfusão de sangue para ajudar o cão a se recuperar. “Quanto mais cedo os sintomas forem observados e o diagnóstico for dado, maiores as chances de cura. Por isso é fundamental agir rapidamente e procurar um profissional”, alerta a veterinária Amanda Corrêa.

Atenção redobrada

Agir rapidamente foi o que evitou sequelas nos cachorros da empresária Gabriella Astofoli dos Reis, 26 anos. Três, dos seis cachorros que possui, tiveram a doença. “Como passamos por muitos casos, sabemos administrar a situação da melhor maneira possível. Logo que detectamos os sintomas, corremos ao veterinário para ter o diagnóstico e iniciar o tratamento”.

Mas, após tantos casos, a empresária decidiu agir com prevenção: todos os animais da casa tomam remédios contra carrapatos. “Há mais de um ano que não tem nenhum caso aqui em casa”.

Além dos remédios preventivos, ter um ambiente higienizado para o animal é primordial. “Manter o ambiente do pet limpo e realizar a assepsia do cão ou gato com produtos específicos para matar os carrapatos também é importante, pois permite um controle maior sobre o lugar em que o animal vive”, garante Amanda Corrêa.

Os cuidados devem ser tomados independentemente de o pet ter contraído ou não a doença, pois  não gera imunidade. “Existem dois casos em que ela pode voltar a se manifestar no animal: a primeira é quando os sintomas desaparecem, mas a doença continua no organismo, no que chamamos de período latente; a segunda e mais comum é quando o bicho continua exposto a carrapatos e volta a ser infectado”, alerta Bruna Tadine Conti.

Examinar o corpo do animal com frequência também é uma alternativa para evitar a doença. Ao notar a presença de carrapato, o ideal é não fazer a remoção com as mãos, e sim com produtos específicos. “Antigamente era muito comum essa remoção manual, mas existem grandes chances do aparelho bucal do carrapato continuar fixado ao animal, o que faz com que essa retirada não seja eficiente”, alerta o veterinário Cristiano Anjo.

*Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira

Três perguntas para três especialistas

É verdade que a doença é mais comum no verão? Por quê?
Sim. Os carrapatos preferem ambientes com clima quente, o que aumenta a proliferação desses animais. Então o cuidado com eles no verão precisa ser redobrado.
Veterinária Amanda Corrêa

A doença pode infectar seres humanos?
Não se transmite a doença do cachorro para o tutor. O hospedeiro intermediário é sempre o carrapato. E existem algumas doenças transmitidas pelo carrapato que podem afetar seres humanos, como é o caso da febre maculosa, muito comum em cavalos e que pode ser bastante agressiva.
 
Veterinária Bruna Tadine Conti, Elanco Animal Health

Encontrei um carrapato no meu pet? Isso quer dizer que automaticamente ele está com a doença?
Nem todos os carrapatos são infectados por agentes que causam doenças. Para isso, esses animais precisam ter o contato com a doença por meio de um hospedeiro e então se tornarem vetores. Ainda assim, o carrapato precisa de um tempo de fixação no animal de no mínimo 10 horas para transmitir, de fato, a doença.
 
Veterinário Cristiano Anjo, Elanco Animal Health

Detalhamento das duas doenças

Erliquiose
  • Ataca o sistema de defesa do cão. A bactéria Erhliquia canis induz o corpo do animal a destruir suas próprias células de defesa (glóbulos brancos) e impede a produção de novas células sanguíneas (hemácias). As plaquetas (responsáveis pela coagulação) também ficam comprometidas quando há infecção.
  • A contaminação possui três fases bem acentuadas: aguda, com sintomas comuns a uma infecção, como febre, falta de apetite e perda de peso; subclínica, que não apresenta sintomas e pode durar até mesmo anos após a picada do carrapato; e, por fim, a fase crônica, com sintomas parecidos com os da fase aguda, porém mais graves e intensos.

Barbesiose
  • É similar, mas ataca outras células do organismo: os glóbulos vermelhos, responsáveis pela circulação de oxigênio no sangue. Os microorganismos infectam as hemácias e nelas se replicam, resultando em anemia como a hemolítica imunomediada (quando o sistema de defesa do animal interpreta que as suas próprias hemácias são “intrusos” e acaba destruindo-as, piorando mais ainda a anemia). Os sintomas da doença são parecidos com os da Erliquiose — como febre, fraqueza, perda de apetite, entre outros.


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