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Correio Braziliense BICHOS

Os animais também gripam

Fique atento a esta época do ano, propícia à proliferação de doenças respiratórias, para que o quadro não se torne mais grave


postado em 28/07/2019 07:00

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
A chegada da época mais fria e seca do ano sempre vem acompanhada de alertas à saúde. Este período é marcado pela proliferação de doenças respiratórias, o que demanda atenção redobrada de todos, até dos tutores de animais. Nem todo mundo sabe, mas gripes, pneumonias e infecções do aparelho respiratório em geral também atingem os bichos. Por isso, é fundamental estar ainda mais alerta aos sinais de enfermidades nos pets durante estes meses.

Diferentemente dos humanos, os responsáveis pela gripe em cães são os vírus H3N8 e H3N2, que proliferam com mais facilidade durante as estações frias. Como a patologia é causada por agentes diferentes, a gripe, normalmente, não é transmitida entre bichos e tutores. No entanto, o contágio entre animais é frequente, e todas as raças estão vulneráveis.

Ainda que fundamental para o desenvolvimento dos cães, a sociabilização também é um terreno fértil para a proliferação da doença. As principais formas de contaminação da gripe são o contato direto com secreções respiratórias e pelo ar. “São exemplos de locais de risco os ambientes com grande aglomeração de animais, como pet shop, hotel, day care e festinha de aniversário em salões fechados”, enumera a veterinária e pediatra neonatologista Eliana de Farias.

Para se proteger, bichos de estimação que estão frequentemente expostos a tais circunstâncias devem recorrer às vacinas. Algumas fases da vida tornam o cachorro ainda mais vulnerável, como filhotes, gestantes, idosos, imunodeprimidos por tratamento quimioterápico ou doenças imunossupressoras. “Animais vacinados podem contrair a doença, mas terão o sistema imunológico competente para lidar com ela. Eles costumam ter manifestação mais branda e recuperação mais rápida da doença”, explica a veterinária.

Os sintomas são facilmente identificáveis. Tosse parecida com um engasgo, sonolência, reclusão, falta de apetite e febre são alertas de que o cãozinho precisa de uma consulta médica. Os sinais de febre são tremor, sonolência, e o animal pode procurar um local quente para se abrigar. É importante ressaltar que tocar o focinho do pet não é indicado para verificar a existência do quadro, pois a temperatura corporal dos cães é mais alta que a dos humanos.

Uma vez identificados os sintomas, o diagnóstico é predominantemente clínico, mas o veterinário pode solicitar exames de sangue e radiografia do tórax para confirmar o resultado. A veterinária Thamyres Menezes pontua que outros testes também são necessários para descartar infecções concomitantes e até mesmo alterações de outras naturezas, como odontológicas.

A duração da gripe canina varia de acordo com o sistema imunológico, mas permanece normalmente em torno de sete a 10 dias. A doença, porém, pode se tornar uma broncopneumonia — evolução mais severa da enfermidade — e a recuperação demorar mais.

Assim, é fundamental se dedicar ao tratamento, que varia de acordo com os sinais clínicos e as possíveis complicações. No entanto, normalmente ele é feito com anti-inflamatórios, mucolíticos, vitaminas e, em alguns casos, com o auxílio de antibióticos.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Tratamento


A pequena Luna, de 1 ano, chamou a atenção dos tutores quando deixou de lado a agitação e ficou mais quietinha. “Ela costuma ser muito elétrica, até que reparamos que deixou de comer, estava sempre deitada embaixo da nossa cama e com o nariz escorrendo”, relata a tutora Isabella Mascarenhas, 31.

A reclusão da cachorrinha era por conta de uma gripe causada pela brusca variação de temperaturas em Brasília. Além desses sintomas, Luna apresentou tosse, lacrimejamento ocular, espirros, coriza e falta de ar. Para resolver o problema, o tratamento incluiu anti-inflamatório, mel com própolis, suplementação de vitaminas, expectorante e nebulização — feita com soro fisiológico e máquina própria.

O processo também foi indicado para a cachorrinha resgatada por Juliana Cordeiro, 35. A filhote de mais ou menos 5 meses é de uma ninhada de 12 cãezinhos que nasceram em um lixão. Com o tempo, os filhotes foram desaparecendo, e a analista de sistemas, que já havia tentado resgatá-los antes, só conseguiu pegar a cadelinha, bastante debilitada.

“Eu a resgatei bem doentinha, com muita fome e secreção”, relembra Juliana. Sol recebeu a visita da veterinária Eliana de Farias e foi diagnosticada com pneumonia e anemia severa. O tratamento, de 20 dias, termina esta semana. “Após o exame de sangue, a especialista passou antibióticos, vitaminas e nebulização”, conta a analista de sistemas. Juliana não poderá ficar com Sol porque já tem outros animais. Após o término do tratamento, o animal será castrado e ficará disponível para adoção.


Variação felina

No caso dos gatos, a situação é bem diferente. A veterinária Thamyres Menezes explica que os felinos não podem contrair a gripe como a dos humanos. A rinotraqueíte é o que mais se assemelha em questões de sintomas e tratamento, porém os agentes causadores são outros. Normalmente, o responsável é o herpesvírus, que pode, ou não, estar associado a mais um vírus (calicivirus) e uma bactéria (microplasma).


Saiba diferenciar

A veterinária Thamyres Menezes observa que a gripe é diferente da traqueobronquite, embora há quem confunda as duas enfermidades. A primeira é causada por um vírus, enquanto a segunda é uma associação entre um ou mais vírus — tais como o herpesvírus canino, o vírus da parainfluenza canina (ou VPIC), o vírus da cinomose e os adenovírus caninos (AVC) dos tipos 1 e 2 — e uma bactéria (Bordetella bronchiseptica).

* Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

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