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Correio Braziliense

Box braids: saiba tudo sobre as tranças do momento

Charmosas e despojadas, as box braids são uma opção para quem quer mudar o visual com um penteado permanente e que valoriza a cultura afro


postado em 19/08/2019 15:01 / atualizado em 19/08/2019 15:01

Beatriz Dafne adotou o penteado quando parou de usar alisamentos no cabelo(foto: Silvana Sousa/CB/D.A Press)
Beatriz Dafne adotou o penteado quando parou de usar alisamentos no cabelo (foto: Silvana Sousa/CB/D.A Press)
Se você é daquelas que adora um visual estiloso e descontraído, as box braids podem ser uma ótima pedida. Essas tranças de origem africana são resultado de uma técnica que consiste em unir fibras sintéticas ao cabelo natural. Versáteis e democráticas, elas podem ser feitas com diferentes materiais, sendo a linha de crochê e o jumbo as mais comuns.

Comumente usadas por mulheres de cabelos crespos e cacheados, as tranças permanentes também são uma boa solução para quem está passando pela transição capilar — processo de retirar químicas e alisamentos dos fios —, pois protegem o fio natural de agentes externos, favorecendo o crescimento. Esse foi o caso de Beatriz Dafne, 22 anos, que adotou o visual quando parou de alisar o cabelo.

A estudante conta que, quando tomou a decisão, cortou toda a parte alisada, ficando com o cabelo estilo joãozinho. As tranças foram solução para deixar o black power crescer — sem falar que deram uma injeção de autoestima e empoderamento. “Elas entraram na minha vida em um momento em que eu estava me desconstruindo do ideal de beleza em que acreditei por muito tempo, e estava começando a aceitar meu cabelo e minha origem afro”, conta.

O primeiro passo na hora de adotar o visual é escolher bem o profissional. A tricologista Giovanna Eça da Silva alerta que é preciso pesquisar bem, de preferência, recorra a alguém por indicação para evitar complicações. “É muito comum ocorrer o tensionamento do fio, quando a profissional aperta demais a tranças na raiz ou não sabe fazer a técnica corretamente, o que causa uma queda acentuada de cabelo por conta da tração.”

O processo para trançar é demorado — box braids até a altura da cintura demoram, em média, oito horas para serem finalizadas —, mas o resultado é o equilíbrio entre charme e durabilidade, garante a trancista Francy Silva. “No geral, elas duram cerca de três meses. Porém, eu geralmente indico que minhas clientes façam a manutenção já com dois meses, pois, nesse período, as tranças já folgaram bastante na raiz, podendo prejudicar o cabelo natural. E o aspecto da trança já não é mais bonito.”

Mesmo com o cabelo natural protegido, são necessários alguns cuidados para garantir a saúde do fio e também o aspecto das tranças. Durante a noite, por exemplo, a trancista recomenda dormir com uma touca de seda ou com uma fronha mais macia para evitar que a trança fique com frizz. “É essencial que a raiz do cabelo esteja sempre hidratada, e a higienização deve ser feita cerca de três vezes na semana.”

Além disso, a trancista recomenda lavar o cabelo apenas com xampu, pois cremes podem folgar demais as tranças, diminuindo a durabilidade, além de se acumularem com maior facilidade no fio, podendo causar caspa e obstrução do couro cabeludo. “É bom se certificar ainda de que o cabelo esteja 100% seco antes de dormir, para evitar fungos e bactérias. O secador é uma ferramenta essencial para quem usa as tranças, porque, independentemente do material utilizado, elas demoram bastante para secar”, recomenda Francy Silva.

E nada de colocar uma trança atrás da outra. Um período de pausa é importante para não prejudicar o fio. “Tem que haver esse espaço para cuidar do cabelo quando ele está sem as tranças, fazer uma hidratação potente, e caso o fio e a raiz estejam saudáveis, recolocar após 15 dias”, recomenda a tricologista Giovanna Eça da Silva.

Além da estética


Assim como os turbantes, o uso de box braids também pode gerar polêmica. Isso porque, mais que uma saída de estilo ou uma estratégia para diminuir o tempo de arrumação do cabelo no dia a dia, elas carregam um forte apelo à ancestralidade negra.

As tranças, para a cultura afro, podem simbolizar status, região geográfica, classe social, identidade étnica, entre outros. Durante o período escravista no Brasil, as tranças eram utilizadas até mesmo como mapas de rotas de fuga e como forma de comunicação entre os negros.

Justamente por esse cunho, mulheres de pele clara que adotam o visual podem não ter uma resposta tão positiva. Famosas, como Kim Kardashian, Katy Perry e até mesmo a cantora Anitta, já foram acusadas de apropriação cultural quando colocaram esse tipo de trança.

A questão divide opiniões. Beatriz Dafne, por exemplo, admite que se sente feliz quando pessoas se interessam pelo penteado, pois, para ela, é uma maneira de transmitir conhecimento. “A cultura negra é pouco falada e, nesses momentos, eu me sinto muito feliz em poder explicar para alguém que minhas tranças são mais que estética. E, assim, essa pessoa pode repassar esse conhecimento a outras, porque a gente precisa falar sobre isso.”
 

De olho no material

As tranças box braids podem ser feitas de diferentes materiais. A escolha vai depender do aspecto final desejado e também do custo-benefício pretendido.
  • Linha de crochê: A vantagem desse material é que ele pesa bem menos que os demais, além de ser mais barato. Em média, são necessários cerca de seis novelos de linha, que podem ser encontrados por R$ 7 o tubo. A linha também embaraça menos na hora de trançar, além de ser muito mais macia e brilhosa, sem contar na gama de cores, que é bastante variada.
  • Jumbo: Por ser um cabelo sintético, as tranças desse material têm um aspecto muito mais natural. Em contrapartida, é mais pesado e pode provocar coceira no couro cabeludo, além de ter um custo um pouco mais elevado e opção de cores limitadas. No geral, dois pacotes de 700g trança a cabeça inteira.
  • Lã: Assim como a linha, é um material leve, oferece uma extensa variedade de tons e também é uma opção de baixo custo. Porém, o material esquenta bastante; então, se você mora em um lugar muito quente, o material não é tão vantajoso. A textura produz atrito e portanto, embaraça mais enquanto a trança está sendo feira, além de não ser tão macia.
  • Kanekalon: É de qualidade elevada. Por ser mais fácil de manusear e ter um melhor custo-benefício, é bastante usado por quem está começando. Porém, a fibra é pesada e apresenta um aspecto mais artificial e brilhoso quando comparada a outros materiais, além de ter uma cartela de cores limitada.
 
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte




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