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Correio Braziliense BICHOS

Escapadas perigosas: FIV e FELV felinas

Os vírus da Aids e da leucemia felinas são problemas sérios que preocupam os tutores de gatos. Fique atento ao comportamento do animal e mantenha-o sempre protegido em casa para evitar a doença


postado em 19/08/2019 15:20 / atualizado em 19/08/2019 15:55

Depois do tratamento contra a FELV, Paçoca convive muito bem com os outros dois gatos da família(foto: Arquivo Pessoal)
Depois do tratamento contra a FELV, Paçoca convive muito bem com os outros dois gatos da família (foto: Arquivo Pessoal)
Os gatos são conhecidos pela independência e pelas escapadinhas periódicas para passear em muros alheios. Mas toda essa liberdade e o contato com outros animais deixam os felinos mais suscetíveis a doenças perigosas, como é o caso das enfermidades causadas pelos vírus da leucemia (FELV) e da imunodeficiência (FIV) felinas.

Os dois quadros são causados por variações de retrovírus específicos — que atingem apenas os gatos —, e não têm cura. A veterinária especialista em felinos Giovana Mazzotti garante que é extremamente importante manter esses animais castrados, dentro dos seus lares e sem contato com desconhecidos. “Também é fundamental realizar os testes para as doenças, porque os felinos que circulam nas ruas estão altamente suscetíveis à contaminação.”

No caso da FELV, que tem maior incidência no Distrito Federal, a transmissão é mais fácil, por meio do contato com urina, fezes e, principalmente, saliva do animal doente. “Os gatos podem se infectar dividindo vasilhas de alimentação e água, caixas de areia e ao se lamberem — forma mais comum entre bichos que convivem”, explica o especialista em felinos Vítor Benigno.

Já a FIV é disseminada em brigas, por mordidas e arranhões, e pela transfusão sanguínea. Uma mãe positiva para qualquer uma dessas doenças pode transmitir o problema para os filhotes durante a gestação ou a amamentação.

Não há certeza de que a transmissão possa se dar por meio da relação sexual entre os gatos, segundo Giovana Mazzotti. “Não se sabe se esse tipo de propagação é possível, pela carga viral ser muito pequena no sêmen e os vírus não terem qualidade ou força para conseguirem infectar.” Entretanto, a castração é uma importante forma de prevenção. “Brigas por território e por fêmeas no período fértil são formas de contágio”, justifica a especialista.

Cuidados essenciais


Além de manter os animais em casa e, possivelmente, castrados, a vacina — apenas para a FELV — existe e é uma forma essencial de proteção. Realizar os testes, por meio do exame de sangue, também ajuda no tratamento do gatinho.

O quadro é grave, e a expectativa de vida pode ser menor em animais que não convivem com o problema. Algumas doenças costumam ser associadas aos vírus, como as neoplasias, a anemia e a diminuição de plaquetas. Mas isso não quer dizer que o bichinho está condenado. Nem todos os pacientes positivos apresentam esses sintomas; alguns têm vida normal.

Para melhorar o bem-estar dos gatos enfermos, é necessário que o animal realize atividades físicas, tenha alimentação de boa qualidade e acompanhamento especializado para controlar os sintomas que podem aparecer. “Ainda não existe tratamento recomendado e com resultados comprovados, mas sempre há novos estudos e a esperança de que possa vir a surgir algo efetivo”, diz o veterinário.

Convivência feliz


O gatinho Paçoca, de idade estimada entre 4 e 5 anos, é o xodó da casa. O animal, que morava embaixo do prédio de Silvia Sundfeld, 59, foi adotado pela aposentada aos 2 anos e, na consulta veterinária inicial, foi diagnosticado com FELV. O plano era tratá-lo e disponibilizar o animal para a adoção. Mas, por conta do diagnóstico, Silvia ficou preocupada que ele não ganhasse um lar.

“Eu fiquei com medo de que as pessoas tivessem preconceito e não cuidassem dele, e precisei tomar uma decisão segura — principalmente porque eu já tinha dois gatinhos. Mas, com a orientação do veterinário e o apoio do meu marido, trouxemos Paçoca para casa”, relembra a tutora.

A convivência não poderia ser melhor, graças à vacina dada religiosamente a cada ano nos outros gatos da família: Raja e Negão. Paçoca vive muito bem com os irmãos e não apresenta muitos problemas de saúde. “Ele conquista qualquer um! Vê-lo bem como está hoje, feliz e peralta é muito gostoso e gratificante”, alegra-se a aposentada.

(foto: Com a demora no diagnóstico, infelizmente, Gatô não resistiu às consequências da FELV)
(foto: Com a demora no diagnóstico, infelizmente, Gatô não resistiu às consequências da FELV)
Foi só após Gatô começar a apresentar doenças recorrentes que a tutora dele, Ana Clara Aquino, 24, levou o bichinho ao médico. “Quando eu o encontrei, em uma caixinha atrás do ponto de ônibus, ele parecia muito saudável”, conta a estudante. Por isso, ela não o levou ao veterinário depois da adoção.

O gato começou a emagrecer, depois teve gengivite — que já é um sinal de imunidade baixa — e, na primeira consulta médica, viram que tinha algo errado. “Ele era um gato jovem e não deveria estar assim. Como eu já tinha pesquisado os sintomas antes, pedi que realizassem o teste de FIV e FELV nele, porém o médico disse que não era necessário”, conta Ana.

No entanto, mesmo com a realização do tratamento, Gatô só melhorou por um período, até ficar doente de novo. A tutora dele, então, decidiu procurar outro especialista no Hospital Veterinário da Universidade de Brasília. Lá, realizaram o teste e o gatinho foi diagnosticado com FELV.

“Ele já estava muito debilitado quando fez o exame e, infelizmente, morreu em julho de 2017, com um ano e meio”, conta Ana. A estudante alerta que morar em casa — o que deixa o felino livre para sair e voltar — não ter visitado o veterinário no começo e nunca ter realizado o teste foram fatores agravantes.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

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