Publicidade

Correio Braziliense ENCONTRO COM O CHEF

Saúde e sabor à mesa: conheça a chef do Quanto Café

Filha de chef, Meire Lima começou a cozinhar ainda na infância, mas aprendeu na gastronomia funcional a respeitar os alimentos


postado em 25/08/2019 07:00 / atualizado em 23/08/2019 14:17

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Meiri Lima é o que se pode chamar de pioneira. Quando ninguém falava em nutrição funcional ou dieta sem glúten nem lactose, ela, intuitivamente, já estava preocupada com o que levava ao prato. Ela acredita que, em grande parte, isso aconteceu depois do nascimento dos filhos. Mãe muito jovem, aos 15 anos, o senso de responsabilidade também chegou precocemente, junto com a maternidade. “Eu sempre fui muito preocupada com o que os meus filhos comiam.”

A gastronomia esteve presente na vida da brasiliense antes mesmo de ela nascer. O pai era chef de cozinha da residência oficial do presidente da República — serviu de João Baptista Figueiredo a Fernando Henrique Cardoso, quando se aposentou. Com sete filhos para criar, ele precisava, porém, aumentar a renda. Nos fins de semana, costumava fazer bicos em eventos variados. E lá ia Meire, ainda criança, ajudar o pai. Assim, aprendeu muitos segredos da culinária tradicional.

Ainda muito jovem, começou a trabalhar para criar os três filhos. Conseguiu um emprego no serviço público, no Ministério da Saúde. Curiosa, começou a estudar sobre culinária funcional, justamente com o intuito de melhorar a alimentação dos filhos. Em 2010, enquanto vivia uma “fase vegetariana”, Meire decidiu morar em Santa Catarina, estado onde tinha passado as férias e se apaixonado. Começava ali um novo ciclo na vida da brasiliense.

Meire pegou os filhos e se mudou para Garopaba, onde abriu um restaurante vegetariano. Não previu, porém, um fator importantíssimo para o negócio: a sazonalidade. “Eu sei cozinhar muito bem, mas sou péssima administradora. Cheguei no verão, e o restaurante deu supercerto. Mas bastou começar o inverno para a cidade praiana ficar deserta.”

Culinária a sério


Depois de um ano e meio, Meire retornou a Brasília com um propósito: transformar a gastronomia em profissão. Voltou a trabalhar no serviço público, mas apenas meio expediente. Nas horas vagas, passou a fazer consultoria culinária. “Estava começando a onda de comida saudável, e as pessoas chegavam em casa com uma lista enorme da consulta com o nutricionista, mas não sabiam nem por onde começar a preparar tudo aquilo. Eu executava as receitas para elas”, detalha. Paralelamente, começaram a surgir eventos — sempre com a pegada saudável.

Meire chegou a ingressar no curso de nutrição. Mas com o excesso de trabalho e o cuidado com os filhos, precisou trancar a faculdade. Nunca parou, porém, de estudar. Passou a pesquisar novos ingredientes e a fazer experimentos na cozinha. Recentemente, descobriu a Associação do Movimento Slow Food e as delícias do comer bem e sem pressa. O cerrado — e a sua riqueza de ingredientes — é a mais recente paixão.

Depois de uma passagem pela Embaixada dos Estados Unidos, como chef da residência oficial do embaixador, Meire recebeu o convite do Quanto Café para comandar a cozinha da casa. “Quando abrimos o Quanto, a ideia era oferecer café especial de qualidade ao brasiliense. Naturalmente, aos poucos, foram surgindo comidinhas para acompanhar esses cafés. Agora, estamos investindo mais na comida, e Meire, com essa pegada caseira e natural, é a pessoa certa para tocar o projeto”, conta Elaine Lina, uma das sócias da cafeteria.

Meire ajudou a implementar o café da manhã diário, o brunch de sábado e o almoço às sextas-feiras, cujo menu muda a cada semana, de acordo com a sazonalidade dos ingredientes e do clima do dia. “Dias quentes e secos pedem comida mais leve; já nos frios, podemos preparar algo mais encorpado”, exemplifica Meire. A ampliação do almoço para outros dias da semana não está descartada.

Para a chef, a falta de formação acadêmica é um diferencial para o tipo de comida que faz. “Não fico presa a convenções. Faço uma cozinha experimental, com tato, cheiro e olfato. A minha cozinha é ligada à raiz, a tudo o que aprendi nas minhas inúmeras viagens pelo Brasil”, define.

Meire é defensora do não radicalismo. Para ela, é preciso equilíbrio. “Podemos usar a farinha de trigo, mas sem deixar de lado as outras inúmeras opções de grãos existentes”, exemplifica. O lema da chef é aliar sabor e saúde: “Comida saudável pode — e deve — ser gostosa”, resume.


Mudando a dieta


Meire Lima dá algumas dicas valiosas para quem pretende começar a comer de forma mais saudável.
Variedade — “Se dê à oportunidade de experimentar novos alimentos sempre.”
Necessidades — “Se a pessoa parar um pouco, respirar, vai entender exatamente que tipo de alimento está precisando. Aprenda a ler o seu corpo.”
Sem pressa — “O corpo precisa de um tempo para se adaptar à nova dieta. A mudança precisa ser gradual.”
Só a acrescentar — “Não sou a favor de tirar nada da dieta, mas sempre acrescentar.”
Substituições saudáveis — “Você pode, em vez de comer tanto carboidrato refinado, ingerir mais grãos; em vez de consumir tanto açúcar, comer mais frutas.”
Qualidade — “Em vez de quantidade, é preciso ter variedade no prato, comer de forma consciente.”

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Ravioli da Terra


Ingredientes
250g de farinha de arroz
150g de fécula de batata
50g de polvilho-doce
4 ovos inteiros
4 gemas
Sumo de uma beterraba
5g de goma xantana
5g de goma guar
1 pitada de sal

Modo de fazer
Misture todos os ingredientes, amasse até obter uma massa bem lisa (nem seca, nem pegajosa). Abra a massa com o auxílio de um rolo de massas ou cilindro, corte da forma e tamanho desejados, recheie e feche. Cozinhe em água fervente por 10 minutos e sirva com molho de sua preferência.

Sugestão de recheio
Ingredientes
1 maço de espinafre
1 cebola pequena picada
1 dente de alho amassado
200g de muçarela de búfala
Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de fazer
Em uma panela, coloque um fio de azeite, refogue a cebola e o alho e junte as folhas de espinafre. Triture o refogado e a muçarela de búfala e utilize para rechear sua massa.

Dica
A goma xantana e a goma guar são de origem vegetal facilmente encontradas em casas de produtos naturais.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade